‘Ser feliz é um processo bastante complicado. É um desafio que venho trabalhado a minha vida inteira’, confira a entrevista feita pela Neon Magazine

por / terça-feira, 10 junho 2014 / Publicado emEntrevistas

Neon

“Eu realmente gostaria de ser feliz.”
Lana fala sobre dois grandes tópicos de suas músicas: Homens e tristeza.

 

Alard von Kittlitz: Suas músicas são em maior parte sobre homens. Eles são tão bons?
Lana Del Rey: 
Homens são a minha paixão. Eu gosto da energia masculina, sua estabilidade e sua previsibilidade em relacionamentos. Homens são uma grande fonte de inspiração para mim. A maioria dos meus amigos são homens intelectuais e criativos. Eu gosto de estar com eles. Grande parte das minhas músicas que tem um tom romântico não são necessariamente sobre amor, mas simplesmente sobre homens que me influenciaram.

AvK: Qual é a diferença entre homens e mulheres para você?
LDR: 
Ah, eu não sei. Aqueles clichês: Homens são isso, mulheres são aquilo, eu não estou realmente interessada neles. No fim das contas estou interessada em pessoas individuais. Mas ao mesmo tempo eu tenho que admitir que a maioria dessas pessoas que realmente me interessaram eram homens. E mesmo as mulheres fascinantes que conheci tinham bastante energia masculina.

AvK: O que você quer dizer com “energia masculina”?
LDR: 
Quero dizer com isso que eles são dominantes. Quero dizer que eles não tem nada frívolo. Uma calma particular, um foco.

AvK: Você pensa em relações de gênero quando você está escrevendo suas letras?
LDR: 
Não. Eu acredito que a relação entre homem e mulher muda em todas as décadas, de qualquer jeito. Em última análise, uma relação ainda depende principalmente dos valores morais e as tradições de ambos os parceiros.

AvK: Você está preocupada com o feminismo?
LDR: 
Eu me sinto pouco conectada a isso. Eu nem sei o que está acontecendo relacionado a isso. Eu não poderia dizer quem é a feminista mais proeminente ou o que ela pensa sobre mim. Se eu pudesse adivinhar, eu diria que ela não gosta de mim, porque ela entende algo errado.

AvK: A dimensão política entre o homem e a mulher não te interessa?
LDR: 
Não. Na verdade, eu tenho opiniões políticas mas elas não são a respeito da relação entre gêneros.

AvK: Quais são suas opiniões políticas?
LDR: 
Eu diria que eu tenho tendências conservadoras com desejos de esquerda. Tenho valores morais tradicionais, mas um estilo de vida não tradicional. Eu me sinto em meio termo.

AvK: Na Alemanha é frequentemente discutido sobre o que o movimento de emancipação faz desejar. Há terapeutas de relacionamento que dizem que homens gentis e simpáticos não são, de uma maneira erótica, muito emocionantes para mulheres. Nas suas musicas também, os homens são aqueles caras que dirigem carros e pegam mulheres?
LDR: 
Isso é verdade. Ainda assim, tenho duas respostas. Na minha vida sempre tem sido eu que tomo iniciativa. Estava sentindo falta de modelos e ajuda especialmente em relação a como eu poderia viver meus interesses criativos ou até mesmo transformá-los em uma carreira. Os encontros com homens que talvez não fossem particularmente criativos mas tinham certo controle me fizeram muito bem. E isso foi bom porque alguns daqueles homens assumiram coisas de carreira para mim. Foi bom não fazer tudo isso sozinha. Eles eram “os caras”.

AvK: E a segunda resposta?
LDR: 
Por outro lado, eu gosto quando homens são empáticos, claro.

AvK: Você não acha que isso não soa nada sexy?
LDR: 
Não, nem um pouco. Mas eles deveriam saber o que querem. Eles não precisam de maneira nenhuma ser bem-sucedidos em todos os objetivos que querem alcançar, mas eles precisam saber a direção certa.  Os homens em minhas canções não são dominantes, mas sim, confiantes.

AvK: Suas músicas também falam muito sobre paixão, mas às vezes tem-se a sensação de que você gostaria de invocar isto. Estamos vivendo em tempos sem paixão?
LDR: 
Eu acho que muitas pessoas na verdade tem paixão pelo o que fazem. Mas o que as pessoas consideram como grande e desejável muitas vezes não faz sentido pra mim. Porém, sou uma sonhadora. Minha paixão é a minha imaginação. Uma parte de mim está sonhando o tempo inteiro. Se as pessoas não têm isso eu não consigo entendê-las. Eu preciso disso. Minha imaginação faz minha vida mais profunda, mais colorida. É como Tecnicolor.

AvK: Soa lindo.
LDR: 
É uma benção. Porque quanto mais velho ficamos, mais as cores da nossa vida se desbotam. Especialmente para artistas, isso é uma dificuldade. Escrever está ficando mais difícil pra mim.

AvK: Às vezes você tem medo de perder sua criatividade?
LDR: 
Eu não tenho medo disso, mas temo não ter tempo o suficiente para fazer as experiências necessárias para minha música. Agora é mais difícil do que era há 10 anos atrás, não é mais uma experiência tão fluente. Eu não estou mais compondo músicas inconscientemente o tempo inteiro. Eu tenho que fazer algo o tempo todo, às vezes me sinto limitada.

AvK: De onde vem a tristeza em suas músicas?
LDR: 
Ela emerge do sentimento de ser outro tipo de ser humano diferente da maioria das pessoas que conheço. Eu estou isolada por causa da minha experiência de mundo. Eu me sinto bem sozinha…não solitária, mas sozinha.

AvK: Você gosta de musicas alegres? Como por exemplo, quando está tocando “Happy” no radio?
LDR: 
Não.

AvK: A felicidade é superestimada?
LDR: 
Não, absolutamente não. Esse é meu maior sonho. É maravilhoso ser feliz. Eu realmente gostaria de ser feliz! Mas se você tem uma família enorme, se você trabalha com várias pessoas… Você deseja a todos que seus sonhos se tornem realidade. Ao mesmo tempo, é difícil satisfazer as necessidades de cada um. Então quando pessoas ao meu redor tem problemas, é impossível para mim ser feliz.

AvK: Sua simpatia dificulta sua felicidade?
LDR: 
Sou muito empática. Se você estivesse infeliz agora eu me sentiria infeliz por você. Claro, eu tenho meus limites, mas sou uma pessoa muito emocional. Quero ajudar todo mundo. Na verdade, você pode ajudar a maioria das pessoas. O conhecimento de que isso é possível – que você pode realmente ajudar as pessoas – naturalmente torna a vida mais difícil novamente.

AvK: Então, o que te faz feliz?
LDR: 
Eu acho que ser feliz é um processo bastante complicado. É um desafio que venho trabalhado a minha vida inteira. Mas é claro que há coisas que me deixam contente. Eu amo dirigir. Eu gosto de água, eu gosto do Pacífico, por isso me mudei para a Califórnia. Eu gosto de ver pessoas. Eu gosto de ir em shows, amo Rock’n’Roll . Sobre essas coisas, sou bem simples. Café. Cigarros. Eu gosto do ar de fim de tarde. Huge Gardens em Los Angeles.

AvK: Existe um tempo no qual você gostaria de viver?
LDR: 
Os anos 70 soam maravilhosos, eu acho. Liberdade, amor livre. Os alucinógenos. A ideia de abrir a consciência de uma pessoa, mudar a sua neurologia. Eu gosto de Timothy Leary e o conceito de ser capaz de escrever um livro inteiro em uma noite sob efeito de anfetamina. Viajar pela América de carona. Eu gosto da liberdade que esta época encarna em mim. Eu não estava lá, eu não sei se foi realmente assim.

 

Por Alard von Kittlitz
Tradução por Kassia Lasarino

 

Confira em nossa galeria os scans da revista:


Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
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  • Gabriel

    AvK: Você gosta de musicas alegres? Como por exemplo, quando está tocando “Happy” no radio?
    LDR: Não.

    • Catharina Almeida

      “Na verdade, eu queria estar morta”. hahahah

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