‘Meu coração tem um ritmo lento’, confira a entrevista feita pelo Deutsch Presse-Agentur

por / segunda-feira, 23 junho 2014 / Publicado emEntrevistas

O Deutsch Presse-Agentur, a maior agência de notícias da Alemanha, entrevistou Lana durante sua passagem por Berlim. A entrevista foi publicada no site handelsblatt.com e você pode ler a tradução completa abaixo:

Deutsch Presse-Agentur: Suas canções no Ultraviolence soam como se o tempo quase parasse. Você tem alguma função slow motion interior?
Lana: Sim, eu acho que eu tenho uma calma natural. Eu gosto de música hipnótica, mesmo que eu também goste de grunge e rock and roll. Mas eu também curto jazz. Meu coração tem um ritmo lento, eu acho.

DPA: Você se referiu à sua música como “real narco swing”. O que isso significa?
Lana: Bem, quando eu produzi o álbum com Dan Auerbach do Black Keys, o coro sempre se transformava naquele ritmo de mid-tempo e Dan achou que soava como swing, que é influenciado por drogas. Você ouve isso em “West Coast”. Tudo se transforma no surreal.

DPA: “West Coast” também fala sobre o álcool, que costumava exercer uma influência sobre você também…
Lana: Agora, quando eu estava na costa oeste eu tinha o sentimento de estar me libertando. Eu conheci pessoas que eram verdadeiros “chapas”, que viviam na praia e que se divertiam muito. Eles disseram: “Se você não está bebendo, então não está jogando”. É daí que essa frase veio. Eu não bebia, mas eu queria beber… Eu queria relaxar no oceano, na praia, no calor.

DPA: Então é um álbum que foi inspirado pelo estilo de vida da Costa Oeste dos EUA?
LanaSim, é uma homenagem ao jazz underground, àquele senso idealizado de liberdade nos anos 70, aos Eagles, aos Beach Boys e ao relaxamento e às grandes melodias daquela era.

DPA: Apesar disso, o álbum todo tem um subtom melancólico. Por quê?
Lana: Na verdade, eu tenho uma disposição bastante calma e feliz, mas tudo o que aconteceu nos últimos anos, coisas que eu não poderia afetar e controlar, elas também influenciaram o tom do álbum. Não é uma tristeza verdadeira, mas uma certa opressão (de espírito). Eu estou impressionada e às vezes até me pergunto como eu sou hábil de reter o controle. No passado, eu tinha o sentimento de que a minha vida pertencia a mim. Quando eu me tornei famosa, muitas coisas eram escritas sobre mim antes mesmo de eu ter a chance de comentar a respeito. Eu não tinha mais o sentimento de ser “a motorista”, apenas de sentar no banco de trás. Sucesso e reconhecimento na verdade são algo doce, mas as circunstâncias estragaram muito disso.

DPA: Então o sucesso tem um lado escuro?
Lana: Não para todos. Mas para mim não parecia tão bom. Os elogios eram ambíguos. As reviews pareciam boas, mas tinham adjetivos negativos nelas. Era estranho.

DPA: Alguns artistas apenas encolheriam seus ombros e diriam: “Eu não me importo com o que eles estão escrevendo sobre mim…”
Lana: Mas sobre muitos outros artistas, esses jornalistas não escrevem coisas tão pessoais. Mas quando é sobre a sua família, sobre coisas como o seu estado mental, suas saúde e sua vida privada, não é tão fácil ignorar. Não é possível simpatizar antes que você tenha experimentado como você se sente se alguém diz aos outros como você supostamente é, mas não é totalmente verdade.

DPA: Você diz que se inspira em conhecer pessoas. Mas isso é difícil quando você não tem certeza que você pode ser franca.
Lana: Eu também quero ser franca nas entrevistas, mas eu já passei por essas más experiências. As coisas são frequentemente distorcidas. Quando eu digo que eu gosto de uma música dos anos 50, muitos interpretam isso como uma referências a Hollywood e a coisas elegantes. Mas isso não é necessariamente verdadeiro. Eu gosto das músicas do Elvis (Presley), mas não automaticamente da pessoa.

DPA: Então vamos deixar a música falar conosco. O álbum todo soa muito hinário, como uma grande orquestra…
Lana: Eu tenho um fundo bastante alternativo, mas eu não me restrinjo. Quando eu já escrevi uma variedade de músicas, então todas elas tem uma certa referência – à beleza ou a Deus. Bem, para mim, pessoalmente, Deus não é importante, mas talvez a grandeza que há por trás de tudo. Estou feliz que você o escolheu.

DPA: Parece que você poderia cantar tudo. Todas as letras – até mesmo palavras que outros artistas jamais diriam ou até mesmo pensariam em usar….
Lana: Exatamente! (Risos)

DPA: Mas elas acabam não soando tão agressivas…
Lana: Nas entrevistas, eu geralmente tenho esse problema que eu quero responder honestamente, mas eu não me atrevo… É similar às músicas que eu não quero expressar algumas coisas diretamente. Então eu uso alusões e metafóras, por exemplo, quando se trata de coisas autobiográficas. Antigamente, eu costumava ver minhas canções mais como um diário e eu também expressava coisas que podem ter sido inapropriadas ou politicamente incorretas.

DPA: Na Alemanha, o título da canção “Fucked My Way Up To The Top” é escrito na sua forma completa, enquanto que nos EUA geralmente há asteriscos ao invés da palavra com F…
LanaÉ engraçado, na Europa você é mais livre, aqui é mais tipo “viva e deixe viver”

DPA: Você diz que está documentando ou sonhando algo em suas músicas. Agora você está alcançando coisas mais sérias como viver em um culto…
Lana: Você quer saber se isso é verdade?

DPA: Isso seria um pouco chato. Talvez eu deva perguntar isso desta forma: Quanto esse período da sua vida influenciou sua evolução artística?
Lana: Eu prefiro essa questão também. Foi um período. Eu estava procurando por pessoas que eram como eu, mas também por pessoas que pareciam estar conectadas com coisas maiores como o sobrenatural. Eu fui influenciada por pessoas visionárias. Eu queria mais do que apenas escrever e viver de um dia para o outro. Mas eu descobri que isso não funcionava para mim. Eu pensei que poderia conviver com os outros, como em uma comunidade idealista de artistas, na qual um inspira ao outro.

DPA: Mas artistas sempre tem de procurar por algo novo. É por isso também que muitos são tão receptivos ao álcool e outras drogas.
Lana: Absolutamente. Isso depende de quem você é e como você é experimentalmente inclinado. Eu sempre quis experimentar, aproveitar ao máximo minha vida e experimentar tudo. Mas eu decidi ser contra as drogas e eu estou tentando me beneficiar de encontros com pessoas energéticas. Isso é meio selvagem às vezes.

DPA: Conhecer pessoas também é muito mais saudável do que experimentar drogas.
Lana: Sim, eu também acho! (Risos)

Essas duas partes são matérias da mesma agência de notícias que fez a entrevista anterior, mas parece que elas são outtakes, restos da entrevista principal. Confiram:

1º (sobre eras passadas)
A cantora norte-americana Lana Del Rey poderia muito bem se imaginar vivendo em tempos passados. “Os anos 60 e 70 teriam sido adequados para mim em termos de experimentar novas coisas. Não estou desejando viver em outra era, mas estou interessada nisso.

Muitas coisas ainda costumavam ser novas antigamente, diz a jovem de 28 anos: “O rock and roll nasceu, o jazz e o blues estavam se desenvolvendo… e a América ainda tinha esperança. Havia a promessa de uma nova e entusiástica era graças à Kennedy“. Para ela, como uma artista, é difícil as vezes lidar com os tempos modernos, ela enfatiza: “Todo mundo já experimentou tudo, tudo já foi feito“. É por isso que não é tão fácil achar um lugar próprio como artista.

2ª (sobre futebol e uma tourada)
A cantora norte-americana Lana Del Rey acha que é legal que o futebol se tornou famoso recentemente nos Estados Unidos.
Quando eu estou em Nova York, eu passo muito tempo com os meus amigos e as suas famílias que são originárias da Itália. E eles são fanáticos por futebol! Os outros americanos descobriram só recentemente o futebol, mas eles realmente gostam disso.
Ela realmente gostaria de ser parte de uma transmissão pública de uma partida: “Eu gosto da energia que vem de uma multidão de pessoas. Eu gosto de estar no meio disso“. Na Espanha, certa vez, ela foi à uma tourada: “Embora foi assustador e nós tenhamos ido embora antes do final da luta, foi impressionante. A arena toda estava se agitando como o meio de uma onda.

 

Traduzido por Robert Sales

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
Tagged under:
TOPO