ANÁLISE | Confira análise faixa a faixa do álbum Born To Die, de Lana Del Rey

por / sábado, 01 fevereiro 2014 / Publicado emAnálises, Colunas

BORN-TO-DIE

O segundo album de Lana Del Rey e o que finalmente a levou ao mundo da fama, moldou o novo estilo de suas cancões, criando sua imagem de pin-up melancólica. A aceitação não só do publico como também da critica levou seus singles a diversas listas como número 1, e marcou a voz da cantora definitivamente no mundo da musica.

1. Born To Die:

Born to Die, primeira faixa e música que dá nome ao CD, talvez seja a principal canção de Lana exatamente por esses motivos. Com a melodia composta por elementos de orquestra, vocais baixos e uma letra que mescla o lado selvagem com o lado depressivo de Del Rey, possuindo um tom bem sombrio.

A letra fala sobre um relacionamento que está chegando ao fim, mas a personagem, apesar de saber desde o inicio que a relação não duraria para sempre, não quer aceitar o fim e suplica o tempo todo para que seu amado continue com ela. É possível concluir também que o casal vivia um amor selvagem, pois ela usa argumentos selvagens em suas suplicas. Segundo Lana, Born to Die é uma “homenagem ao amor verdadeiro e um tributo para viver a vida no lado selvagem” exatamente as duas coisas mais presentes na música: o amor e a radicalidade.

O clipe segue a música de uma forma perfeita, pois mostra a alegria do casal e depois a tristeza seguida pela morte que simboliza o fim do relacionamento. A melodia completa o tom melancólico da letra, por ser assombrada durante toda a canção.

Born to Die é uma canção de amor, mas que não mostra exatamente seu lado positivo, e sim o lado psicótico causado pelo fim forçado do sentimento. É uma música bem característica da nossa diva e, sem dúvida, uma das melhores.

2. Off to the Races:

Amor ou ousadia? Ambos! Off to the Races, a segunda e a mais longa canção do álbum e é uma mescla perfeita de amor e audácia. O lado arrojado da letra é totalmente acompanhado pela melodia que nem quando diminui o ritmo possui alguma ponta de romantismo.

A letra descreve um amor louco, em partes até sofrido, mas muito destemido e impetuoso. A melodia dá uma emoção perfeitamente sincronizada a esse amor selvagem, ela cresce e diminui de forma a acompanhar a letra a todo momento. A voz da Lana é muito valorizada nessa canção e é uma peça que auxilia de forma fundamental a melodia, pois ela se alterna em graves e agudos de acordo com a letra e ao mesmo tempo acompanhando o ritmo. A terceira parte da música é acompanhada por violionos e contém a parte mais empolgante da letra, marcada por uma declaração de amor maravilhosa que fica sofrida com a batida, mas no final se torna um pouco dançante com o aumento repentino na melodia.

Off to the Races é um enorme exemplo de sincronia perfeita, é um conjunto de letra e melodia incríveis e excessivamente emocionantes. Para mim, essa música pode ser descrita com seu ultimo verso “you are my one true love”, pois traz tantas emoções que consegue ser a minha preferida do CD. OFTTD é todo amor e ousadia da nossa Queen of Coney Island reunidos!

3. Blue Jeans:

Blue Jeans, assim como uma grande parte das canções de Lana, representa um amor intenso, insano e perigoso. Porém, a faixa pode ser colocada na lista das canções mais intensas e complexas da cantora, por deixar tão claro e ao mesmo tempo tão confuso e polêmicos os fatos da letra, e por encaixar uma melodia minimalista composta por instrumentos clássicos em uma música de porte gangster, criando uma perfeita e paradoxa montagem.

A letra indica uma possível morte do amado, que vivia uma vida perigosa, provavelmente marcada por crimes e drogas, e a personagem não o queria mais nessa vida. A composição deixa claro que ela insistia para que ele saísse dessa vida mas ele resistia, e em alguma de suas aventuras ele se foi. Apesar de clara, a cronologia da musica é bastante polêmica, pois deixa outros possíveis acontecimentos em suas entrelinhas. A melodia é totalmente focada na tristeza da letra, seus elementos clássicos e recatados se tornam grandiosos com a intensidade das técnicas vocais usadas por Lana.

A voz e a batida se unem perfeitamente e mantém uma linha que vai de triste a desesperada durante toda a música. O clipe é inteiramente baseado nos sentimentos da personagem. Ele mostra o rapaz tentando matá-la na piscina e crocodilos em volta dela representando-o, demonstrando que a morte dele está acabando com ele e que, de certa forma, ele tem um pouco de culpa por isso, pois se negou a sair da vida que ela implorava para ele deixar.

Blue Jeans é tanto selvagem como pura e transborda intensidade em cada nota e verso. É uma canção muito bem estruturada e que transmite de um modo incrível o sentimento recluso em suas linhas.

4. Video Games:

Video Games, a quarta canção do Born To Die e melodicamente e tematicamente a representação perfeita de Lana, como ela mesmo disse, pode ser considerada como a tradução do estilo de todo o CD. O primeiro single da nossa queen possui tanto o sadcore presente na maioria das canções como o estilo gangsta também mesclado em suas composições, além de não deixar de lado o romance.

A faixa é marcada por um enorme paradoxo entre a letra e a melodia, a canção contém uma batida clássica e suave composta por harpas para uma letra que fala sobre simples fatos cotidianos, essa contradição dá à música um tom muito puro. Del Rey já disse em entrevista que escreveu observando um antigo namorado jogar vídeo-game, um evento meramente cotidiano, e a melodia dá à simplicidade da letra um tom grandioso e emocional, por ser elegante. É uma música que idealiza a vida e o amor, pois engrandece o anfêmero e a paixão presente nele. O clipe segue perfeitamente a linha da canção, pois mostra coisas simples e foi feito de forma simples, com imagens gravadas em uma web cam.

Video Games é uma canção esteticamente complexa mas guarda uma pureza sem igual em suas entranhas.

5. Diet Mountain Dew:

“You’re not good for me, baby you’re not good for me…” Diet Mountain Dew, a quinta canção do Born To Die, se trata de uma composição excepcionalmente comparativa onde Lana usa um refrigerante para descrever todo seu relacionamento maléfico. A música fala de uma relação que nunca daria certo pelo comportamento do rapaz, que parece ser um cara bom mas na verdade é terrível, assim como o Diet Mountain Dew que é gostoso mas não faz bem.

Durante toda a canção a personagem demonstra ter certeza de que seu amado não é bom para ela, desenrolando motivos figurados em alguns versos. Mas, ao mesmo tempo, ela também mostra não estar se importando com esse fato, fechando os olhos para os problemas e insistindo na relação que a faz feliz, apesar de não fazer bem.

A melodia não se prende muito à letra, não influenciando diretamente em seu sentido e se focando mais apenas na musicalidade da canção. DMD não possui de fato uma letra que dependa da melodia para completar sua personalidade. Sua batida apenas ilustra a despreocupação da personagem em relação aos problemas do relacionamento.

A faixa é charmosa por ser óbvia e ao mesmo tempo tão complexa, pois conta o óbvio de um modo “floreadamente figurado”. Sua letra é carregada de entrelinhas em cada verso. Diet Mountain Dew é mais letra que melodia, mas nem por isso deixa de formar um conjunto perfeito de letra+batida que forma essa canção fascinante e paradoxa, ora objetiva ora figurada.

6. National Anthem:

“Money is the anthem of success. So before we go out, what’s your address?” Violinos e fogos de artifício. São os componentes da sexta faixa do Born To Die: National Anthem. A música foi alvo de diversas críticas, mas entre todas elas fico com a do Bill Lamb do site About.com que disse “a letra da música parece estar perdida em uma mistura confusa de dinheiro, sexo e ganância corporativa, mas é o arranjo excitante e gracioso que solidifica o ponto de vista da canção como uma crítica inteligente a uma sociedade que é tão confusa como estas palavras”.

Bill interpreta a letra de um jeito sociológico que é totalmente revelado no clipe e na melodia. National Anthem tem a batida composta por uma mistura de música clássica com hip hop, o que pode ser visto como a mescla do ghetto com a nobreza americana, refletida no clipe onde encontramos o presidente Kennedy sendo representado por um negro.

A canção procura criticar os escrúpulos da alta sociedade e revelar as falhas de seus componentes pela mesma mistura confusa que Lamb cita “dinheiro, sexo e ganância”. Outro ponto importante na estética melódia da música é que Lana não deixa de lado o Sadcore presente em grande parte do CD, mesmo com a forte presença do hip hop. Além disso há um áspero jogo de timbres durante a música, composto por ironias e sussurros, que acompanham perfeitamente a letra e ajudam a formatar a melodia.

National Anthem com certeza pode ser dita uma das canções mais influentes do disco, tanto pela letra com pela melodia marcante.

7. Dark Paradise:

Dark Paradise é uma das canções que mais abriga o lado sadcore do Born To Die, “Del Rey, mais uma vez declara seu amor eterno para seu amante bad-boy” como disse à Billboard. A musica sugere praticamente o mesmo que as outras do lado melancólico do álbum, falando que o amor é mais forte que qualquer outra coisa. Nessa letra em especial, ele é mais forte que a morte, pois consegue superá-la.

A faixa descreve a situação da personagem após a morte de seu amado. Ela não consegue e nem quer seguir em frente sem ele, então prefere a morte a ter que viver só, pois, por mais que ela consiga vê-lo em seus sonhos, não é a mesma coisa e, de certa forma, isso a faz sofrer ainda mais, pois a ilude, é como um paraíso sombrio poder vê-lo apenas em seus sonhos. Ao mesmo tempo que esse é o tema principal da música, outro dilema é levantado: ela não sabe se ele estará esperando por ela do outro lado, ou seja, ela tem medo do suicídio, apesar de querê-lo.

A composição levanta clássicos dilemas do sadcore de Del Rey. A melodia também segue o mesmo ritmo de abatimento, sendo composta por batidas melancólicas de bateria, piano e guitarra. Porém mesmo sendo fruto inegável das entranhas do Born To Die, Dark Paradise tem seu charme, pois a melodia não se resume só ao sadcore, contendo sua parte impactante.

A musicalidade da canção parece não querer deixá-la cair apenas na tristeza, despertando de repente, em alguns momentos, batidas um pouco mais sintetizantes e aceleradas. Essa técnica pode fugir um pouco da linha da letra, mas num todo, se encaixa a ela dando-a um tom mais poético. Concluímos assim, Dark Paradise transmite, além do que a composição pretende, todo seu ponto artístico.

Além de música, é poesia com pedaços cinematográficos, que mixa a intensidade com a arte num conjunto paradoxalmente complexo. É sem duvidas uma joia rara que pode ser dita, com toda certeza, uma das melhores do álbum.

8. Radio:

Radio, a oitava faixa do álbum, segue a mesma linha melódica de todas as canções do disco, porém, é uma canção de duas faces. Andrew Hampp da Billboard estava com toda razão quando disse que “é difícil dizer se ela está cantando sobre a fama ou sobre um homem” porque a letra remete aos dois lados. Mas, analisando o conjunto letra e melodia é possível entender que o real assunto é mesmo a fama.

A abertura lenta e a voz calma e grave da Lana introduzem perfeitamente os primeiros versos que são fechados pela entrada dos instrumentos e pelo impacto do verso final da estrofe “boy I’ve been raised from the dead”. Esse primeiro momento remete ao começo da vida célebre. A segunda estrofe, já mais ritmada, é mais objetiva, entrega o tema da canção com bem mais clareza e isso continua no primeiro momento do refrão “now my life is sweet like cinnamon, like a fucking dream I’m living in”. Essa parte seria a revelação de que a protagonista conseguiu a fama e está apaixonada pela sua nova vida. A segunda parte do refrão readquire a subjetividade do princípio e é o ápice da duplicidade da canção, pois é o momento em que os ouvintes se pegam pensando sobre qual é mesmo o tema da música sem saber se os versos são literais ou figurados “lick me up and take me like vitamin, ’cause my body’s sweet like sugar venom oh yeah”.

A segunda parte da canção vem com a mesma estética da primeira, a não ser pelos momentos badalantes que dão a essência musical e retratam o desfecho. Consideramos assim, Radio como uma canção autobiográfica do disco, pois se trata da cantora contando sobre a fama, pode ser que seja um desabafo ou uma revelação. É realmente como disse Lindsay Zoladz “é uma simples declaração de propósito”.

9. Carmen:

Carmen, a nona canção do Born To Die, é uma das músicas mais autobiográficas do álbum. Nessa canção, Lana retrata o seu problema com o álcool na adolescência usando metáforas, e a personagem Carmen é a maior delas, pois ela representa Lana Del Rey.

Durante toda a letra, Del Rey fala sobre uma menina que tenta se enganar, mentindo para si mesma sobre seus próprios problemas para continuar com a sua impressionante postura relaxada e charmosa. Em um breve tour pela letra, é possível perceber que logo na primeira estrofe Lana já deixa bem claro essa personalidade obscura de Carmen, mas logo depois, na ponte para o refrão, ela revela todos os segredos da personagem, que admite viver uma mentira e revela os malefícios do caminho que pegou para chegar onde está hoje. Já o refrão é entregue à visão das pessoas sob Carmen e como ela continua brilhando apesar de tudo que esconde dentro de si. Os versos seguintes seguem a linha do refrão, mostrando a personalidade da personagem, mas de uma forma mais nítida. Ele também mostra os dois lados de Carmen, a menina mesquinha e selvagem e a menina simples que consegue o quer pela sua simplicidade, sem medir esforços.

A segunda ponte refaz a primeira, mas revela outros segredos da menina, incluindo o quão desgastante é, para ela, viver do jeito que vive. Os versos em francês no final da música são uma declaração amorosa para o verdadeiro amante da personagem: o álcool. Ela diz que não consegue viver sem ele e que se mataria por ele. Isso só confirma que é exatamente pelo vício que ela faz tudo o que contou durante toda a letra. A composição pode ser facilmente desvendada mesmo sem a associação com tudo que Lana viveu. Os versos são bastante reveladores e, mesmo com a ausência da cronografia, eles continuam bem claros.

A melodia se liga a letra representando os sentimentos da personagem, marcando a melancolia, com violinos e batidas lentas de guitarra, e o desejo da mesma de estar sempre brilhando, com toques mais fortes de guitarra e bateria. A voz de Lana acompanha a mesma estética, atingindo um tom mais grave ao falar sobre os problemas que ela enfrenta, e um tom mais agudo para falar dos pontos bons da vida de Carmen. O refrão é o pico mais alto dessa estética.

A letra de Carmen nao é diretamente ligada a prostituição, mas é possível enxergar a presença desse fato nas entrelinhas das revelações do eu-lírico. “Carmen” é basicamente a vida de Lana na adolescência, tentando fugir de um problema causado por se divertir demais, mas sem querer parar de se divertir. Lana se retrata nessa música floreando a vida de Carmen com metáforas e comparações à sua, e deixa quase uma metalinguagem aos ouvidos de quem analisa a fundo a canção, pois ela se esconde atrás de uma personagem para falar dos seus antigos problemas, mas essa mesma personagem também esconde de si seus próprios problemas.

10. Million Dollar Man:

Million Dollar Man é feita do clássico mesclado ao atual. Lana coloca um romance contemporâneo de uma forma clássica, citando Elvis e mantendo a melodia elegante. A música fala sobre um homem mal e esperto, com características mafiosas, que parece ser inteligente para tudo, menos para amá-la.

Esse homem parece ser muito admirado em tudo que faz e por isso mostra se importar muito com a sua vida mafiosa e deixa sua amada um pouco de lado, o que traz o dilema principal da música: se ele é tão perfeito porque ela se sente triste? Essa colocação precípua é feita de modo brilhante no refrão, com um trocadilho que é responsável por grande parte do charme da música. Lana usa a ambiguidade da palavra “broke” (quebrado) correspondendo tanto ao dinheiro, sendo referencia ao termo Million Dollar Man, como a um coração partido.

A música se resume toda no refrão, que é incrível, adaptando o trecho inicial da música Blue Suede Shoes de Elvis e dando todo o significado dos trechos figurativos da música. Durante a composição ela também deixa claro que não quer largá-lo, porque ela o ama muito, ela só quer que ele a dê um pouco de atenção, é tudo que ela precisa pra ir onde for ao lado dele. A melodia tem seu tom calmo, elegante e sensual. Ela carrega toda a dor da personagem e todo o charme da vida que o casal leva.

As técnicas vocais de Lana são descritivas e se misturam perfeitamente na batida que, apesar de não se alterar muito, ganha intensidade a cada trecho com a enorme participação da voz. Million Dollar Man é muito garrida. A melodia dá um tom perfeito a tudo que a letra conta. É uma canção adornada com o charme e a intensidade que saem das suas próprias entranhas, sem precisar de muito para ser brilhante.

11. Summertime Sadness:

Summertime Sadness, provavelmente a música mais famosa do album, é também uma das canções mais tristes do mesmo, falando sobre as tristezas do amor.

Lana fala totalmente e puramente sobre o amor, o quão feliz e apaixonada ela estava e o quão triste ela está agora porque seu amor se foi. A música conta uma história sem seguir uma cronografia e seus versos deixam diferentes interpretações, mas o verdadeiro sentido da letra é mostrado no clipe, onde Del Rey aparece em antigos momentos felizes com a falecida amada, interpretada por Jaime King, e depois suicidando-se por não conseguir viver sem ela. A música é basicamente sobre isso, sobre não conseguir viver sem a pessoa amada.

Melodicamente falando, a faixa possui um perfeito conjunto de letra+melodia, pois ambas estão no mesmo tom, retratando uma a outra. Batidas de piano, guitarra e bateria formam uma melancolica melodia que vai se transformando de acordo com a letra e os sentimentos transmitidos, que são bem influentes nessa música. A voz de Lana assume o mesmo tom melancólico da melodia, em uma maneira que eu particularmente julgo como perfeita, pois representou toda a dor falada na letra. Ela canta sua dor de uma maneira tão intensa que nos faz senti-la.

Lana chega ao ponto mais alto de sua tristeza, retratando-a de maneira tão pura que não deixa dúvidas sobre a real existência daquele sentimento. Para mim, a canção é uma perfeita representação de como o amor é perfeito até em sua dor, pois é uma das canções sobre sofrimento amoroso mais belas que conheço. Summertime Sadness é sobre uma dor que durará para sempre, por isso mereceu tanta intensidade e não deixou nada a desejar, pois só uma dor incurável é digna do maravilhoso trabalho de Del Rey nessa canção.

12. This Is What Makes Us Girls:

This Is What Makes Us Girls, duodécima faixa do Born To Die, é uma canção de caráter bastante biográfico, Lana relata nela o começo dos seus anos selvagens que a levaram à dependência do álcool até o ano em que foi mandada para o internato. É a faixa do álbum que melhor conta sobre esse tempo de Del Rey, pois ela segue uma cronologia, o que simplifica muito a canção a deixando ainda mais literal.

No início da letra Del Rey lembra seus anos de colégio, onde ela e seus amigos viviam de modo selvagem, buscando o real gosto da vida e querendo acima de tudo se divertir. Ela lembra coisas que eles faziam e sua melhor amiga, a descrevendo de forma bem ousada e lembrando com ela uma coisa marcante na adolescência, o primeiro coração partido. No refrão Lana deixa isso ainda mais marcado, mostrando a inocência adolescente com relação ao amor e como ele é maior que tudo nessa fase.

Na segunda parte, Lana começa a contar sobre quando tudo começou a desandar, o estilo de vida que ela e os amigos haviam escolhido estava começando a passar dos limites. Já na terceira parte ela nos dá as consequências de tudo que fez, diz que eles se meteram em encrenca e ela foi mandada embora (para o internato Kent School, em Connecticut, provavelmente).

A faixa possui uma letra bem clara, sem muitos rodeios, diferente de sua melodia que, apesar de ter seu ritmo produzido de acordo com a cronologia da música, tem um tom mais grandioso e é uma grande influência nos efeitos causados pela letra. A canção tem uma grande conexão letra e melodia e a voz de Lana participa dessa ligação com um papel marcante, tendo seu ápice no início da terceira parte, onde ela recita alguns trechos e assume uma posição dominante tanto sobre a letra como sobre melodia.

This Is What Makes Us Girls é uma produção excelente, uma das minhas favoritas do Born To Die, pois não é uma música onde só a letra produz efeito, mas sim toda a composição.

13. Without You:

Aqui está todo o sadcore da nossa diva reunido. Without You é, sem dúvidas, uma canção muito triste e dramática, pois se trata de uma paixão masoquista. Também é uma canção onde a letra é mais marcante que a melodia, pois a conexão entre ambas é tão grande que é como se a melodia eclodisse da própria letra.  Na música, Del Rey fala sobre a fama e o amor. Ela diz que tem tudo, até diz que encontrou Deus nos flashes das câmeras para enfatizar o quão perfeita é a vida que tem. Porém, essa vida não é nada sem o seu grande amor que ficou para trás e a dor de estar sem ele é tão grande que ela morreria por esse amor.

Esse masoquismo é reforçado duas vezes no refrão, quando ela cita que seria uma boneca de porcelana se ele a quisesse ver cair (pois as bonecas de porcelana se estilhaçam ao cair no chão) e também quando ela diz que o amor dele é mortal. Na segunda e terceira parte ela conta do passado junto a esse amor, da vida quando eram jovens e de como ela vive hoje com a aflição de não ter seguido a vida com ele.

O nexo entre a melodia e a letra é mais que perfeito no refrão, fazendo-o soar agonizante, reforçando a ideia que a letra passa de que ela não é mesmo nada sem ele. “Hello? Hello? Ca-can you hear me?” é o verso mais destacante da musica, por ter uma característica melódica e também trazendo o sentindo de substanciar a mensagem da letra, querendo a certeza de que ele está ouvindo tudo o que ela faria por ele.

Without You é uma ótima canção para os românticos excessivos, pois mostra a verdadeira paixão sem limites, capaz de fazer qualquer coisa para ter e agradar a pessoa amada.

14. Lolita:

“Hey, Lolita, hey!” A décima quarta canção do Born To Die, sem sombra de dúvidas, é dedicada a uma grande inspiração de Lana, o romance de Vladimir Nabokov, Lolita. A música, desde a letra a cada som da melodia é voltada para a personalidade da personagem principal de Nabokov, marcando seu jeito vulgar e teimoso de ser. A composição é óbvia, claramente voltada as vontades da garota, mas com versos escritos de uma forma mais simples, de um jeito que a própria Lolita faria, marcando ainda mais a personalidade da mesma.

A melodia é mais marcante que a letra, tanto que em certos momentos é mais alta que a voz. A batida rápida e a voz adequadamente aguda de Lana formam a perfeita combinação que descreve todo o sentido da música. A batida faz a perfeita Lolita que Lana quis representar, com a vulgaridade e os traços infantis que ainda restam na personagem. A batida não é complexa, mas é cheia, alta e envolvente e ela se encaixa na letra dando-a todos os efeitos necessarios para retratar os sentimentos presentes nas linhas.

Lolita é uma das canções mais agitadas do álbum e, para mim, uma das mais puras, pois Lana conseguiu transcrever perfeitamente a personalidade da personagem de Nabokov.

15. Lucky Ones:

Lucky Ones é a música de melodia mais diferenciada das 15 faixas do Born To Die. Já a letra, apesar de seguir basicamente a mesma linha das outras, com um casal apaixonado e selvagem, é mais intensa, valoriza mais o amor do que a loucura.

A música fala sobre o amor verdadeiro e como é boa a sensação de encontrá-lo. A letra mostra que o efeito de encontrar o amor é libertador, te permite ser quem você realmente é, mas é também, em certo ponto, devastador, pois a personagem não se importa de estar cega de amor e nem se seu amado não é um homem bom, ela só liga para o fato de estar com ele. A melodia não sofre grandes alterações durante os 3:47 minutos de música, ela se mantém clássica e dramática, reforçando a ideia de amor verdadeiro abordada na letra.

A voz de Lana também é um elemento forte na composição da melodia, pois acompanha a cronografia da letra, adequando-se à intensidade que cada fato merece. O refrão de Lucky Ones é estruturalmente perfeito, pois ele centraliza todos os efeitos da música, tanto na letra como na melodia. É o ponto de maior conexão das duas partes da canção e é um resumo de toda a intensidade que ela busca transmitir.

Lucky Ones é uma das composições mais bonitas de Lana, mostra o amor realmente puro e verdadeiro, pois trata-se de todas as consequências dele.

 

 

Por: Bruna Barcelos

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
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  • João Vitor

    Sou só eu os às vezes eu penso que as músicas tem efeitos e elementos demais ?

    • Ian Holland

      É proposital, para soar como toda a intensidade seja da dor, do desejo, da mágoa!

  • Ian Holland

    Born to Die: um álbum de hinos

  • João Victor Queiróz

    Análise linda pra um álbum incrível ♥
    Parabéns, pessoal.

  • Android Temari 18

    Born To Die e Radio as melhores pra mim <3

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