‘Lana Del Rey é exatamente quem ela deveria ser’, confira entrevista para a National Public Radio

por / sábado, 21 junho 2014 / Publicado emEntrevistas

Entrevista para a National Public Radio.

Lana Del Rey é um dos maiores nomes da música no momento, no mês passado concedeu uma entrevista à rádio norte americana National Public Radio, a cantora que embala vários locais ao redor do mundo, canta no novo filme da Disney “Malévola” – tudo isso vem de uma mulher que costumava ser conhecida como Lizzy Grant, e se refez em parte com um vídeo viral que virou uma sensação chamado “Video Games”.

Del Rey que estava prestes a embarcar numa turnê europeia, primeiramente,  ela falou com o Scott Simon.

Escute a versão da rádio no link e leia a versão editada da conversa abaixo.

 

Scott Simon: Allen Ginsberg foi uma influência?
Lana: Sim, ele foi – todo o lance da poesia beat (beat poetry como ela fala em Brooklyn Baby), e Vladimir Nabokov, e Walt Whitman.

Scott: A gente escuta isso na sua música, você acha?
Lana: Eu acho que o que eu realmente peguei do Ginsberg foi que você pode contar uma história por pintar imagens com palavras. E quando eu descobri que você pode ter uma profissão fazendo isso, foi eletrizante pra mim. Se tornou a minha paixão imediatamente, brincar com palavras e poesia.

Simon: Nem todo mundo acha uma boa ideia ter letras como “Ele me bateu e foi como um beijo.”
Lana: Definitivamente. Mas foi o tema da minha carreira. O meu lance é que, vindo de uma cena alternativa e cantando por nove anos, sendo basicamente invisível, eu estou tão acostumada a escrever pra mim mesma – e no fim do dia, eu faço porque sinto que tenho que fazer. Então quando estou gravando ou compondo, eu não tenho outras pessoas em mente. Não é sempre confortável pra mim, mas eu não digo o que quero.

Simon: Você pode dizer “escute a música” para responder isso, mas como é uma entrevista, o que você quer dizer em uma canção como “Ultraviolence”?
Lana: Tem muitas coisas, sério. Eu acho que uma delas é uma experiência pessoal que eu tive com uma pessoa que acreditava ter que te quebrar para te construir novamente. E apesar de não concordar com aquela mentalidade, tinha algo muito libertador em deixar ir, pra mim, com essa espécie de guru. É um pouco sobre estar apaixonado pelo ato de se render, sobre estar confuso se é uma boa ideia.

Simon: Existem pessoas que não são confortáveis com a ideia de uma mulher se rendendo.
Lana: Eu sei, eu só não me sinto desconfortável com isso. O ato de me render me coloca em diferentes mentalidades e me permite ser como um canal – poque eu não estou me agarrando a coisas, estou deixando ir, e eu me torno como um canal para a vida acontecer nos seus próprios termos. Quer dizer, talvez isso soe metafísico mas é honestamente como eu me sinto.

Simon: Quero te perguntar sobre outra música: “Pretty When You Cry”.
Lana: A maneira que você ouviu gravada é como eu improvisei. Eu inventei na hora com o meu guitarrista e deixei como estava com o baterista, e fomos pra outra canção. Como a inflexão vocal tem sua própria narrativa, não é liricamente movimentada, só que alguns momentos no tempo são significativos pra mim então os deixei como estavam, meio que intocados. O fato de eu não ter voltado e tentado cantar melhor é realmente a história dessa canção, porque é como revelar a você uma faceta minha: Eu não me importo se não é perfeita. É por isso que a canção é mais importante desse jeito do que estou falando.

Simon: Lana Del Rey é uma personagem interpretada pela Elizabeth Grant?
Lana: Não. Lana Del Rey é exatamente quem ela deveria ser: Livre o suficiente pra ser a sua própria pessoa, e exatamente quem eu sou. Eu não sou um personagem. Não sou uma caricatura minha.

Simon: Quando você tem um dom – e até as pessoas que podem ser um pouco exigentes com isso, eles pensam em você como um conteúdo lírico, parte disso é que eles acreditam que você tem um ótimo dom. Você sente que deve algo a si mesma, deve ao mundo, para continuar em bom estado e dar ao mundo algo?
Lana: Na verdade não. Eu sinto uma conexão forte com Deus e sinto meus laços com Ele. É honestamente como eu me sinto. Tudo que eu faço, eu faço por alguém que eu nunca conheci, algo além. Esse é o meu relacionamento primário, sério, com algo divino. Eu sinto uma conexão real como essa com qualquer pessoa na Terra.

 

Por Scott Simon
Traduzido por Ana Luíza Guimarães

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
Tagged under: ,
TOPO