Dark Paradise | Capítulo 4: National Anthem

por / terça-feira, 17 dezembro 2013 / Publicado emFanfics

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“Em nossas drogas e em nosso amor

E nossos sonhos e nossa fúria

Turvando as linhas entre o real e o falso

Sombria e solitária, eu preciso de alguém para me abraçar”

 

– Scarlett, querida, que bom revê-la! – Candice a abraçou assim que abriu a porta, sorrindo para a nora.

– É ótimo revê-la também – Ela sorriu de volta, entrando na bela mansão de meio bilhão de dólares, em Holmby Hills, enquanto a Sra. Pierce cumprimentava seus pais.

Após uma noite louca com muitos amassos, álcool e cocaína, Andrew deixou a herdeira em casa pouco antes das três da manhã, e depois de um café da manhã ouvindo seu pai lhe chamando de inconsequente por continuar chegando sempre às madrugadas, eles logo se viam na Lamborghini em direção à casa dos pais de Ian, também no oeste de Los Angeles.

– Vocês não vieram mais nos visitar, senti principalmente sua falta, querida – A mulher murmurou, voltando-se para Scar com seus grandes olhos castanhos, idênticos aos do filho, e cabelos caramelo esvoaçando em seus suaves cachos. Ela estava linda em um clássico vestido amarelo ao estilo anos 50, assim como sua mãe em um vestido azul.

– Eu estive presa com a faculdade, sinto muito, Candice – respondeu com um sorriso culpado, ouvindo a risadinha da sogra quando a abraçou outra vez. Logo puderam escutar passos se aproximando e a voz fina e delicada de Blair.

– Ah, vocês chegaram! – A cunhada falou com uma risada, assim que adentrou a imensa sala em tons claros e vitorianos, prendendo a morena em um abraço.

– Oi, Blair, quanto tempo! – Scarlett sorriu ao olhar a jovem de 18 anos. Ela estava maior e com mais curvas desde a última vez em que a havia visto, antes de sua viagem a Europa, ostentando beleza em sua saia de cintura alta e blusinha Chanel. – Como foi em Amsterdã?

– Maravilhoso! Muita moda, jardins magníficos, restaurantes finos, sem falar nos homens… – comentou com um risinho divertido em seu largo sorriso branco nos lábios cheios. – Eu fui a um show do Andre Rieu simplesmente esplendoroso! Sem falar no desfile da Versace. In-crí-vel!

– Que ótimo – ela murmurou com um sorriso que não chegou aos seus olhos, embora não deixasse de se sentir feliz pela adolescente de pequeninas íris verdes brilhantes e longos cachos castanho-escuros.

– Não monopolize minha garota, pirralha! – Ian brincou com a irmã assim que se aproximou junto de seu pai, trajando uma calça jeans e um blazer bege por cima da camisa de botões, cumprimentando a namorada com um singelo beijo nos lábios.

Logo, ela se sentou na sala de visitas junto das mulheres, enquanto Richard Pierce mostrava aos homens as fotos de sua última viagem de pesca em Aspen. E foi naquele cômodo enorme e tão aconchegante, com todos aqueles móveis e artigos franceses de luxo, que Scarlett sentiu sua bile subir e subir e seu estômago se revirar assim como sua cabeça.

Saudações, senhoras e senhores! Sejam muito bem vindos à perfeição teatral da alta sociedade!

– Eu acho que Lauren tem um caso com o noivo da Melissa, mas vai saber!

– O quê? Não, a Melissa é quem tem um caso com o filho do próprio noivo! Eu sempre soube que ela estava com aquele velho só por causa da influência dele.

– Semana passada, Sophia estava aos beijos com Justin no clube, acreditam? Tudo bem que eles acabaram de se casar, mas que tipo de garota enfia a língua na garganta de um homem em público?

– Avery estava de novo tentando pegar Derek Hewitt, mas agora que você disse que Melissa tem um caso com ele, já sei bem o motivo…

– Isso é o de menos, porque ontem Avery estava na loja da Bvlgari, ganhando uma nova gargantilha do Jake. Ele é um nojento!

– E eu não sei? Já pegou todas as patricinhas “comprometidas” de Beverly Hills!

Fofocas, fofocas e mais fofocas. Scarlett apenas sorria e confirmava com a cabeça enquanto sentia uma vontade de vomitar corroendo seu estômago. Quantas pessoas já não deviam ter falado dessa maneira sobre ela? Pelas costas, as pessoas tiravam as máscaras e mostravam suas verdadeiras identidades de bestas – verdadeiras feras vestidas de realeza enquanto tudo o que queriam era tirar as máscaras das outras pessoas e continuar no próprio anonimato. Mas naquele mundo ninguém estava a salvo. Ninguém estava no anonimato. Tudo e todos eram motivos, pontes e razões para mais fofocas e conversas e palpites inexplicáveis sobre a vida alheia.

Verdadeiras mentes vazias de almas vazias em corpos ainda mais vazios.

A única coisa que preenchia aquelas pessoas eram o medo, o nojo e a própria e escondida auto-aversão sufocados no assombroso vácuo.

– O jantar está servido! – A empregada de pele bonita e bronzeada murmurou no hall em frente à sala; sua voz estalando como o timer de um forno quando avisa que, se a torta continuar a assar, vai acabar queimando.

Scarlett estava à beira do desastre, mesmo estando linda por fora com seu curto vestido evasê em um tom clarinho de salmão, destacando sua cintura com o grosso cinto bege da mesma cor do scarpin que calçava, exceto pelo detalhe dourado na ponta.

Todos estavam rodeados na imensa mesa com uma bela vista para a piscina do jardim – o sol do final da tarde despontando entre o verde das palmeiras e da grama ao refletirem o colorido das flores. Aquilo acalmou a herdeira por dois ou três segundos.

E Blair começou a falar enquanto a morena tentava engolir seu aspargo.

– Amsterdã estava linda durante o Natal, vocês precisavam ter visto! – Os olhos verdes brilharam à medida que sorvia um gole de seu vinho branco.

– Ah, filha, fale sobre Diego! – Sua mãe sorriu ao olhar para a garota.

– Sim, o Diego! – ela disse com uma risadinha. – Acho que ele é o homem dos meus sonhos! E é diretor de arte da GQ, acreditam? Eu o conheci no desfile da Versace e passamos toda a after-party conversando! Ele mora em Nova York, mas vem pra cá no próximo final de semana pra me ver de novo!

– Uau, você pegou um ótimo partido, querida! – Natalie disse num sorriso, olhando para a filha que logo fingiu uma expressão de felicidade.

– Espero podermos oficializar logo! Preciso de um diamante no meu dedo, por favor! – murmurou exasperada, arrancando uma risada de todos na mesa e alguns pares de olhares ansiosos para Ian e Scarlett.

– E vocês, quando pretendem oficializar a relação também? – O pai do jovem questionou ao bebericar sua taça de vinho.

– Não queremos apressar nada, pai – O empresário respondeu, sorrindo para sua garota que suspirou aliviada.

– Ah, mas não iriam apressar coisa alguma! – A mãe da herdeira logo prosseguiu com um largo sorriso e os olhos vibrantes. – Imaginem um casamento dos dois! Seria o evento do ano!

– Seria magnífico! – Candice sorriu. – Iríamos contratar o melhor buffet, um belíssimo salão em Santa Monica ou Malibu, uma lua de mel perfeita, maquiadores mais caros, um vestido fantástico da Vera Wang ou Oscar de la Renta…

A herdeira arregalou os olhos ao tentar imaginar tudo aquilo, sentindo cada palavra e expressão maravilhada das mulheres a sufocarem e efervescê-la na agonia.

– Mas eu não preciso do melhor maquiador e do melhor vestido! – ela arquejou em desespero.

– Sim, Scarlett, você terá um casamento perfeito com o mais alto ícone da sociedade americana! – Natalie tratou de ser firme ao olhar para a menina, colocando seus cabelos alaranjados atrás dos ombros ao encará-la.

– E por que vocês não me perguntam o que eu quero? Ou o que Ian quer? – A jovem morena elevou a voz ao tirar o guardanapo de seu colo e jogá-lo na mesa, frustrada, exaltada e extremamente cansada de tudo aquilo. – Já parou pra pensar se nós dois queremos um casamento perfeito com o mais alto ícone e blábláblá? Já parou pra pensar se nós ao menos queremos um casamento?

– Scarlett, onde estão seus modos? – A ruiva grunhiu ao fitar a garota do outro lado da mesa.

– Não sei, provavelmente meus modos estão no mesmo lugar que a sua cara de pau e esse cinismo todo! – ela surtou, levantando-se e olhando para todos. – Será que eu sou a única lúcida aqui? Parece que só eu vejo o quanto essa vida fútil não passa de uma grande encenação!

– Scarlett, pare com isso! – Seu pai rosnou, contendo o olhar assustado dos presentes.

– Parar com o quê? Parar de dizer a verdade, é isso? – murmurou ao esboçar um sorrisinho irônico. – Vocês não passam de um bando de urubus que só sabem falar da vida dos outros e se ostentarem! Mas – surpresa! – a vida é mais do que essa piscina rasa de vocês! E eu estou farta disso.

E ao cuspir cada uma de suas palavras, ela empurrou sua cadeira que estava ao lado do namorado, partindo para fora da sala de jantar ao pegar sua bolsa de couro e bater a porta da frente enquanto partia pelo imenso jardim rumo ao portão da entrada principal.

– Scarlett! Scarlett, por favor, espere! – Ian gritou abafado enquanto a jovem marchava enfurecida pela grama. – Scarlett, amor!

– O que você quer? – ela choramingou nervosa e assustada como uma criança assim que ele a alcançou, prendendo-a em seus braços ao olhar nos grandes olhos verdes.

– O que aconteceu? O que deu em você, querida? – ele perguntou totalmente sem direção, com medo com o que haveria ali.

– E-eu só…

– O que houve com a minha garota? – questionou com um ar abandonado ao acariciar o rosto suave e tão macio.

– A garota que você conheceu não existe mais, Ian, foi isso o que aconteceu. – murmurou baixinho, fitando as íris castanhas que estavam tão confusas quanto sua própria alma.

– O que você quer dizer com isso, Scarlett?

– Esse mundo nunca foi meu mundo – Ela meneou a cabeça, mordendo os lábios ao dizer. – Eu me sinto sufocada com tudo isso. Essa vida não é mais o bastante pra mim.

– Amor…

– Depois conversamos, Ian, eu preciso sair daqui! – falou ao respirar fundo e sair do aperto do empresário.

– Scarlett, me diz o que está acontecendo… – ele perguntou mais uma vez, um misto de fúria e medo rasgando seu peito.

– Ian, me deixe em paz! Me deixe em paz! – ela gritou completamente ensandecida com aquele controle que a agonizava.

E sem pensar duas vezes, ela correu para fora da mansão com os pensamentos em um turbilhão confuso de palavras-cruzadas; os olhos ardendo com o choro que veio e a garganta doendo ao colocar para fora toda aquela dor que a arrebentava de dentro para fora.

Às vezes, a perfeição sufoca, principalmente quando você não se encaixa nela.

Ninguém a entendia, ninguém percebia sua dor ou a ferida aberta em seu peito. Ninguém tinha a mente tão lúcida quanto a de Scarlett Hathaway – e essa lucidez era seu pior castigo. Era essa lucidez que a fazia perceber as coisas mais do que qualquer pessoa, era essa lucidez que a fazia sentir as coisas mais do que qualquer pessoa, e era essa mesma lucidez que a fazia ter consciência de que o mundo era muito mais do que a pequena redoma que a rodeava. E como uma boa rebelde sem causa – ou com uma grande causa que ninguém além dela mesma percebia – ela queria quebrar a redoma de cristal que a protegia para, então, conhecer o mundo além de seu pequeno mundo.

Muitos poderiam dizer que ela estava errada, que ela não passava de uma garota mimada que queria cometer um grande erro, que só estava querendo chamar atenção ou que estaria passando por alguma crise de 1/5 idade. Mas não. Scarlett só queria descobrir o que estava ao seu redor, só queria sair de sua zona de conforto e deixar de viver naquela peça teatral escrita pela perfeição.

Ela não queria mais fazer o papel da garota perfeita. Ela não queria mais aquela vida fútil e patética para si mesma.

A pior imperfeição era a perfeição. E ela gostaria apenas de ser um pouco mais imperfeita para saber se aquele nó em sua garganta sumiria no mesmo instante em que aparecessem suas asas, prontas para fazê-la voar até a liberdade da estrada aberta.

Assim que ela notou, com os olhos vermelhos e embaçados pelas lágrimas, que as luminárias das ruas acendiam-se pouco a pouco conforme o céu escurecia, ela pegou o celular dentro de sua bolsa Louis Vuitton e ligou para o único número que a faria se sentir livre.

– Scar? – A voz grave fez o coração da jovem se esquentar instantaneamente quando ela fungou para responder.

– Andrew, eu preciso de você.

– Você está bem? – ele perguntou com carinho ao notar as palavras estremecidas da garota.

– Não se preocupe comigo, eu só preciso de você agora – murmurou com um sorriso, sentindo-se quase bem outra vez.

Após dizer onde estava, não demorou mais que dez minutos para o britânico aparecer em toda a sua magnificente rebeldia num jeito tão James Dean de ser. E ela correu em sua direção assim que ele desceu da Harley-Davidson e a puxou fortemente contra o seu peito.

– Eu senti sua falta – ela sussurrou baixinho com o rosto escondido na camiseta preta do rapaz.

– Eu também, Scar – falou baixinho ao inspirar o perfume delicioso de morango e frésias da herdeira, puxando delicadamente seu rosto para fitar os expressivos olhos verdes cobertos de rímel e delineador. – Por que estava chorando?

– Brigas. Eu estou sempre tão frustrada e magoada! – Os lábios cheios tremeram e ele sentiu seu peito se apertar por um instante, puxando-a novamente para si.

– O que a deixa assim, Scar? – Ele franziu o cenho ao massagear os cabelos longos e escuros enquanto as pequenas mãos da jovem corriam distraidamente em suas costas, por debaixo da camiseta. – O que tem de tão imperfeito em seu mundo?

– As pessoas são sempre tão fúteis e falsas, só se importam com o dinheiro e as aparências… – Ela fungou novamente, mas logo sentiu um sorriso nos lábios ao ter uma pequena ideia. – Que tal você ver com seus próprios olhos? Conheça meu mundo esta noite, Andrew.

O inglês sentiu sua boca brincar com um sorriso sutil ao ver a expressão finalmente mais animada e feliz da garota, e ele jamais poderia lhe negar algo com aqueles grandes olhos o fitando daquele jeito.

– Oferta tentadora, madame.

– Então vamos começar com um jantar decente, porque eu estou morrendo de fome! – Scarlett sorriu, arrancando uma deliciosa gargalhada do homem assim que a puxou para a garupa de sua motocicleta.

Assim que os dois chegaram ao Citrus At Social Hollywood, a morena esperou sentir alguma coisa diferente ali. Ela já fora àquele restaurante inúmeras vezes, mas agora ansiava para ver se ele iria parecer mais aconchegante ou certo de se estar – no entanto, ela começava a perceber que talvez a resolução de seus problemas não fosse introduzir Andrew ao seu mundo e sim introduzir a si mesma em seu próprio mundo.

Ele soltou um assovio assim que passaram pelas portas francesas de vidro, adentrando o restaurante.

– Se você está querendo me convencer que o seu mundo é chato, acho que você está fazendo da maneira errada! – murmurou com um sorriso brincalhão no rosto à medida que admirava o ambiente, fazendo a garota soltar uma risadinha divertida.

O recinto possuía uma decoração extremamente requintada que lembrava o estilo renascentista, com luzes douradas vindas de belas luminárias de vidro redondas dando um charme especial. Mesas de madeira e cadeiras e sofás em tons de verde eram dispostos no carpete escuro de todo o salão, com pilastras espelhadas que se ligavam ao teto milimetricamente arquitetado, coberto por inúmeras cúpulas com desenhos feitos à mão que mais pareciam algum retrato do século XV. Os tons de amarelo e dourado forneciam um encanto pessoal de aconchego em sintonia à iluminação baixa e harmoniosa.

Eles se acomodaram em uma mesa redonda no meio do salão e logo pediram uma boa garrafa de champanhe para começarem a noite. Contudo, o que despertou a atenção da jovem não foi nada ligado à decoração maravilhosa ou às pessoas ali, e sim o britânico que retirou sua jaqueta de couro, deixando belas tatuagens à mostra.

– Eu não sabia que você era tatuado – ela comentou com um traço de encanto e curiosidade que atravessou seus olhos, mordendo os lábios ao analisar os lindos desenhos.

– Desde a adolescência – Ele sorriu, curvando-se na mesa enquanto as íris verdes admiravam cada pintura.

Seu braço esquerdo era completamente coberto pelas tattoos e, embora a camiseta preta cobrisse o início dos braços musculosos, a californiana poderia notar que o desenho começava em seu ombro e ia até o punho – num misto de desenhos tribais e flores japonesas que despertavam curiosidade. Já no braço direito ela poderia ver alguma frase em seu antebraço e, em seu pulso, as palavras “coragem” e “medo” escritas uma embaixo da outra e separadas por uma barra. Eram realmente belas tatuagens.

– O que quer dizer? – ela sussurrou ao se referir ao último desenho, tocando-o suavemente com a ponta dos dedos.

Ele franziu o cenho ao medir as palavras; ambos olhando a marca.

– Todo mundo tem medos, Scar – Sua voz soou baixa e profunda, e ele pôde ver os pelos do braço da jovem se arrepiarem. – Mas lá no fundo sempre há a coragem também. Uma anula a outra, basta decidir qual levar pra sua vida.

Seus olhos se encontraram no mesmo momento, dizendo mais que qualquer frase. Ele via a confusão e o medo nos olhos verdes, mas ela podia ver o mesmo medo e confusão nos olhos azuis, camuflados por uma coragem que ela não sabia se era real ou imposta. Pelo pouco que ela havia provado de Andrew Barnes, no entanto, ela poderia dizer que a coragem que havia ali era resultado de uma vida nada fácil para apenas um garoto que tivera de crescer rápido demais.

E durante todo o jantar, eles ficaram nessa pequena bolha que os envolvia deliciosamente, perdendo-se no olhar um do outro enquanto conversavam, rindo do camarão em seus pratos, divertindo-se ao beber goles e mais goles de champanhe. Scarlett ignorou completamente um ou dois olhares estranhos vindos de alguns amigos de seus pais que notou por ali, ela não se importava com ninguém mais.

Ela gargalhou quando Andrew a levantou e a movimentou em uma dança suave e feliz pelo salão ao som de Johnny Cash, roubando um pedaço de torta de umas senhoras esnobes e distraídas com suas próprias palavras de desprezo. Danem-se os efeitos do álcool. Ele era errado, mas era tão divertido!

E enfim ela percebeu que o problema de sua vida não era a falta de Andrew, mas sim o excesso do seu mundo que a cansava. Ela não queria uma vida regada a mentiras e falsidades – ela queria a outra vida… E isso incluía o belo britânico.

Após o jantar, o casal partiu na Harley rumo à boate há apenas dois minutos dali. A Roxbury estava lotada como sempre, vibrando de jovens em seus tons escuros de roxo e azul na iluminação contemporânea e excitante. A música da Natalia Kills sacudia os alto-falantes com a batida soturna e hipnotizante de Zombie, e Scarlett sorriu para o britânico que retribuiu com um sorriso de lado que, com certeza, deveria pertencer a Elvis Presley ou James Dean.

Ele pressionou suas mãos grandes e firmes nos quadris da garota, direcionando seus lábios pela mandíbula até chegar ao lóbulo da orelha coberto por pequenos brincos de pérolas e diamantes, onde mordiscou a pele macia, deslizando sua língua ao sentir o corpo feminino estremecer contra o seu.

“Não consegue manter suas mãos longe de mim. Eu acho que ele está olhando para mim, mas ele está olhando através de mim.”

A herdeira sentia os músculos contra o seu, mexendo, dançando sensualmente com o contato enlouquecedor de seus quadris unidos. E ela sentiu seu corpo se arrepiar quando deslizou seus dedos pelo pescoço do homem, alcançando os fios acobreados de seus cabelos assim que os olhos azuis a fitaram com a altura de um abismo.

Os dois sorriram antes de colar seus lábios em um beijo quente e tão feroz quanto o sangue que corria rápido em suas veias e artérias.

“Você me quer pelo meu corpo? Você me quer pelo meu cérebro?”

A língua quente do inglês tocou e sugou a língua da garota em uma textura alucinante, sentindo o gosto delicioso de álcool ser compartilhado por seus lábios e sugado pelo desejo que tomava os corpos de ambos. Eles conseguiam sentir o coração bater fugaz em seus peitos enquanto as mãos da jovem corriam os ombros e o cabelo do homem, que apertava sua cintura e, então, deslizava os dedos com força e vontade pelo rosto suave e puxava os longos fios cor de mogno.

“Quando ele coloca suas mãos em mim, envia arrepios através do meu corpo.”

Ela mordiscou o lábio inferior do britânico, mastigando-o deliciosamente entre seus dentes à medida que sentia o corpo grande e másculo a puxar para ainda mais perto e tomar sua boca em um beijo dominador. E os dois se arrepiaram.

– Vamos pro camarote – A voz da garota saiu baixa e estremecida por baixo da batida sensual da música, sussurrando contra os lábios do rapaz que a fitou de volta.

– Agora. – ele murmurou somente, agarrando sua mão ao subirem as escadas e chegarem ao mezanino.

A luz ali era ainda mais baixa e tinha apenas alguns pares de jovens perdidos entre amassos e bebidas – e Scar não se surpreendeu ao notar algumas mulheres irem e virem do banheiro, mexendo no nariz e com olhares tanto quanto distantes. Sorrindo, ela se ergueu na ponta dos scarpins para sussurrar no ouvido de Andrew.

– Eu tenho uma surpresinha pra gente.

E com aquele sorriso travesso de ar perigoso, a morena seguiu até o bar com iluminação escura e vermelha à medida que o britânico acomodava-se no sofá em um canto mais denso, observando as inúmeras pessoas na pista de dança que ele mesmo estava há poucos instantes. A herdeira, entretanto, curvou-se no balcão de detalhes dourados ao chamar com o dedo um específico barman.

– Você ainda vende? – ela perguntou no ouvido do homem de pele clara e olhos escuros, que sorriu instantaneamente.

E segundos depois, Scarlett se sentava ao lado do londrino com uma risadinha escapulindo de seus lábios.

– O que acha? – questionou baixinho assim que ele a encarou, agitando um pequeno pacotinho com um grama ou dois do pó branco que o barman vendia, mas ela nunca realmente tivera coragem de experimentar até a noite anterior.

Andrew sorriu arrastado antes de beijar a boca avermelhada da morena e sussurrar um “você primeiro” em seu ouvido, fazendo-a sorrir e andar tranquilamente até o banheiro feminino que estava cheio. Ao abrir uma das cabines, ela abaixou a tampa da privada, despejando um punhado de cocaína e separando-o com seu cartão de créditos. E depois de enrolar um dólar qualquer e aspirar a droga, ela gargalhou baixinho antes de socar tudo na bolsa, limpando o rosto em frente ao espelho e voltando sorridente para a área vip.

E entre idas e vindas ao banheiro, ela e o britânico se divertiam com uma dose e outra de vodca e talvez alguns shots de tequila com muito sal e limão. Enquanto seus lábios se beijavam mais uma vez, ele murmurou algo contra eles, encarando os olhos verdes.

– É disso que você não gosta no seu mundo, Scar? – inquiriu com um leve tom confuso e irônico, tentando entender o ponto da garota ao passo que deslizava suas mãos pelo rosto bonito e delicado.

Ela suspirou, enrugando o nariz em uma careta adorável ao pensar em suas palavras.

– Essa é só uma noite, Andrew – Deu de ombros, fitando seus olhos. – Durante uma noite assim é tudo ótimo, mas, quando chega o dia seguinte, lá estão os mesmos problemas, as mesmas encenações e futilidades de sempre.

– É disso que você não gosta? Das encenações? – continuou questionando, curioso.

– Isso tudo é muito frustrante, sabe? – Ela mordeu os lábios. – É como se eu tivesse que representar um papel que não é meu. Enquanto a minha vida está jogada de lado, eu estou sendo alguém que não sou de verdade.

– Então o problema não é o dinheiro? – Ele sorriu de canto, mexendo as sobrancelhas e fazendo-a rir.

– Tecnicamente, se não fosse o dinheiro e o poder, essas encenações não seriam tão úteis – respondeu com escárnio, respirando fundo. – Mas é tudo por causa de um status idiota. Ninguém se importa com ninguém, só sabe falar mal pelas costas enquanto gastam seus dinheiros como se mais da metade do mundo não fosse tão miserável a ponto de nem conseguir comprar a própria comida!

Ele assentiu ao franzir a testa, sentindo a angústia de sua menina.

– Eu não preciso de roupas patéticas de grife e um carro de um milhão de dólares, Andrew – ela sussurrou, encarando suas íris azuis. – Ninguém precisa. A ostentação é uma idiotice.

– Eu entendo o seu ponto – O jovem murmurou preso na lucidez, embora sua mente tivesse pequenos lapsos animados pelo pó.

– Eu sei que entende, Andrew – Ela sorriu, mas antes que pudesse prosseguir e dizer qualquer outra coisa, seus olhos acompanharam uma figura que apareceu no outro lado do mezanino do camarote. E seu coração pulou uma batida.

– O que foi? – O inglês perguntou ao ver a expressão de espanto da morena, olhando ao redor para ver o que estava acontecendo.

– Uma amiga! – replicou ao voltar seu olhar para ele, levantando-se rapidamente do sofá. – Precisamos dar o fora. Se ela me vir…

– Então vamos! – ele falou somente, pegando a herdeira pela mão e correndo para a outra saída da área vip.

Scarlett deu mais uma olhada para trás, vendo Blair chegar acompanhada de Melissa, Lauren e mais alguns playboys do oeste de LA. Se a cunhada a visse ali, ela nem gostaria de imaginar o desastre que aconteceria.

Então ela correu agarrada ao britânico, descendo em disparada as escadas de ferro do lado oposto ao chegarem à pista de dança e atravessarem entre centenas de pessoas, correndo esbaforidos e agitados por toda aquela adrenalina até alcançarem a porta de frente da boate e pisarem no asfalto.

E Scar não conseguiu conter as risadinhas que atravessaram sua garganta. Andrew a olhou com um rosto divertido assim que pararam no meio da rua, gargalhando quando os olhos verdes o fitaram travessos e divertidos por trás de toda aquela adrenalina.

Eles sentiram a cocaína bater em seus cérebros à medida que o álcool anuviava e alucinava suas mentes, dando-lhes a sensação de que a invencibilidade estava mais próxima do que qualquer objeto palpável. E a californiana mordeu os lábios com um sorriso sapeca antes de puxar o rapaz contra o seu corpo e prendê-lo em um beijo que enviou uma mensagem de perigo e desejo que tocou cada uma de suas células.

O homem prendeu suas mãos na cintura da morena, trazendo-a para si enquanto sugava sua boca e sentia o membro latejar contra seu baixo ventre. E ele se arrepiou ao sentir as longas unhas vermelhas arranharem suavemente suas costas por baixo do tecido da camiseta. Sua vontade era jogar a garota em suas costas e fodê-la até esquecer seu nome.

Em meio a beijos e mãos bobas, Andrew a puxou para sua moto e saiu dali o mais rápido que pôde, levando-a para um lugar que ela não fazia ideia, mas que ela iria com toda certeza. Os lábios femininos e macios brincavam no pescoço e na nuca do inglês, fazendo seus pelos se eriçarem à medida que seus olhos tentavam se manter atentos à estrada, apenas sentindo as coxas da morena contra os seus quadris e suas mãos acariciando seu abdômen. Era sensualmente delirante.

Logo estacionaram em algum prédio antigo próximo ao Historic Core e, com a boca do londrino colada a sua, Scarlett percebeu que eles estavam no apartamento dele. Andrew fechou a porta com os pés enquanto empurrava a mulher contra a parede e repuxava as longas pernas que rodearam sua cintura. E ela gemeu ao sentir o volume contra seu baixo ventre, estocando-a deliciosamente entre as roupas enquanto os lábios quentes e ferozes do jovem a beijavam.

Suas pequenas mãos deslizaram pelos ombros largos, arrancando a jaqueta de couro para longe dos braços musculosos. A boca do londrino escorregou para seu pescoço, sugando a pele macia e alva e fazendo a garota delirar com um gemido que arrepiou Andrew. E as mãos firmes dele apertavam suas coxas e subiam por sua bunda, agarrando-a e deixando-a sentir ainda mais a ereção que doía em contra seu jeans.

– Oh, Andrew – ela sussurrou, mordendo o lábio quando os longos dedos deslizaram em sua pele por debaixo do vestido claro.

– Tão gostosa, Scar… – murmurou de volta com a voz entre arquejos, subindo sua boca novamente até a dela para encarar as orbes verdes em desejo. – Eu quero você.

– Foda-se, eu também quero você – Suspirou com os olhos exasperados, puxando-o para um beijo quente enquanto seus dedos tocavam o abdômen definido do homem e puxava sua camiseta preta para cima, jogando-a em algum lugar da sala escura.

Logo ela sentiu seu corpo ser levado para o quarto assim que ele a colocou de pé sobre o chão encarpetado, distribuindo beijos molhados por seu pescoço ao afastar seus cabelos e deslizar o zíper de seu vestido para baixo, revelando um corpo esbelto e apetitoso coberto apenas por uma lingerie branca e rendada.

Ela conteve um gemido quando as grandes mãos abaixaram as alças de seus ombros e deixaram o tecido cair de seu corpo para tocar o piso. Ele, no entanto, não conteve um grunhido de prazer e o toque nervoso de sua pele contra a pele da garota. E tocou a cintura nua de Scarlett ao apreciar os deliciosos e pequenos seios envolvidos pelo sutiã quando ela colou seus lábios em mais um beijo embriagante.

A morena sentiu os dedos firmes embolando-se em seu cabelo enquanto ela apertava e arranhava as costas deliciosamente musculosas, fazendo-o gemer em sua boca. Ela desceu suas mãos até o cós da calça escura, infiltrando-as até tocar o traseiro delicioso do homem por debaixo da boxer que ele usava, colando seus corpos ainda mais e não conseguindo resistir ao volume tentador que tocava sua barriga.

Scarlett levou seus dedos para o fecho do jeans, desabotoando-o e abaixando o zíper até sentir o tecido raspar pelas pernas fortes do londrino, coberto apenas por uma boxer preta de dar água na boca. E ela encarou os intensos olhos azuis assim que ele afastou seus lábios, deslizando as grandes mãos pelos seios cobertos pelo sutiã de rendas que a deixava com um ar diabolicamente angelical. E, então, jogou-a na cama, subindo sobre o corpo pequeno que o fez salivar.

Ela mordeu os lábios entre um longo gemido assim que a boca e a língua de Andrew circularam sua barriga, subindo torturantemente para o seu colo assim que desatou o fecho do sutiã e o deslizou para longe. Ele lambeu os lábios ao apreciar a deleitável beleza daquela californiana e fitar seu rosto quente com aqueles longos cabelos escuros espalhados entre os lençóis.

– Você é minha, Scar – murmurou ao tocar seus narizes, sentindo suas respirações saírem erráticas em um arquejo. – Minha.

– Toda sua, Andrew – Ela suspirou contra um beijo em seus lábios, os quais desceram sensualmente até tocar seus peitos e circularem seus mamilos prazerosamente. – Sou toda sua.

As mãos do britânico apertavam os seios enquanto sua boca rodeava a aréola firme e intumescida em um tom rosado que o fez salivar em deleite, desfrutando do sabor deliciosamente viciante de Scarlett Hathaway. Os gemidos e suspiros que ela soltava eram os maiores prazeres de Andrew, sentindo seu membro pulsar em sua boxer com a vontade delirante de se enterrar naquela bela garota. E assim que suas mãos e seus beijos vagaram rumo ao sul, ele esboçou um suave sorriso em seus lábios ao ouvir o delicado arquejo que ela soltou, colocando a pequena mão sobre os dedos do homem que a tocavam por cima da calcinha – e ela gemeu de prazer.

Ele deslizou o pequeno tecido rendado pelas longas pernas, deliciando-se com a visão maravilhosa daquela mulher nua em sua cama e a prendendo em um beijo enquanto escorregava suas mãos para a intimidade da jovem.

– Você está tão molhada, Scar… – Os dois gemeram com a sensação entorpecente; e o inglês movimentou seus dedos em sua entrada e, então, voltava para o clitóris em um vaivém que anuviou a mente da herdeira.

Ela tocou o rosto suave do homem e os girou na grande cama, deitando-o sobre os lençóis e gemendo quando ele a penetrou com um dedo e, em seguida, escorregou ambas as suas mãos para os quadris alvos e gostosos da morena. Deitada em suas coxas, ela tirou a boxer preta de Andrew, deslizando-a por suas pernas e a jogando em algum canto enquanto mordia o lábio inferior ao fitar a grande ereção que fez seu baixo ventre pulsar em desejo.

– Eu quero você dentro de mim, Andrew – A jovem sussurrou com os olhos brilhando de excitação, tocando o membro enriste do britânico.

Ela sorriu maliciosamente assim que ele lhe entregou uma camisinha que estava sobre o criado-mudo, abrindo-a e a deslizando por todo o comprimento, o que a fez se arrepiar com o gemido delicioso que saiu dos lábios dele.

E não foi necessária mais nenhuma palavra. O homem girou-os outra vez, prendendo a morena embaixo de seu corpo musculoso em um suave bronzeado e a fazendo arquejar em anseio ao sentir sua ereção tocando-a exatamente onde ela mais ansiava.

– Porra, Scar… – ele sussurrou, apertando os quadris da jovem assim que ela rodeou suas pernas ao longo dele e, então, foi penetrada pelo membro longo e grosso do inglês.

– Ah – gemeu ao senti-lo preenchê-la, agarrando o rosto do jovem e puxando os cabelos de sua nuca ao mexer seus quadris em uma sincronia delirantemente perfeita a de Andrew.

Começou suave em um movimento lento e hipnotizante e, então, seus corpos uniram-se suados e calorosos em um ritmo que os embriagou mais do que qualquer droga ilícita.

O homem deslizou suas mãos para os seios da garota, apertando-os e arrancando gemidos enlouquecedores dela, que estava a ponto de perder o único fio que ainda a ligava à consciência. Era quente, era excitante, era libertador. Era como se Andrew estivesse em cada canto de sua mente e de seu corpo, tocando-a com a mais sincera e hipnotizante vontade e sedução.

Suas mãos viajaram para as costas nuas e musculosas, arranhando-as com suas unhas stiletto em um vermelho vibrante e fazendo o britânico gemer e grunhir em seu ouvido, estocando com força enquanto ela movia seus quadris cada vez mais com ele e contra ele.

– Andrew! – ela gritou ao sentir as mãos em sua bunda e ele penetrar fundo. Estava tão perto…

– Merda, Scar, você é tão apertada… – O londrino gemeu com a voz arfante, deslizando seu rosto até tocar os narizes de ambos. E ele viu os olhos da morena gritarem em prazer.

Os movimentos estavam rápidos, fortes, erráticos e completamente perfeitos naquele vaivém embriagante que unia seus corpos escorrendo suor e desejo. E Scarlett gemeu outra vez, franzindo o cenho e sentindo-se cada vez mais perto.

– Porra, Andrew, eu vou…

– Goze, goze pra mim, Scar – ele pediu em arquejos, respirando pesado contra o rosto da morena antes de puxá-la para um beijo quente e aumentar suas estocadas.

Ela apertou os olhos ao sentir seu baixo ventre formigar e os seus ossos derreterem com aquela sensação deliciosa que estava cada vez mais próxima.

– Abra os olhos, Scar – Andrew sussurrou ao encostar seus narizes outra vez, encarando as íris verdes e exasperadas em desejo da mulher. – Eu quero ver você.

E foi como o pedido final de uma prece, fazendo-a sentir seus músculos rodearem o membro do homem e apertá-lo delirantemente enquanto ela gritava ao sentir o prazer preencher cada fibra e cada célula de seu corpo.

O britânico viu os olhos verdes foguearem em prazer, e espasmos tomarem o corpo da garota quando ela soltou um longo gemido que o arrepiou, seguido de outro grito de deleite que se misturou ao rosnado de Andrew e os arrebatou por completo enquanto explodiam em um prazer inexplicável.

E Scarlett sorriu.

Era seu pequeno pedaço de paraíso.

 

“Vermelho, branco, azul está nos céus

O verão está no ar

E, baby, o paraíso está em seus olhos”

Por Raphaella Paiva

Raphaella Paiva
Escorpiana, 20 anos. Estudante de Letras - Português pela Universidade Federal de Goiás, escritora em pré-contrato e uma beatnik nascida na época errada. Descobriu Lana Del Rey em 2011 quando Video Games roubou seu coração, tornando-se uma tradutora, redatora e colunista que adora um teste do sofá no Addiction. Cinéfila que também ama jazz e blues, Pink Floyd, Arctic Monkeys, Kristen Stewart, Marilyn Monroe e qualquer coisa escrita ou filmada por Woody Allen.
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