‘Não glamourizo a morte ou o suicídio’, leia a entrevista concedida ao site Aftonbladet.se

por / quinta-feira, 26 junho 2014 / Publicado emEntrevistas

Aftonbladet

 

“Não quero glamourizar a morte”
Lana Del Rey em uma grande entrevistas sobre desejos de morte, seu namoro e porque mudou de nome


Ela apaga seu cigarro um pouco bruscamente.
“Sim, às vezes eu queria estar morta, mas não glamourizo a morte ou o suicídio.”

Lana se desculpa, se levanta e começa a mexer na máquina de expresso em sua suíte.
Desculpa, não consigo ser entrevistada sem meu café. Continue falando. Estou escutando.

Markus Larson e Lana Del Rey

Markus Larson: Sempre me questionei porquê você criou a personagem Lana Del Rey.
Lana Del Rey: Bom, não é uma personagem. É um nome diferente. Sempre achei que o jeito que nascemos com um nome, uma localização geográfica e uma família dificulta a escolha de quem você quer ser. Ao escolher um novo nome, me senti mais livre para ser exatamente o que sou. As pessoas parecem pensar que, quando estou no palco, sou uma pessoa, e quando estou fora dele, sou outra, mas eu penso de forma diferente.

ML: Eu pensava que era como um projeto artístico, como o personagem Ziggy Stardust [de David Bowie].
LDR: Sim, as pessoas pensam isso, mas na verdade é só um nome diferente. Ficou mais fácil para eu expressar uma estética muito clara que eu adoro.

ML: Então qual é a inspiração para sua estética?
LDR: Todas as coisas obscuras e bonitas. Tudo que eu amo, tudo pelo que passei, tudo que quis fazer. Minha história e minhas músicas.

ML: Você parece interessada na beleza obscura e no desespero.
LDR: Já tive desespero e luto em minha vida. Nos últimos quatro anos, jornalistas têm me questionado sobre morte, ícones e minha personagem. Minhas depressões e experiências foram mal-interpretadas como uma necessidade de ser obscura. Na realidade, nem é meu jeito favorito de se viver. Adoro quando as coisas dão certo. Qualquer pessoa que me conhece sabe disso.

ML: Mas e a entrevista ao The Guardian?
LDR: Para começar, não estou nada feliz com aquela entrevista.

ML: Bom, eu sei, e você deixou isso bem claro no Twitter. Mas o que você quis dizer com “Eu queria estar morta”?
LDR: Bom, primeiramente… As perguntas… Às vezes eu desejo estar morta. Já passei por muita coisa. E sim, às vezes eu queria estar morta. Mas o Guardian fez parecer com que eu fosse obcecada por morte e pelo seu glamour. Minha depressão eventual não tem nada a ver com o suicídio de outras pessoas.

ML: Deve ter sido surreal quando a filha de seu ídolo Kurt Cobain, Frances Bean Cobain, a criticou no Twitter.
LDR: Ela estava dizendo para eu não glamourizar a morte, e eu respondi, e nunca respondo a ninguém, mas respondi e disse que eu não glamourizo a morte. Eu nem ao menos canto sobre morte, com exceção da música “Born to Die”. Eu canto sobre relacionamentos. É injusto que aquela manchete do Guardian tenha afetado as pessoas desta forma. Esse é o problema com o artigo.

ML: Seu computador foi hackeado há dois anos e 211 músicas foram roubadas, entre outras coisas.
LDR: Sim, alguém acessou meu HD enquanto eu estava ficando em um hotel. As músicas são uma das milhões de coisas que foram roubadas.

ML: Eu estaria devastado.
LDR: Sim, pelo fato de que alguém está lhe observando. Saber que você nunca terá o luxo da discrição. Esses tipos de crimes nunca vão parar.

ML: Não há nenhuma ação legal que você possa tomar, processar alguém?
LDR: Mesmo que a pessoa que começou fosse pega, ela passou para outras 40 pessoas, então a informação ainda está por aí.

ML: Sua vida é sempre transformada em manchetes. Como os recentes rumores de seu namoro. Foi dito que vocês tinham terminado, mas agora fiquei sabendo que seu namorado Barrie James O’Neill disse ao TMZ que é besteira.
LDR: Quer dizer… Eu… Eu não costumava falar publicamente sobre minhas relações. Porque as coisas mudam o tempo todo. Mas depois de ficar sem vê-lo por vários meses e as pessoas me perguntarem sobre ele, apenas disse que não estamos juntos no momento.E quando ele chegou em Los Angeles hoje, encontrou com o TMZ e acho que ele não sabia o que dizer. Às vezes não é real até alguém estar com uma câmera lhe questionando sobre.

ML: Tudo bem, parece meio confuso. Bom, vamos falar sobre música…
LDR: Tudo bem, eu entendo.

ML: De volta à música. Então… Vocês estão ou não juntos?
LDR: [Lana basicamente se contorce rindo muito alto] Meu deus, isso foi muito engraçado!

ML: Desculpe, estava apenas brincando. Por que você menciona a música controversa do The Crystal “He hit me and it felt like a kiss” na música-título de seu álbum?
LDR: Sei que as pessoas tem opiniões diferentes sobre essa música. E elas têm todo o direito. Sempre utilizo elementos autobiográficos. Misturado com qualquer coisa que eu possa usar como uma insinuação ao invés de dizer algo diretamente. Para mim, a composição vem primeiro. Nunca senti a necessidade de me censurar.

ML: Hmm, o que você está querendo dizer? Que esteve em relações abusivas?
LDR: Essa é uma ótima pergunta. Não gosto de falar dessa música, e não acho que falarei. Não sei o que dizer.

ML: Por que você decidiu fazer um cover de “The Other Woman”, de Jessie Mae Robinson?
LDR: Primeiramente, é uma música jazz, um cover de Nina Simone, ela é minha favorita. Sinto que o Ultraviolence tem um clima jazz, tons de tristeza, tons frios. Sou uma grande fã de jazz. Billie Holiday, Nina Simone, as cantoras, sabe?

ML: O que você roubou delas, como compositora?
LDR: Para começar, sou apenas fã. Mas percebi logo no início que tinha uma inclinação para cantar músicas em um tom mais grave com uma nota de tristeza. Elas são minhas influências. Assim como The Eagles e The Beach Boys.

ML: Músicas lindas com um black heart (coração negro).
LDR: Sim, Dark Heart será o nome do meu próximo álbum. [risos]

 

Publicada no portal do Reino Unido aftonbladet.se
Por Markus Larson
Traduzido por Lucas Almeida

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
  • Isabel Nascimento

    queria ✰ morta

TOPO