‘Eu vivi no meu próprio mundo por muito tempo’, leia a tradução da entrevista feita pela Elle Magazine

por / sábado, 07 junho 2014 / Publicado emEntrevistas

 

Nova entrevista para a revista francesa ELLE. Na edição do mês de Junho, a revista publicou sua entrevista com Lana Del Rey para a promoção do álbum Ultraviolence. Confira abaixo a tradução na íntegra.

 

Elle: (Ultraviolence) Por que este título?
Lana: A justaposição do “Ultra” que dá uma certa ideia de luxo, e “violence” reflete bem para mim o som do álbum: tanto de rua quanto caótico, melódico e sofisticado. Ultraviolence evoca também o que tenho vivido neste tempo. Na minha vida privada, um amor sereno. Na minha vida profissional, críticas negativas contra mim…

Elle: Mas a tristeza te inspira,não?
Lana: A melancolia, mais precisamente. Aconteceram-me muitas coisas maravilhosas, mas eu tenho também muitos problemas pessoais a serem superados. Eu tenho uma grande família, genial mas complicada, eu sou responsável por meu irmão e minha irmã, que vivem comigo, e eu tenho algumas complicações ao “passar de um mundo ao outro”.

Elle: Você teve também anos traumatizantes devido aos seus problemas com álcool?
Lana: Difíceis, não traumatizantes. Você compreende, eu sou uma “buveuse-née”*. Na minha família somos todos assim, por várias gerações. Beber whisky está nos meus genes! (Risos) É algo meio louco.

Elle: Como você se sente sobre todas as críticas sobre você?
Lana:(quando fazem as críticas) eu fico desapontada. Quando lançamos um álbum, dizemos pra nós mesmos que passaremos despercebidos, que se ele for ouvido, ele será apreciado. Eu não tinha previsto que tanta gente o escutaria e falaria tão mal dele. Então eu não faço nenhuma declaração porque eu não sei o que dizer sobre isso.

Elle: Foi uma reação machista?
Lana: Não, muitos dos ataques vieram de mulheres jornalistas. Eu lhes disse que eu sabia o que elas pensavam. Isso que aconteceu comigo é sintomático do jornalismo de hoje. Os artigos tratam mais sobre a reação dos críticos ao escutar minhas canções do que sobre as canções propriamente ditas.

Elle: Talvez seja porque você goste de clichês e se aproprie deles?
Lana:Exatamente! Em entrevista, me perguntaram: “Por que você fala de Marilyn Monroe ou de Elvis? É tão clichê!” Mas eu mal os conhecia, porque eu vivi no meu próprio mundo por muito tempo. Eu tinha uma relação muito íntima com essas estrelas. Eu lia e relia suas autobiografias. Como o homem em meu clipe: é o meu tatuador, Mark Mahoney**, e qualquer um que seja muito importante para mim, que mudou minha vida. No vídeo “Tropico”, há também muitos clichês “kitsch”*** que eu assumo.

Elle: Seu visual mudou, ele está um pouco mais “rock”
Lana: Eu fui criticada e disseram que fui fabricada, enquanto eu não estava mais preparada do que qualquer garota. Então, eu disse a mim mesma que me mostrando natural, como eu sou na vida cotidiana, a confusão poderia ser menor. Ao mesmo tempo, quando eu quero provocar uma reação, eu suscito o oposto, então… (risos)

 

*”buveuse-née” seria uma “bebedora nata”, que “nasceu bebendo”
**Mark Mahoney aparece em West Coast
***Um estilo barroco

Traduzido por Mateus Santana

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
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