Dark Paradise | Capítulo 7: Gangsta Boy

por / terça-feira, 17 dezembro 2013 / Publicado emFanfics

Capítulos anteriores: http://ldra.com.br/fanfics/dark-paradise/

a8

“Eu não me importo com o que minhas amigas

E minha mãe dizem sobre você, bad boy

Eu gosto do drama”

 

Ela era linda. Ela era linda com aquele corpo esbelto, de curvas discretas que o enlouqueciam. Ela era linda com seus belos seios, sua bela cintura e seus belos quadris. Ela era linda com aquelas pernas de bailarina, sotaque californiano e um jeitinho de patricinha que o deixava louco. Uma Bonnie Parker vestida de Bonequinha de Luxo. E aquilo o fascinava.

Os atentos olhos azuis seguiam os passos e os movimentos sutis e sensuais como um falcão protegendo seu ninho. Scarlett estava em uma lingerie recém-comprada na Rodeo Drive, testando sua nova calça jeans que a deixava ainda mais excitante. A larga blusinha violeta acinzentada de botões, com curtas mangas e que deixavam parte de sua barriga deliciosamente alva e magra de fora, o cordão com um pingente de cruz em seu pescoço e os altos Loubotins que usara na noite passada presente nos pequenos pés.

Um verdadeiro pecado sobre pernas que se olhava no espelho do corredor distraidamente em busca de alguma imperfeição – o que seria impossível.

Andrew a admirava com a mais fogosa e hipnotizante das sensações, tendo aquela bela mulher em seu apartamento após a complicada festa da noite anterior. Vê-la sempre tão frágil, tão pequena e à mercê das coisas horríveis nesse mundo, fez o homem ter a plena certeza de que colocá-la em sua moto e levá-la para casa era a melhor de todas as decisões. Após um banho, alguns suspiros e usando uma camiseta velha do britânico, Scarlett pegou no sono. Enquanto ele pensava em certo alguém.

Ian estava fodidamente em problemas – e agora oficialmente desde que provocara sua Scar naquela merda de quarto de hotel. Ele poderia ser milionário, bilionário ou o caralho que fosse, mas Andrew o faria pagar por deixar aquelas lágrimas nos olhos da morena. Ele estava apenas esperando a hora certa.

– E então? – A herdeira perguntou hesitante ao se virar para o britânico espalhado em seu sofá com um cigarro nos lábios, surpresa por notá-lo já com o olhar sobre ela.

– Perfeita – murmurou ao jogar fora as cinzas, caminhando até a garota que havia retornado para o espelho com um sorriso no rosto. – Você é linda, Scar.

Ela riu, olhando-o logo atrás de seu corpo através do reflexo.

– Talvez você esteja cego, querido – provocou ao pegar o batom no móvel abaixo do espelho, sendo interrompida por uma grande mão em seu abdômen puxando-a para trás. – Oh!

– Digamos que… – ele sussurrou intenso ao fitar as íris verdes pela imagem refletida, deslizando os fios castanhos para longe de seu pescoço. – Se Priscilla Presley, Marilyn Monroe e Audrey Hepburn se unissem numa mulher só, ela seria você.

Ela suspirou, fechando os olhos por um segundo ao aproveitar aquela sensação maravilhosa, contornando seus dedos nos cabelos do inglês colado em seu dorso.

– E se eu dissesse que adoraria ser a Jackie O’?

– Ah, meu anjo, – murmurou contra o ouvido, ganhando seu olhar perdido em desejo. – apenas boas garotas podem ser a Jackie O’.

Scarlett soltou uma delicada risadinha, virando-se para o homem e sussurrando contra os seus lábios.

– Eu sempre tive vocação pra ser a Marilyn da relação mesmo.

– Contanto que eu seja o JFK, eu não reclamo de nada – respondeu com um sorriso, fazendo-a rir mais uma vez.

– Eu diria que você definitivamente seria James Dean.

E, então, roubou-lhe um beijo delicioso de derrubar calcinhas.

O sol de sábado estava brilhante e alto no céu quando o casal decidiu sair do apartamento em direção a Hollywood Boulevard para um bom almoço e um descanso para suas mentes cheias e barulhentas demais. Passear pela Calçada da Fama e fazer poses em frente ao Grauman’s Chinese Theater era, para Scar, como voltar à infância quando sua babá a levava para passear pela cidade e tomar sorvete em um lugar qualquer.

– Marilyn! – ela soltou um gritinho empolgado quando viu a assinatura da atriz ao lado de Jane Russell, sua coestrela em Os Homens Preferem as Loiras. A herdeira correu em seus saltos, encaixando perfeitamente sua mão à marca dos dedos da namoradinha da América nos anos 50.

Andrew, no entanto, apenas observou o sorriso da californiana e seus brilhantes olhos de menina. Seu coração se apertou em nostalgia e saudade naquele instante, saudade de alguém que fora tudo para ele, saudade de alguém que ainda lhe fazia tanta falta. Ver os nomes das duas atrizes junto ao nome do filme eternizados na massa cinzenta lhe trouxe memórias que ainda o machucavam.

– Andrew… – A jovem murmurou agora em frente ao britânico, acariciando seu peito com as sobrancelhas franzidas em preocupação. – Aconteceu algo?

– Não… – ele desconversou, sorrindo de lado ao encaixar uma de suas mãos na cintura fina. – Foi apenas uma lembrança. Vamos?

– Claro – Ela acenou que sim, entrelaçando os dedos aos seus e querendo entender aquele homem tão misterioso. Tantos segredos…

Várias pessoas conversavam e circulavam no Johnny Rocket’s na The Hollywood & Highland Center. Ao melhor estilo anos dourados dos Estados Unidos, a lanchonete era grande, com luzes de néon na placa de entrada, balcão prateado e cadeiras e poltronas almofadadas em um vermelho que davam o tom principal do salão, com direito a jukebox e pôsteres de grandes astros do cinema e da música. Enormes janelas de vidro mostravam o quanto o dia estava lindo e movimentado nas lojas e restaurantes do lado de fora.

– Eu nunca tinha vindo num lugar desses – Scar comentou com um sorriso ao mordiscar suas batatas fritas ao lado do milk-shake de morango, admirando o comércio pela janela do lado da mesa onde estava.

O londrino sorriu de lado antes de notar os lábios cheios da garota se repuxarem a contragosto com um flash de pensamento.

– O que houve? – ele perguntou.

– Andrew… – ela o chamou, virando o rosto para frente a fim de encará-lo e ler seus olhos. – Você…

– O quê? – Ficou curioso ao vê-la hesitar.

– Sobre ontem… – Ela mordeu o lábio inferior. – Você não vai atrás do Ian, vai?

– Scar… – O jovem deliberou, passando as mãos no cabelo.

– Você me prometeu. – Ela se curvou na mesa, sussurrando nervosa.

– Eu não prometi nada, Scar – ele especificou sério, vendo-a se remexer desgostosa no sofá alcochoado. – O que ele fez não pode passar despercebido.

– Andrew, isso só vai causar mais problemas…

– Quando vocês estavam juntos, ele costumava trabalhar até tarde? – ele a interrompeu, franzindo o cenho curioso.

– Na maioria das vezes sim – respondeu sem entender aonde o londrino queria chegar. – Mas, Andrew…

– Ele é dono daquela empresa no oeste da cidade, não é?

– Andrew, pelo amor de Deus! – Ela levantou os braços, exaltada. – Não faça nenhuma merda.

– Por favor, Scar… – Ele revirou os olhos, roubando uma de suas batatas.

– Prometa que não vai fazer uma estupidez, Andrew Barnes – falou autoritária, olhando no fundo das íris azuis e despreocupadas.

– Isso vai fazê-la se sentir melhor?

– Sem dúvida alguma. Eu terei sua palavra. – Cruzou os braços sem deixar de encará-lo.

– Tudo bem, eu prometo. – Rolou os olhos outra vez, ganhando um belo sorriso e um beijo nos lábios.

– Obrigada.

– Disponha – replicou ao sorrir misteriosamente.

– E, diga-me, senhor, – Ela pediu com um sorriso esperto. – como diabos descobriu onde era a festa ontem?

Andrew riu baixinho, tomando um gole de sua bebida.

– Digamos que eu tenho amigos que têm amigos…

– E um terno de matar, obviamente – brincou.

– Eu não tenho do que reclamar, ganho muito bem – Deu de ombros, sorrindo.

– Ainda vou descobrir como.

– Claro que vai – Ele previu, deixando a tensão de lado e apenas rindo da carinha sexy e curiosa que a jovem fez.

E bebendo um Slurpee da 7-Eleven, Scarlett e Andrew caminhavam aos risos entre a praça do comércio a céu aberto, fumando um cigarro qualquer e de mãos dadas como um casal completamente normal.

O britânico parou numa agência de carros antigos do outro lado da rua enquanto a jovem ficou folheando uma revista qualquer numa lojinha. Logo ela caminhou mais um pouco ao sorver um gole da bebida gelada e seus grandes olhos verdes fitarem algo que a deixou com um sorrisinho malicioso nos lábios.

Enquanto isso, Andrew admirava um Bel-Air que chamou sua atenção ao lado de um Pontiac e um Corvette branco, mas, apesar de todos aqueles carros serem magnificências, faltava algo ali. Ele procurava por algo mais, um carro com uma personalidade como a sua – e um pôster de James Dean em seu Porsche 550 Spyder foi o que o fez sorrir e saber exatamente o que queria.

Algo o distraiu, no entanto. Ao erguer os olhos por cima de seu Ray Ban, o inglês avistou uma Scarlett que fez seu membro latejar entre as calças. Atravessando a rua e em seus jeans sensualmente apertados nos quadris, a menina andava em sua direção com os olhos maliciosos cobertos por óculos em forma de coração e um sorriso divertido e sapeca entre os lábios cheios que brincavam com o canudinho do Slurpee cor de rosa. Tão deliciosamente lolita.

Ele sorriu ao tê-la logo a sua frente.

– Hey, daddy! – murmurou baixinho com sua voz feminina e um sorriso travesso, encarnando a verdadeira Dolores Haze e fazendo os lábios do homem se alargarem.

– Olá – Suspirou ao sorrir ainda mais, divertindo-se e excitando-se com aquela garota. O que ela tinha que o deixava daquele jeito? – Onde comprou esses óculos?

Ela soltou um risinho, mordendo a carne de sua boca antes de dar outro gole pelo canudo de seu Slurpee.

– Eu ganhei, só que o dono não sabe – Sorriu marota, fazendo os olhos do londrino se arregalarem e ela rir deliciosamente, puxando-o pela gola da camiseta e o beijando com o saboroso gosto gelado de ponche de frutas em sua língua.

– Ei, você! – Um homem gritou do outro lado da rua, fazendo o casal se separar e os lábios de Scar se curvarem em um “o” perfeito. – Sua ladra!

– Oh, Deus! – ela gemeu antes de olhar para Andrew e gargalhar, correndo e empurrando-o para fora dali o mais rápido possível.

E horas depois, quase no início da madrugada, o britânico verificou se a herdeira já estava dormindo. O relógio digital ao lado de sua cama indicava ser pouco depois das onze da noite e Scarlett estava adormecida entre os lençóis brancos, cansada após a divertida fuga e uma tarde no píer de Santa Monica.

Pegando a Harley-Davidson, ele partiu a toda velocidade até o oeste de Los Angeles onde ficava a I&R Company, a empresa do prodígio e absolutamente patético Ian Pierce. A internet era muito útil quando unida a certos contatos e informações extras, e o inglês fez questão de ir atrás e aproveitar cada uma delas.

E foi com esse pensamento que ele desligou sua moto em frente ao enorme prédio com poucas luzes acesas ao longo da rua praticamente deserta daquela noite. A construção contemporânea em tons prateados e lâmpadas fluorescentes era um tanto quanto fascinante, mas Andrew estava com outras ideias em sua mente.

Um sorriso doentio preencheu os lábios do rapaz quando viu o empresário sair sozinho do edifício, caminhando distraidamente até o Bugatti Veyron estacionado na calçada principal – provavelmente posto há poucos minutos por algum eficiente funcionário pronto para lamber seus sapatos.

O londrino, então, desencostou-se de sua motocicleta preta às sombras de algum poste ao andar perigosamente em direção ao homem.

– Olá, Ian – cumprimentou com um sorriso escorrendo sarcasmo e os olhos camuflados de fúria. – Lembra de mim?

O bilionário estacou no mesmo instante. Seus olhos castanhos viraram-se para Andrew enquanto o corpo quase tão alto quanto paralisava por dentro do caro terno cinza e os cabelos imóveis por gel.

– Sr. Barnes – Ele rapidamente se recompôs, ajeitando sua postura e colocando um sorriso superior no rosto. – Você não me parece tão elegante quanto soava na festa. O que houve?

– Ah – O homem riu, colocando as mãos nos bolsos do jeans ao se aproximar ainda mais. – Você não vai querer saber.

– Por quê? – Ian também soltou um riso, mantendo o tom irônico. – Perdeu alguns milhões?

O inglês olhou para baixo, contendo a diversão, logo voltando-se para o jovem.

– Não se pode perder o que nunca teve – soou cativo e cheio de intenções. – Ao contrário de você que tenho quase certeza que perdeu algo. Onde está a Scar?

A expressão do empresário rapidamente se transformou e o sorriso em sua face transportou-se em um misto de ira e ego ferido.

– Você não sabe, não é? – Andrew perguntou retoricamente, divertindo-se mais do que poderia imaginar. – O que você faria se eu dissesse que ela está exatamente em minha cama agora?

– Seu filho da puta. O que você quer? – questionou, cheio das brincadeiras agora que estava perdendo.

– Eu vim para ensinar algo a você, Ian – falou ao andar mais alguns passos em sua direção. – E como tratar uma garota será a primeira lição.

– Ahh! – Ele riu perigosa e sarcasticamente, cruzando os braços. – Então quer dizer que a princesinha fofocou tudo pro novo príncipe encantado?

– Se eu fosse você, Ian Pierce, ficaria com a boca bem fechada!

E com essa única frase soada como um rugido, o punho direito de Andrew deslocou-se com toda sua força direto na mandíbula do bilionário. Ele se desequilibrou quase indo ao chão, colocando a mão em seu rosto ao olhar enfurecidamente para o britânico.

– Você não sabe onde se meteu, Barnes!

– Você muito menos, Pierce. – rosnou, avançando no homem e acertando seu abdômen com um belo soco, o que o fez gemer e, com os olhos em uma ira ensandecida, avançar de volta no londrino e jogá-lo ao chão ferozmente.

Ian o atingiu no nariz com um murro certeiro, fazendo o outro rugir e acertá-lo com um chute nas costelas e um golpe na lateral de seu rosto, deixando-o exposto para mais um soco em sua mandíbula enquanto ele caía e o inglês se levantava.

Limpando o filete de sangue que escorria de seu nariz, ele pôde ver o empresário se levantar e tentar o acertar com um golpe no abdômen, o que Andrew soube muito bem afastar para, então, desviar uma sequência de socos na cara do moreno. Um, dois, três, quatro e o jovem foi direto ao chão.

– Está vendo só, Ian? – ele perguntou em arquejos, vendo-o se equilibrar nos cotovelos e limpar as gotas de sangue que surgiam de sua boca. – Isso é pra você aprender a tratar uma dama decentemente!

E com seu ego ferido e seu terno arruinado, Pierce rosnou para aquele maldito homem, arremessando-se nele e batalhando em golpes de punhos cerrados, grunhidos e um ódio que poderia consumi-los e penetrá-los por inteiro.

O que eles não notaram, porém, foi um táxi estacionar rapidamente bem perto dali e uma Scarlett desesperada sair dele correndo em direção a ambos.

– Parem! – ela gritou, exasperada e sem saber o que fazer com aqueles dois animais praticamente se matando em socos e mais socos cobertos de bagunça e sangue. – Parem pelo amor de Deus!

Ian desferiu um soco na mandíbula de Andrew no mesmo instante em que um segurança finalmente correu para fora da empresa, empurrando o britânico desmantelado e o bilionário num estado ainda pior.

– Vocês estão malucos? – A herdeira berrou outra vez, levando as mãos aos cabelos ainda em estado de choque.

– Então esse é seu novo namoradinho, Scarlett? – O empresário questionou com um resquício de voz, sem deixar seu sorrisinho irônico de lado. – Uma puta como todas as outras dessa cidade de merda.

– Você cale essa boca, seu filho da puta! – Andrew rosnou, avançando de volta no homem antes de ser impedido pelo segurança que segurou seu peito.

– Andrew, pare com isso! – ela cuspiu para o inglês, andando até ele com uma expressão fechada em seu rosto, virando-se para o ex-namorado. – E você, Ian, vá pro inferno!

E com isso, a garota puxou o jovem de olhos azuis pelo braço, caminhando com fúria até a Harley-Davidson há alguns metros dali.

– O que deu em você, Andrew? Você está querendo morrer, seu imbecil de merda? – esbravejou, andando de um lado para o outro enquanto ele somente a observava. – Você mente pra mim e vem atrás desse filho da puta? Eu juro por Deus, Andrew, que a minha vontade agora era de matar você.

Ela parou com as mãos na cintura e um olhar furioso fitando o inglês. Ele, por sua vez, apenas revirou os olhos antes de montar em sua motocicleta.

– Vamos pra casa.

– Casa? Olha só pro seu corpo! Você precisa de cuidados, Andrew.

Ele apenas rolou os olhos outra vez, puxando a teimosa morena para sua garupa.

– Eu já passei por coisas piores.

Ao chegarem ao apartamento, Scarlett ainda soltava fogo pelas ventas, abrindo a porta da sala e dizendo como acordou assustada e suspeitou exatamente onde ele estaria. E então ela o mandou para a cama enquanto corria para o banheiro a fim de pegar um kit de primeiros-socorros. O pequeno quarto de tons cinza, creme e branco só estava iluminado por dois abajures nos criados-mudos, dando um tom dourado e aconchegante ao cômodo.

– Você é tão teimoso, só faz merda! – ela resmungou, colocando a caixinha no alcochoado aos pés da cama onde Andrew estava sentado.

– Olha quem fala – murmurou de volta, analisando o jeito tão delicado que ela molhava o pano e deslizava cuidadosamente em alguns machucados de seu rosto.

Ela revirou os olhos, tratando do pequeno corte em seu supercílio.

– Ah, vai se foder, vai – Repuxou seus lábios em um beicinho genioso, o que o jovem fez conter os lábios que queriam sorrir.

Danem-se aqueles ferimentos e os hematomas, eles logo cicatrizariam. Seu corpo estava finalmente leve por ter dado uma boa lição em Ian e estar agora deliciosamente perto de sua mulher. Scar fazia tudo valer a pena – tudo.

– Você fica tão linda brava – provocou com um sorriso torto e um olhar despreocupado à medida que ela passava algum medicamento numa ferida próxima ao couro cabeludo.

– Não me faça rir quando estou brava com você! – A morena brigou, tentando manter a expressão séria.

– Mas é verdade… – Ele continuou provocando, desta vez subindo uma de suas mãos pelos apertados jeans azuis da garota, alcançando a parte de trás de suas coxas até encaixar seus dedos no traseiro delicioso.

– Andrew… – ela repreendeu, bufando quando ele perguntou inocentemente um “o quê?”. – Não me provoque, Barnes.

– Você sabe que eu fiz o que fiz por sua causa, não sabe? – questionou ao sentir uma suave ardência na maçã de seu rosto.

Ela suspirou, assentindo.

– Eu sei, e eu agradeço por isso, Andrew – ela murmurou, rapidamente olhando em seus olhos antes de voltar sua atenção aos ferimentos. – Acontece que eu fico louca só de imaginá-lo em alguma encrenca por causa do Ian.

– Não precisa se preocupar comigo, anjo – falou baixinho contra sua pele, beijando a pequena parte exposta de sua barriga lisa.

– Eu também sei disso – Suspirou novamente, encarando-o ao acariciar seus cabelos. – Mas é maior que eu.

E eles se encararam por quatro ou oito segundos, perdidos em si, em seus olhos, suas íris, suas pupilas desejosas e cheias de significados. Era demais para absorver em tão pouco tempo, mas algo em alguma parte de seus corpos já dizia que eles pertenciam um ao outro – de alguma forma, errada ou certa, boa ou não. Ela era a boa garota má dele. Ele era seu garoto gângster, seu homem malvado, com um coração de cocaína que escondia tantos segredos e sentimentos capazes de sufocar e contagiar.

E ambos entendiam um ao outro.

Ela sorriu divertida.

– Pronto, agora tire essa camiseta pra vermos os hematomas que devem ter ficado aí.

– Eu tenho um jeito muito melhor pra resolver isso – murmurou com um sorriso malicioso, agarrando as pernas da morena e a jogando em seus ombros como um verdadeiro homem das cavernas.

– Andrew! – ela gritou entre risos, sentindo-o seguir rumo o banheiro até colocá-la sentada sobre o mármore da pia. – O que você pretende fazer?

– Nada demais… – sussurrou perigosamente, colando os lábios aos da jovem e puxando-a pela cintura até ela circundar as pernas em seus quadris e grudar seus corpos.

A herdeira embromou seus dedos nos fios acobreados, enlaçando sua língua a do homem e sentindo seu gosto delicioso como sempre – aquele inconfundível sabor de quatro de julho que a fazia querer se rebelar e provar cada um de seus fogos de artifício.

As grandes mãos ainda levemente doloridas deslizaram por baixo da camisa da morena, desabotoando-a rapidamente e jogando-a em algum lugar enquanto aqueles belos seios cobertos por um sutiã azul ficavam expostos. Scarlett mordeu o lábio inferior do britânico antes de puxar sua camisa violentamente para cima e jogá-la pelo banheiro, logo trabalhando no zíper do jeans do jovem.

– Eu amo o seu cheiro… – ele sussurrou contra seu pescoço, mordiscando-o, sugando-o, beijando-o em uma delirante loucura deliciosa que a fazia arquejar, curvar suas costas e implorar por mais.

Os ágeis dedos femininos rapidamente se livraram da calça do rapaz e Andrew apertou os pequenos seios em suas mãos antes de atirar o sutiã pelos ares e tomá-los em seus lábios sedentos.

– Merda, Andrew… – ela murmurou, apertando seus cabelos, deslizando as unhas por suas costas e invadindo sua boxer até alcançar seu membro que pulsava através do tecido.

O gemido que saiu dos finos lábios do homem fez os pelos de Scarlett se eriçarem à medida que ele deslizava suas mãos para os jeans da garota e os arrancava junto de sua calcinha. Ela era tão malditamente gostosa…

E, então, ela o ajudou a se livrar de sua boxer, sendo erguida em seus braços e o beijando enquanto ele a depositava no chão e ligava o chuveiro quente. Com a boca grudada à sua e a água deliciosa batendo em seus corpos, Andrew a olhou no fundo dos olhos. E as intensas íris azuis nas suas fizeram Scar se arrepiar outra vez.

– Nós vamos devagar, ok? – murmurou calmamente, deslizando ambas as mãos até a cintura fina ao ver a herdeira assentir.

O londrino pegou uma fina toalha de rosto e a circundou entre seus dedos, encarando a garota fixamente antes de erguer seus braços e amarrá-los na barra de inox do chuveiro.

– Está confortável? – indagou ao fitá-la outra vez, vendo-a morder os lábios e novamente assentir.

– Está ótimo.

E ele sorriu, colocando os dedos entre o queixo da morena e puxando-a para um beijo maravilhosamente saboroso que fizeram ambos suspirar. As mãos masculinas escorregaram através da pele alva e macia como seda, massageando os seios intumescidos e fazendo Scarlett gemer.

– Porra, Andrew…

Os lábios curvaram-se ainda mais enquanto ele substituía suas mãos por sua boca, beijando e sugando a carne deliciosa da californiana, lambendo o caminho até seu umbigo e rodeando sua língua ali, provando do sabor da água que molhava sensualmente seu corpo.

E então os dedos deslizaram até sua feminilidade, circundando seu clitóris, pressionando deliciosamente e vendo-a gemer e choramingar por mais. Quando ele substitui sua mão por seus lábios, Scarlett finalmente encontrou o Céu e se deixou carregar pelo êxtase maravilhoso de estar nas nuvens e no inferno ao mesmo tempo. Era torturantemente gostoso.

– Você gosta, Scar? – ele murmurou ao subir seu paladar para cima outra vez, sentindo o corpo pequeno tremer e os olhos verdes se fecharem em prazer.

– Merda, eu adoro – Ela mordeu os lábios, tentando inutilmente se soltar.

– Mas que boca suja temos aqui… – provocou maliciosamente, beijando-a e sugando sua língua pecaminosamente.

Massageando seu membro e gemendo com o prazer de ter aquela mulher nua e amarrada em seu chuveiro, Andrew puxou as longas pernas para ao redor de seus quadris, apertando a cintura fina e grudando seus narizes.

– Eu não vou ser gentil. – Ele a fitou, fazendo-a sorrir maldosamente.

– Eu não quero que seja.

E, enfim, ele a penetrou e ambos gemeram audivelmente ao jogar suas cabeças para trás em puro deleite. E ele estocou, ele a provou e a provocou em cada uma de suas investidas deliciosamente perigosas e atentas a cada sentido de seus corpos nus, suados e molhados que se perdiam no prazer e naquele encanto que simplesmente os tomava.

Era um prazer incessante da carne, de seus movimentos unidos, daquele vaivém hipnótico que absolutamente não havia descrição. Andrew Barnes e Scarlett Hathaway com toda a certeza haviam nascido para descobrirem, viverem e perderem um no outro.

E foi assim que, encarando-se e possuindo-se através do olhar quente em suas íris, ambos chegaram ao clímax e se deixaram levar pelo prazer indescritível de um orgasmo fodidamente extraordinário.

De fato, eles pertenciam um ao outro.

Após um banho decente e Andrew observar uma Scarlett sensual usando uma de suas poucas camisas de botão, ele puxou os lençóis da cama e enrolou a jovem em seus braços ao se deitar. Ela franziu os lábios ao ver um hematoma em suas costelas.

– Isso poderia ter sido evitado… – comentou insatisfeita, fazendo o britânico sorrir a acariciar os cabelos castanhos.

– Quando se trata de você, eu não consigo me conter.

– Eu acho que já percebi isso – Sorriu maliciosa, aconchegando-se ainda mais em seu peito forte.

Ela simplesmente amava sentir o corpo quente e definido do inglês, amava como ele a fazia se sentir em casa com tão pouco, e amava seu misto de perigo, carinho e algo que, por mais errado que fosse, sempre exalava uma pitada de certo. Talvez fora aquilo que lhe chamara atenção em Andrew além de seu olhar inexplicável e intenso como os mares do sul. De qualquer forma, tudo aquilo a fazia ter pensamentos insanos e deliciosamente ameaçados por um alerta de “afaste-se” – o que somente a fazia querer se aproximar ainda mais.

– Sabe o que eu estava pensan… – ela começou, parando sua sentença ao meio quando se apoiou nos cotovelos e viu a face bela e máscula adormecida.

No entanto, mesmo com aqueles olhos escondidos atrás das pálpebras e um leve ressonar, cada linha do rosto do londrino fez com que Scarlett apenas concretizasse sua ideia. Ela precisava fazer alguma loucura maravilhosa para se libertar de vez de qualquer corrente presa desde o dia em que nasceu.

E ela faria aquilo o quanto antes.

 

“Todo mundo pensa que eu estou louca

Eu poderia ter tudo,

Mas isso significa nada sem você”

Por Raphaella Paiva

Raphaella Paiva
Escorpiana, 20 anos. Estudante de Letras - Português pela Universidade Federal de Goiás, escritora em pré-contrato e uma beatnik nascida na época errada. Descobriu Lana Del Rey em 2011 quando Video Games roubou seu coração, tornando-se uma tradutora, redatora e colunista que adora um teste do sofá no Addiction. Cinéfila que também ama jazz e blues, Pink Floyd, Arctic Monkeys, Kristen Stewart, Marilyn Monroe e qualquer coisa escrita ou filmada por Woody Allen.
Tagged under: ,
TOPO