‘Eu acho difícil quando perco controle das coisas’, leia a entrevista concedida ao site norueguês Dagbladet

por / domingo, 15 junho 2014 / Publicado emEntrevistas

Dagbladet

 

Lana concedeu uma entrevista ao site norueguês Dagbladet e falou sobre seu novo álbum, carreira e muito mais. Confira a tradução:

 

Lana Del Rey para Dagbladet: “Isso me deixa tão irritada”
Entenda a declaração surpreendente.

 

Sobre a performance em Bergen

Foi incrível. Totalmente incrível. São duas da manhã e Lana Del Rey (27), está relaxada e eufórica ao mesmo tempo. Dagbladet falou com ela uma hora depois da performance em Bergen. Ela já concluiu que o concerto de hoje a noite foi um dos mais memoráveis.

Eu tive esse sentimento de que não importava se eu cantasse Jazz ou um de meus novos singles, as pessoas estariam lá comigo, e elas tem um bom entendimento de quem eu sou“.

 

O Álbum

A garota de New York arrebatou o mundo com sua tempestade de melancolia quando lançou seu álbum de estúdio “Born to Die“. há dois anos. Segunda-feira ela lançou seu novo álbum, “Ultraviolence“, produzido por Dan Auerbach, vocalista do The Black Keys, o produtor premiado britânico Paul Epworth, entre outros, e que foi gravado ao vivo em Nashville.

Tanto VG quanto Dagbladet deram ao Ultraviolence nota 5. Lana descreve o álbum como uma mistura dos psicodélicos anos 70, West Coast fusion e Jazz underground. Ela diz que “Born To Die” foi, em muitos aspectos, autobiográfico, mas ela não estava tão interessada ​​em documentar tudo o que aconteceu nos últimos anos de sua vida no “Ultraviolence“.

Consegui de alguma maneira dizer o que eu queria com “Born To Die” e senti que era importante documentar a minha vida no momento. Eu não sou mais tão formal, agora eu me sinto espontânea. É mais sobre momentos que me influenciaram, ruins e bons.

 

Resposta sarcástica

Thea Steen:  Você canta sobre dinheiro, bebida, poder e transar até seu caminho para o topo…?
Lana Del Rey: Tudo que eu canto é uma combinação de coisas que aconteceram. Money Power Glory, por exemplo, é como as pessoas me interpretavam e me entendiam de forma errada. É uma resposta sarcástica para isso. West Coast e Cruel World estão conectadas com a empolgação que sinto quando estou na costa oeste, onde eu moro agora que me mudei de Nova Iorque. Tudo é sobre como os outros me veem, e como isso me afetou.

TS: Em outras palavras, você está confrontando o preconceito que sofreu?
LDR: Sim, essa é a minha resposta. Eu me senti bem sarcástica quando escrevi algumas dessas músicas, diz ela e ri.

 

Circunstâncias Desagradáveis

Ela consegue rir, apesar de como a mídia a tenha pintado com imagens tristes e pesadas. A garota de 27, cujo nome real é Elizabeth Grant, previamente contou a história de como foi mandada para a reabilitação por causa do álcool. Também do culto de que ela fazia parte e pelo qual foi explorada. E dos muitos namorados rockeiros dela.

TS: Sem mencionar que você parece sem sombra dúvidas triste em muitas de suas músicas. Mas você está?
LDR: Depende. Eu realmente não sei porque tudo tem que soar agridoce. Eu tenho me sentido calma e em paz enquanto escrevo hoje em dia, me espelhando em experiências que eu tive. Eu era sarcástica, desapontada com questões pessoais em minha vida e em como ela tem sido. Mas de uma maneira mais reflexiva do que triste desta vez.

TS: Você precisa estar triste para fazer suas músicas?
LDR: Não, eu não acho que seja assim. Eu penso que tenho sido desafortunada com as situações, e que isso afetou minhas letras. Eu estou em um estado de paz agora, mas eu não tenho estado exatamente muito feliz há algum tempo.

Talvez até pareça que Lana Del Rey coloca mais lenha na fogueira. Não muito tempo atrás ela disse que se sentia doente, sem saber o porquê. E aí nós temos a citação que se tornou global desde que foi publicada pelo The Guardian: “Eu queria estar morta.”

TS: O que você quis dizer com isso?
LDR: Essa é outra forma de sensacionalizar o que eu digo. Isso me deixa tão irritada. Eu falei com o entrevistador por três horas, e ele viu meu show. Quando você está em um lugar com uma pessoa não é apenas o que você fala, mas também é sobre a sua personalidade e como você é como pessoa. É ler nas entrelinhas. Eu não entendo porque ele sentiu a necessidade de levar tão a sério, ser tão literal.
Para completar ele me fez várias perguntas sobre o assunto. Ele falava sobre Kurt Kobain e Amy Winehouse, me perguntou muito sobre morte e me pressionou por respostas e como eu me sentia sobre morrer jovem, porque eu estava triste e passei por muita coisa.
Ele queria saber se eu tinha pensamentos sobre morte, e sim, às vezes eu tenho. Mas não sempre. Só naqueles dias em que tudo parece ‘demais’. E então tenho dias que isso me afeta menos. O jeito que ele escreveu fez tudo parecer muito mais dramático do que realmente foi.

 

Alegremente ao volante

Então Lana Del Rey não está triste o tempo todo, caso alguém tinha essa ideia. Ele se sente no seu melhor estado quando está passeando na Califórnia, onde vive atualmente.

Eu passo muito tempo perto do mar, na praia, com bons amigos. Eu amo gravar minha música. E ir em concertos, assistir estrelas do rock, tais como Courtney Love, The Who e Gun’s and Roses

TS: Você sente que a mídia se prende muito a esse seu lado triste?
LDR: Um pouco. É também estar obcecado com um conceito de uma pessoa. É por isso que eu escolhi algumas das músicas que estão no Ultraviolence. Mas eu entendo, o jeito que fazem. Faz uma boa história, mas também não precisa ser ficcional.

 

Sensível e imaginativa  

TS: Como é ser você?
LDR: É lindo e confuso, responde Del Rey, após pensar em silêncio. Logo ela elabora: Eu sou uma pessoa imaginativa, eu gosto de ser pega de surpresa na vida. Mas eu sou sensível demais. Eu acho difícil quando perco controle das coisas.
Mas eu consigo aproveitar os verdadeiros e belos momentos, como estar aqui hoje a noite, enquanto ainda é claro lá fora e o céu azul. Eu gosto de capturar isso em músicas, minha maior paixão ainda é escrever. É bom para manifestar aquilo que me perturba, toda aquela confusão dá origem a coisas lindas. Eu sou abençoada por ter isso para ‘me segurar’.

TS: Você é grata?
LDR: Eu sou. Quando tudo acontece, é tudo sobre a música. Essa é a única coisa na minha vida que não posso fazer errado.

 

Por Thea Steen
Traduzido por Lucas Pagnozzi e Mateus Santana

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
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