TEXTOS | Video Games

por / quarta-feira, 11 dezembro 2013 / Publicado emColunas, Textos

VIDEO-GAMES

“Heaven is a place on earth with you, tell me all the things you want to do”

Califórnia, Los Angeles, Hollywood. Era verão, mas ao contrário dos dias de sol, escaldantes e cheios de uma energia condensada em variações extras de humores benignos, o dia estava triste, nublado, em preto e branco. Não havia chuva, não havia sol – havia apenas aquele tom bipolar da natureza em um dia que até ela mesma merecia não estar num humor nem outro. Era um dia neutro e meu coração estava cheio.

Eu podia ouvir o som do vídeo game vindo de dentro da casa, meu garoto estava provavelmente em mais uma disputa diária de alguma corrida veloz. Eu simplesmente amava chegar em nossa pequena e suja casa ao final do dia em busca de mais e mais produtores musicais dizendo que eu era melancólica demais para ser gravada ou que as pessoas não entenderiam minhas canções – aliás, nem eles mesmos entendiam; minhas músicas eram apenas para aqueles que sentiam demais e expunham de menos. Era a minha incógnita vida de cantora de pubs que morava em um subúrbio qualquer, mas que tinha meu homem me esperando todos os dias.

O pequeno portão rangia fracamente, eu ouvia o som pausado do vídeo game de repente e, então, encontrava-me nos braços do meu amor assim que ele abria a porta de madeira da frente com aquele grande e belo sorriso branco para me receber. Ele era lindo, era meu e tinha os maiores e mais confortáveis braços que me rodeavam em um carinho e um amor que doía em meu peito. Ele era tudo para mim. Tudo.

Bastava apenas vê-lo, sentir o calor de seu corpo quente e bronzeado e ouvir sua voz tão rouca e afável assobiando meu nome em um sussurro que praticamente dizia “lar”. Lana, Lana, meu amor… Ele brincava com o sabor de cada sílaba em seus lábios e eu ria ao encarar aqueles olhos semicerrados em um sorriso. Ele iria rir junto de mim, puxaria meu corpo ainda mais para ele e uniria nossos lábios em um beijo tão delicioso quanto os mais tocantes poemas de Whitman.

Ao final do dia íamos ao Old Paul’s, encontrávamos nossos amigos bêbados e tão felizes que transportavam suas cargas magnéticas até meu corpo e me fazia ver estrelas tão douradas que explodiriam no céu. E entre shots, doses e garrafas e mais garrafas da americana Budweiser, eu sabia que estava em casa. Eu me sentia em casa.

E até poderia ser uma melodia melancólica interpretada para qualquer um, mas meu coração estava feliz ao saber que pertencia a ele.

“Only worth living if somebody… is loving you. Baby, now you do”

Texto inspirado em Video Games, por Raphaella Paiva

Clique aqui e confira a letra e tradução da canção.

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
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