TEXTOS | Gods & Monsters

por / segunda-feira, 09 dezembro 2013 / Publicado emColunas, Textos

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“É uma dança. Uma dança que, sob aquelas várias luzes e a fumaça eu sabia fazer como ninguém: meus movimentos, braços, quadris, mãos, olhares, tudo tinha sua função no momento em que eu dominava aquele lugar como ninguém, com a minha dança. O mundo não era exatamente o lugar mais seguro, havia muitos sentimentos ruins lá fora e o momento em que eu estava dançando, sendo o centro daqueles olhares, era o único em que eu me sentia à salvo… era.

Eu me tornei um anjo e, então, já não conseguia mais fazer com que aquela dança fosse a minha fuga do vazio que existia dentro de mim… esse vazio já estava preenchido e, agora, o que precisava ser preenchido era o meu colo, com aquela presença que me faltava e não estava ali, entre aquelas luzes e fumaças. Eu estava fazendo tudo o que precisava, mas quem possuía o remédio que eu precisava não estava ali, pois teve que ir embora, seguir um caminho diferente que, espero eu, acabe se encontrando com o meu.

Enquanto isso, continuo ansiando pelo Paraíso, procurando a inocência que perdi entre esse mundo, tão selvagem, tão escuro, sem música, sem meus remédios, sem toques, abraços, um mundo gelado, dominado pelos grandes sentimentos de indiferença, pela rapidez de beijos anônimos, de carinhos instantâneos por entre as luzes e fumaças… inocência que se perdeu.

Quero, então, ser como um quadro que recebe a tinta e deixar me desenhar pelas suas mãos no meu corpo, me fazendo sentir seguro de novo, nessa terra de anjos caídos, almas que não têm para onde ir a não ser esses becos escuros com luzes, bebidas, drogas, fumaça, beijos envenenados.

Tento não me perder, mesmo não sabendo mais como fazer aquela dança que um dia me salvou. Tento, então, olhar para o céu escuro da noite dessa terra, procurando alguma constelação que me indique a sua direção, algo que me diga qualquer coisa sobre você, algo que te traga aqui, que me leve até você. Ninguém vai tirar isso de mim, ninguém vai mudar o que eu sou, ninguém vai me arrastar para aquelas luzes, me envolver naquela fumaça, me envenenar.

Eu espero, sozinho, no escuro, sua mão me puxar de volta.”

Texto inspirado em Video Games, por João Paulo Escute

Clique aqui e confira a letra e tradução da canção.

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
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