Dark Paradise | Capítulo 2: Gods & Monsters

por / terça-feira, 17 dezembro 2013 / Publicado emFanfics

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“Numa terra de deuses e monstros

Eu era um anjo vivendo no jardim do mal

Fodida, assustada, fazendo qualquer coisa que eu precisava

Brilhando como um farol em chamas”

 

Ele e tudo o que tocava tinham gosto de quatro de julho. O dia da independência estadunidense, a liberdade em suas veias e artérias, transportando um fluxo de oxigênio e energia que intrigava a todos por onde passava. Inclusive Scarlett.

– Pra onde estamos indo? – ela perguntou pela terceira vez desde que disse “sim” à proposta e Andrew a arrastou para fora do pub, com ela lhe oferecendo o Jaguar para irem até outro ponto de Los Angeles.

– Você não desiste, não é? – retrucou com um sorriso de lado em divertimento, desviando os olhos da estrada por um segundo para ver as íris verdes curiosas da garota. – Ok, vamos ao Old Paul’s, conhece?

– Não – Franziu o cenho ao morder o lábio inferior; um misto de temor e excitação deslizando por seus músculos.

– É uma espécie de pub em Hollywood, estamos chegando. – Sorriu, apreciando apenas o barulho noturno da cidade enquanto as luzes de postes e bares iluminavam o interior do automóvel caro e esportivo.

A herdeira de fato deveria ser louca por deixar um desconhecido dirigir seu carro para um lugar totalmente incógnito, mas toda aquela adrenalina apenas servia como uma descarga de sentimentos e sensações que nunca haviam tomado seu corpo antes. Ela podia sentir a vibração e o brilho por trás dos seus olhos, o aroma do perigo e o gosto tão suave que o beijo tão recente do britânico havia deixado em seus lábios.

Alguns dizem que genialidade e loucura são sinônimos que apenas certas pessoas podem identificar – e a morena com certeza seria uma delas. Para ela, Andrew era muito mais do que um homem que ela jamais havia visto na vida. Para ela, era o descobrimento de uma nova terra que ela apenas conhecia pela televisão e contos que viajavam em seus pensamentos desde que criara idade o suficiente para se aventurar em ideias insanas e cada vez mais sombrias.

Scarlett não queria ser má. Ela só não queria mais trair aquela vontade irrefreável que dominava seu peito.

– Voilà! – O inglês sorriu ao estacionar o Jaguar vermelho em frente ao pub de uma área não muito movimentada do setor, as ruas escuras e alguma música do Nirvana soando de dentro do estabelecimento.

Na calçada havia algumas motocicletas reluzentes e um grupo de pessoas fumando e conversando, incluindo duas mulheres morenas e bonitas que sorriram para o britânico assim que ele saiu do veículo, aproximando-se da herdeira.

– Está tudo bem? – ele inquiriu com um olhar confuso e levemente preocupado para ela, sem nem perceber as outras duas que o encaravam.

– Tudo ótimo! – A jovem respondeu com um sorriso largo, despojada ao engolir a pontada do sentimento que a tomou ali. Qual é? Ele era dela essa noite, vadias.

– Então vamos! – Andrew sorriu de volta, fitando-a com aqueles olhos perigosos e hipnotizantes antes de envolver a mão grande ao redor dos dedos da garota e a puxar para a entrada do pub.

E era diferente de tudo o que Scarlett já havia visto com seus próprios olhos.

O ambiente era todo revestido em madeira escura e pequenos tijolos ornamentais, a luz era baixa e escura, despontando alguns pontos dourados e azul-escuros ao redor do bar. Mesas de madeira eram dispostas por todo o enorme e sombrio salão enquanto um balcão ao fundo tinha uísques e licores dispostos nos armários de vidro atrás, com alguns barmen já preparando um drinque e outro para os clientes.

E por toda a penumbra do ambiente, era possível ver vários grupos ao redor das mesas de sinuca em alguns cantos, a fumaça dos cigarros anuviando o ar e os acordes tentadores e delirantes por baixo da voz de Kurt Cobain em Heart-Shaped Box.

De repente, ela se sentiu vestida inapropriadamente para uma ocasião.

– O que houve? – Andrew questionou com os lábios em seu ouvido, fazendo-a se arrepiar brevemente com a deliciosa sensação.

– Acho que minha roupa não condiz muito com o lugar… – ela disse com um sorrisinho sarcástico ao fitar o jovem.

Os olhos azuis desviaram do rosto da morena para seu corpo esbelto e de curvas suaves, o que fez os lábios dele se curvarem ligeiramente para cima em um sorriso provocante, embora deliciado.

– Não seja por isso.

E ao murmurar essas simples palavrinhas, os dedos do inglês se desvencilharam dos dela em direção ao cardigã caro e bonito ao redor de seus ombros; ela mordeu o lábio inferior em expectativa e curiosidade.

– Importa-se? – ele questionou sensualmente, seu sotaque banhando cada letra, à medida que a garota simplesmente arqueou uma de suas delineadas sobrancelhas com um sorriso malicioso.

– À vontade.

E sem mais qualquer questionamento, Andrew rasgou a frente do delicado casaco lilás, fazendo alguns botões saltarem enquanto a morena disfarçava um pequeno grito de surpresa, vendo as mãos grandes e firmes do homem puxarem com destreza a vestimenta de sua pele antes de embolá-la e a jogar em um canto qualquer do bar.

– Espero que ela não tenha um grande valor sentimental pra você – falou em um tom baixo, referindo-se ao cardigã ao trabalhar seus dedos nos primeiros botões da camisa branca da jovem.

– Nenhum – Ela sorriu sem conseguir tirar os olhos daquele rosto de traços fortes que escondiam os maiores segredos que sua mente poderia sequer formular.

E logo, Scarlett já poderia ser facilmente incorporada ali com a camisa expondo o vale entre seus seios e o início do sutiã preto de rendas que os cobriam, fazendo um conjunto perfeito com o short surrado e o Converse preto em seus pés. Os olhos de longos cílios e delineador, assim como os lábios cheios suavemente avermelhados, eram os finais perfeitos da peça de convite para a pureza e o pecado.

Andrew se viu totalmente absorto naquela pequena e adorável estranha.

– Então… – A garota falou divertida, colocando as mãos na cintura ao observar os olhos azuis sobre seu corpo. – Tive a promessa de uma noite com novos conhecimentos…

Ele ergueu a sobrancelha em resposta antes de esconder um sorrisinho de canto.

– Só estamos começando – Apontou com a cabeça em direção ao bar, andando com a morena em seu encalço. – Já teve uma noite com José Cuervo?

– Quem? – Ela piscou; os lábios formando um pequeno “o” assim que reclinaram até o longo balcão de madeira.

– Pelo visto não! – O britânico riu baixinho, avistando o jovem amigo de pele bronzeada e cabelos escuros na cadeira ao lado. – Paul! Quem é vivo sempre aparece!

– Barnes! – Ele se virou para abraçar o companheiro, deixando visível uma longa tatuagem ao longo de seu braço, o que logo despertou a curiosidade de Scarlett.

– Não aparece mais nem em seu próprio pub?

– Sabe como é. Os negócios paralelos sempre tomam tempo – respondeu com um olhar secreto e divertido, assim como o inglês, antes de ter sua atenção tomada pela bela morena. – E quem é esse anjo?

– Scarlett Hathaway – Sorriu maliciosa ao apertar a mão do homem de traços fortes, quase indígenas.

– Paul Miller – apresentou-se, abrindo as mãos em sinal de exuberância ao prosseguir. – Curtindo o lugar?

– Adorando cada pedaço. – ela respondeu com um sorriso provocante.

– Cara, já adorei a sua garota! – O moreno comentou em uma voz vibrante ao apertar os ombros do britânico, que riu.

– Ela agora vai conhecer o bom e velho José Cuervo – ele murmurou, olhando para a garota antes de se curvar no balcão e pedir uma dose ao barman.

– Vou deixar vocês dois à vontade! – Paul piscou. – Qualquer coisa, estarei lá em cima, Barnes.

Andrew fez um gesto para o moreno alto quando se afastou, voltando-se para a morena ao lhe entregar a forte bebida.

– O que diabos é isso? – perguntou esperta, franzindo os lábios ao fitar o líquido dourado que exalava álcool.

Ele soltou uma risada enquanto pegava a sua própria dose.

– Uma tequila mexicana pra começar a noite!

E, com isso, entornou a bebida goela abaixo sob os olhos da morena que decidiu fazer o mesmo. O rosto delicado e feminino curvou-se em uma careta ao sentir o líquido descer queimando sua garganta e sua mente girar por um segundo ou dois.

– Boa, não é? – O britânico questionou com um sorriso, deliciado com as expressões da menina.

– Parece que acabei de abraçar o capeta.

A gargalhada do homem foi alta e Scarlett sorriu de lado ao vê-lo tão despojado e leve. Ele a cativava.

Era como se Andrew Barnes despertasse todas as mensagens e recados mais ocultos escondidos em seus pensamentos, fazendo-os acordarem para um mundo novo após noites e mais noites perdidos em si em uma redoma de cristal em que nada poderia lhe acontecer. Aquela, no entanto, não era mais uma de suas madrugadas como princesa de Mônaco ou qualquer regalia luxuosa que se comparasse a ela. Aquela era sua noite como Jim Morrison.

E foi assim quando ela entornou outro gole de José Cuervo e se sentiu a própria Frida Kahlo em suas farras e competições de bebidas e noites de tequila. Foi assim quando o britânico lhe apresentou aos limões e sais como acompanhamentos e uma dose e outra de vodca enquanto contava o quanto sua vida era um saco em Bel Air, com todos os diamantes e rivieras que meninas ao redor do mundo sonhavam – sem saber que o preço que se pagava por uma vida cheia e fútil era, na verdade, um vazio coberto por poeiras de estrelas cadentes em suas mortes iminentes.

Ela era como uma estrela perdida no universo que morria lentamente, apagando-se pouco a pouco a cada dia que nascia.

No entanto, ela ganhou uma nova perspectiva quando dois casais de amigos do seu acompanhante da noite chegaram com seus sorrisos perigosos e sortidos, alguns cigarros nos lábios e shots de tequila nas mãos. Eles eram, sem dúvidas, variações de Andrew Barnes com seus jeitos “foda-se” de tratar tudo – as palavras de uma das garotas, Anya, soando repetidamente em seus ouvidos: “Viva rápido, morra jovem, seja selvagem e divirta-se!”.

Matt Standen e Rosalie Carter pareciam os mais desencanados e cheios de sorrisos brilhantes e beijos descarados entre si. Os longos cabelos lisos da loura esvoaçando a cada movimento sutil e os carnudos lábios pintados de vermelho fechando-se ao redor do cigarro, aspirando lentamente a fumaça como alguma estrela de cinema dos anos 20. Seu namorado era alto e forte, cheio de músculos e um sorriso despojado no rosto suave de olhos azuis e cabelos curtos e ondulados, no mais severo dos tons negros da noite.

Os outros dois pareciam um pouco mais absortos em suas bebidas e olhares perigosos – Anya Dobreva com seus longos e leves cachos amendoados rodeando sua cintura em sintonia com os lábios cor de vinho ao sussurrar algo no ouvido de Demetri Fuller, que possuía expressivas íris castanhas ao redor das pupilas dilatadas e rebeldes cabelos de um castanho alourado. A jovem parecia alguma deusa das antigas estátuas gregas enquanto o louro tinha um sotaque britânico tão forte quanto o de Andrew.

– Mas o que uma princesa está fazendo aqui? – Rosalie comentou com a voz suavemente áspera em um tom irônico, enquanto o moreno beijava entretido seu pescoço. – Visitando o subúrbio?

Scarlett franziu o cenho à medida que o inglês fez uma cara feia, repreendendo a loura.

– Rose!

– Deixe-me adivinhar… – Ela arqueou uma de suas delineadas sobrancelhas, curvando-se sobre a mesa ao fitar a morena e ignorar completamente a repreensão. – Revoltou com o papai e a mamãe e decidiu bancar a inconsequente por algumas horas?

– Não, eu não “banquei a inconsequente”! – A garota retrucou sarcástica ao movimentar os dedos com aspas invisíveis; os olhos verdes soltando faíscas. – Você não sabe nem um terço das coisas que eu passei, então não tente me reprimir ou me rebaixar por não pertencer a esse lugar.

A loura mordeu o interior das bochechas ao ouvir aquelas palavras, ignorando a expressão sombriamente surpresa de Andrew à resposta enquanto os outros três seguravam um risinho. Era comum de Rosalie extrapolar e querer marcar território – não que o britânico fosse algo além de um amigo, mas aquele era o seu ambiente e o seu grupo.

Logo, o inglês engatou alguma conversa com Demetri, e a morena pegou uma garrafa de Budweiser para lhe fazer companhia antes de sentir o sorriso de Matt em sua direção, fazendo-a encará-lo com curiosidade.

– Não dê muita corda pras coisas que a Rose fala, ela soa um pouco esnobe e egoísta às vezes, mas é só o jeito dela de testar você – ele murmurou com seus olhos azuis e leves sobre a garota. – Ela só não quer que você faça alguma estupidez ou acabe colocando a todos nós em encrenca.

– Matt, eu nunca…

– Eu sei, Scar – falou seu apelido em um tom gentil, arrancando um sorrisinho dela. – É assim que Andrew a chama, não é? Acho que combina mais com você; Scarlett é formal demais.

Ela riu baixinho, assentindo.

– Eu gosto de Scar.

E por mais que aquela fosse uma visão completamente diferente de tudo que já havia provado antes, a jovem gostava de tudo aquilo – na verdade, ela adorava. Poder conhecer um universo paralelo tão distinto do seu era quase como uma brisa de ar fresco em seus pulmões ou como aquela sensação de liberdade e preenchimento ao aspirar a doce baunilha da cocaína, sentindo-a lhe rasgar por dentro até encontrar o cérebro e cada uma de suas sinapses nervosas.

No entanto, nada disso se comparava ao sentimento maravilhoso de poder e curiosidade ao conhecer um pouco mais do mundo do estranho Barnes. O jeito que ele ria com alguma piada estúpida de Matt ou alguma frase indiscreta de Anya, ou o modo como ele tratava Demetri como seu “irmão de pátria” – ganhando uma leve atenção da morena ao imaginar o que teria levado um britânico como ele à ensolarada Califórnia –, ou ainda o sorriso gentil que ele sempre dava a Rose, roubando seu cigarro vez ou outra e ganhando um olhar carrancudo da loura.

Era uma face além do olhar perigoso que exalava um sinal de alerta para qualquer um se afastar. Ele era como aquela ideia da morte – todos a temiam, mas uma vez que já a tinha a sua frente e não poderia escapar, achava-a a mais bela e tentadora experiência já sentida.

E ele era lindo, mas isso era óbvio. Andrew Barnes era tão belo quanto James Dean em seus melhores dias. O porte alto, o corpo levemente musculoso, os ombros largos e fortes em uma harmonia quase divina com seus lábios finos, o sorriso largo de dentes incrivelmente brancos e alinhados, a mandíbula marcada, o nariz reto e os olhos… Ah, aqueles olhos tão azuis e profundos apoiados pelas sobrancelhas grossas e belas, alguns tons mais escuras que a cor perfeita de cobre dos revoltos cabelos.

Scarlett estava amando participar de tudo aquilo, interessada por aquele pedaço de mundo novo entregue em uma pequena bandeja de prata como uma sobremesa servida displicentemente antes do jantar. E ela queria aquele pedaço e, quem sabe, até repeti-lo.

– Então, gata, como você conheceu o nosso bad boy ali? – Anya questionou com um sorriso suave ao se reclinar na mesa redonda. Os caras haviam ido até o balcão do outro lado do barpara pegarem mais algumas bebidas.

– A gente se esbarrou no pub da Fairfax Ave e algo meio surreal aconteceu entre eu e ele que nos ligou tão de repente – Ela deu de ombros, querendo que a pequena fantasia ficasse apenas entre os dois. – Depois ele me convidou pra uma noite diferente e era tudo o que eu precisava.

– Ele é meio intimidante às vezes, não é? – Rose comentou com um sorriso ao participar da conversa das garotas, esquecendo seu ataque de minutos antes.

Scarlett surpreendeu-se de início, mas devolveu um sorriso afável à loura, apoiando os braços na mesa.

– Um pouco, sim, mas eu meio que gosto disso.

– É, ele sempre foi assim, eu acho – A outra morena murmurou, recebendo um olhar curioso da herdeira Hathaway.

– Vocês o conhecem há quanto tempo?

– Há alguns pares de anos já – Anya respondeu, acendendo um cigarro entre os lábios ao passo que a loura assentia. – Demetri o conhece há mais tempo, parece que eles viveram no mesmo lugar quando eram adolescentes.

– Como assim? Um internato ou coisa do tipo? – inquiriu confusa, ouvindo uma risada baixinha de Rosalie.

– Casa de abrigo – respondeu somente, ganhando um silencioso “oh!” de compreensão que atravessou olhos da menina. Ela imaginava que Andrew não tivera uma vida fácil, mas aquilo foi como um choque de realidade em meio à atmosfera quase inebriante.

– Então ele é órfão? – ela perguntou baixinho, com medo de as palavras soarem concretas e duras demais se ditas em um tom mais alto.

– Provavelmente, mas não sabemos de muita coisa – A loura deu de ombros, bebericando sua cerveja. – Andrew não gosta de falar sobre isso.

A jovem assentiu vagarosamente ao voltar sua atenção à Budweiser a sua frente já quase no fim. Ela já sentia sua cabeça parcialmente mais leve e fresca, mas um bichinho se remexeu dentro dela ao querer saber um pouco mais sobre o britânico que a salvara de mais uma noite patética de seus sonhos. Ela queria descobrir e desvendar cada um dos fatos e segredos que Andrew tão obscuramente guardava. Seriam esses os seus demônios? Ou havia mais coisas por baixo da cobertura?

Scarlett simplesmente precisava saber. Ele a salvara e ela sentia a necessidade de fazer o mesmo.

A risada espalhafatosa de Matt, porém, levantou o olhar da garota até ele e os outros dois homens que retornavam à mesa – garrafas de Absolut na mão e olhares ansiosos nas íris.

– Uma partida de sinuca, garotas? – Demetri se aproximou com um sorriso no rosto jovial e bonito, puxando Anya da cadeira enquanto Rose e Scar se levantavam com olhares divertidos.

– E trouxemos uma surpresinha também – O britânico murmurou ao se aproximar da herdeira, sorrindo de lado ao levantar um punhado de maconha num pequeno pacotinho transparente. A garota tentou disfarçar a surpresa que brilhou em seu rosto num misto de susto e curiosidade.

– Manda aí, Andrew! – A loura exclamou com uma expressão travessa, retirando alguns papéis de seda do sutiã por baixo do vestido curto e preto, logo começando a preparar seu fumo ao escorar na mesa de bilhar oposta à que começariam a jogar.

Demetri e Anya separavam alguns shots de vodca com sorrisos nos rostos e um beijo e outro nos lábios à medida que o inglês conversava algo com Matt ao pegarem os tacos de sinuca e prepararem as bolas enumeradas na mesa.

A morena entornou uma dose da bebida vulcânica e translúcida antes de se encostar à mesa ao lado de Rose e observar a primeira tacada de um Andrew sorridente e perigoso. Ele era ainda mais lindo e fodidamente sexy ao lançar aquele olhar sobre as sobrancelhas e fazer Scarlett sorrir e morder a almofada do polegar para conter o formigamento que descia até seu baixo ventre.

– E aí, Grace Kelly, vai querer? – A mulher de cabelos dourados perguntou em um tom baixo e quente para a menina; os olhos cor de violeta fumegantes por trás da suave tragada em seu cigarro.

A morena apenas deu de ombros ao pegar a tira de seda e espalhar com cuidado a erva, antes de depositar o saquinho na borda da mesa. Os dedos finos e com as longas unhas em um vermelho vibrante enrolaram com destreza o papel e, ao olhar para cima e fitar as pupilas dilatadas do inglês hipnotizado com cada movimento seu, ela lambeu gentilmente todo o comprimento do pequeno baseado para finalizar seu fumo.

Andrew teve que controlar o aperto em seu jeans ao observar a cena, ainda sem desviar o olhar no instante em que a garota queimou a ponta do papel e, então, finalmente tragou lenta e excitantemente o cigarro que havia acabado de preparar – e ela sorriu ao sentir a fumaça quente sair de seus lábios cheios ao ter o gosto da marijuana em cada ponta de sua língua.

O homem se aproximou devagar ao entregar seu taco para Anya fazer a jogada, e Scar se sentou em cima da mesa de bilhar enquanto ele rodeava a que estava jogando até parar ao lado da morena de olhos verdes. O olhar arrasador do britânico fez a jovem se arrepiar ao sentir o cheiro de uísque vindo dele à medida que ela tragava a maconha.

E sem dizer qualquer palavra, a morena simplesmente ofereceu o baseado pra Andrew, sentindo os dedos longos e quentes tocando os seus antes de ele abocanhar e sentir a erva em seus poros, soprando a fumaça logo em seguida. Assim ficaram durante um cigarro ou dois, apenas assistindo o grupo de amigos rindo e fumando ao jogarem sinuca e fazendo um comentário e outro, com Andrew lhe sussurrando alguma conversa ao pé do ouvido e a fazendo suspirar quando sentia o sabor da boca do homem ao redor do baseado sempre que tragava outra vez.

– Eu adoro o jeito que você me olha enquanto eu trago – ela murmurou com um sorriso ao entrelaçar o baseado em seus dedos e sentir a nuvem branca ao redor.

– Que jeito? – O jovem sorriu de lado, movendo seu corpo e ficando de frente à linda menina, apoiando-se em suas mãos de cada lado dela.

Com suavidade, Scarlett puxou a marijuana novamente em seus pulmões, soprando a fumaça vagarosamente contra os lábios do britânico.

– Esse jeito – ela explicou em um sussurro. – Me faz arrepiar.

– Assim? – perguntou baixinho, deixando seus dedos caírem nas coxas da garota e separá-las em um movimento lento que pingava sensualidade, ficando ainda mais perto do corpo pequeno e trêmulo enquanto deslizava a ponta de seus indicadores ao longo dos braços alvos.

– Sim… – A morena suspirou, fechando os olhos ao se apoiar nos ombros largos cobertos pela jaqueta de couro.

E o nariz reto e gentil traçou cuidadosamente o pescoço feminino que cheirava a frésias e primavera, alcançando sua orelha ao sussurrar:

– Vamos ficar sozinhos.

– Por favor… – ela disse em um choramingo, sentindo as mãos grandes do inglês a puxarem para fora da mesa segundos antes de flutuar com ela para as portas dos fundos do pub escuro e acolhedor.

O beco estava vazio e era iluminado apenas pela luz dourada de uma luminária ao longe; o som abafado de alguma música do Bruce Springsteen vindo do bar enquanto o inglês puxava a californiana até uma motocicleta preta e reluzente ao melhor estilo Harley-Davidson.

– Andrew, você sabe de quem é essa moto? Não podemos chegar assim…

– Shhh… Ela é minha, eu sempre deixo aqui no Paul quando quero caminhar pra espairecer – ele sussurrou contra os lábios da garota ao escorar no assento do veículo e puxá-la pelos quadris em sua direção.

– Então você é como aqueles motoqueiros inconsequentes? – ela brincou com um sorriso arrastado em sua boca, deslizando carinhosamente o cigarro de cannabis entre os lábios do britânico.

– Não, eu só gosto do vento no meu rosto às vezes… – Sorriu de canto ao dar de ombros, pensando que, pela primeira vez em muito tempo, ele se sentia realmente bem sem estar embriagado para pensar na vida – ou fugir dela.

Era inegável que Scarlett era como uma anfetamina em cada uma de suas células, com seu jeito inocente e intocável que apenas o fazia se sentir mais desejoso e com vontade de lhe oferecer o mundo. Ela o fez viciar muito mais rápido que muitos tipos de drogas que já havia experimentado.

Ela era linda e naturalmente sensual ao esboçar um suave sorriso enquanto ele segurava o baseado em seus lábios avermelhados e a via tragar calmamente o sabor da maconha, admirando cada uma de suas reações pós-êxtase no instante em que ele deixava o fumo descansar de volta em seus dedos apoiados na motocicleta.

Mas quando ela abriu os grandes olhos verdes para fitá-lo de volta, foi como se a órbita tivesse parado por um instante. Aquelas íris tão profundas e capazes de ler seus mais impuros pensamentos, envoltas daqueles longos cílios negros e o delineador curvado sobre as pálpebras.

– Linda… – ele moveu os lábios em um murmúrio, sentindo o rosto da jovem tão próximo do seu e exalando aquele perfume embriagante.

E Scarlett colou os lábios aos seus.

A maciez contra a sua pele a fez delirar à medida que o homem esquecia o cigarro que segurava, enterrando os longos dedos de uma das mãos entre os cabelos castanhos da jovem enquanto a outra puxava a cintura fina para mais perto de si.

Ela suspirou ao sentir a língua áspera e quente lamber sensualmente seu lábio inferior, fazendo-a entreabrir a boca vermelha e sugá-la de volta e entrelaçar suas línguas em um beijo exasperador. Os dedos finos embromaram-se nos fios acobreados do britânico, trazendo-o, puxando-o, fundindo-o em cada uma de suas terminações nervosas, ouvindo o baixo gemido que ele soltou assim que ela sugou seus lábios antes de deslizar suas bocas juntas outra vez.

A mão esquerda de Andrew desceu suavemente rumo aos quadris da jovem, apertando a bunda firme e deliciosa em seus dedos antes de retornar para cima, desta vez, por baixo do tecido. Ela suspirou ao sentir o toque quente e másculo subir pela sua espinha, fazendo seus pelos se eriçarem quando ele caminhou de volta na ponta dos dedos.

Os lábios do inglês descolaram ofegantes dela, descendo pela mandíbula e o pescoço com beijos molhados e pequenas sucções que fez Scarlett puxar os cabelos cor de cobre em prazer, arranhando a pele da nuca do homem e o pescoço por baixo da jaqueta. Ele mordiscou sua jugular quando ela o puxou de volta e colou novamente sua boca à dele.

O sabor da maconha e algo como uísque e vodca vibrava em suas línguas, fazendo-os nunca se contentarem o bastante e quererem mais e mais um do outro, apertando-se, beijando-se, sentindo cada uma de suas fibras elétricas nas peles de seus corpos. Eles não se importavam com o que o mundo pensava ou agia, eles só queriam experimentar um ao outro e ter aquele pedaço de paraíso que haviam acabado de descobrir.

E o tempo mal importava quando se tratava dos dois naquela noite de amassos quentes e proibidos em um beco perdido de algum canto de Los Angeles, longe das etiquetas de Bel Air ou da vida perdida no Historic Core da cidade.

– Já está quase na hora de eu voltar pra casa – ela sussurrou entre um beijo e outro, àquela altura já sentada no colo do britânico enquanto se equilibravam na motocicleta.

Ele meneou a cabeça em negação, mordendo o lóbulo de sua orelha coberto por pequenos diamantes, ouvindo-a soltar um gemido baixinho contra seu rosto.

– Vamos à praia antes – O jovem murmurou, encarando-a profundamente nos olhos ao vê-la deslizar as pontas dos dedos pelos lábios dele.

Ela assentiu com um sorrisinho travesso, concordando com um suave “okay” que o fez sorrir de volta. E, montando no veículo reluzente de duas rodas, Andrew acelerou ao pilotar pelas ruas de Hollywood rumo à orla, sentindo a morena apertá-lo contra seus braços e resistir à leve pressão entre suas coxas deliciosamente coladas uma a outra.

O céu ainda estava escuro e com alguns pontinhos de estrelas pairando em um canto e outro, a cidade em uma atípica calmaria com as luzes dos postes acesas e um estabelecimento ou outro aberto. As longas ruas e avenidas praticamente vazias, algum som calmo de jazz ao longe e o vento batendo nos cabelos castanhos de Scarlett eram exatamente o que ela precisava para se sentir em paz naquele momento.

Ela apertou o corpo quente do britânico contra o seu assim que avistaram a costa ao longe, estacionando em algum canto vazio próximo à praia e caminharam lentamente e em um agradável silêncio pela areia fina e clara que beijava o Pacífico. A escuridão fazia com que apenas o som das ondas quebrando na orla fosse a única indicativa de que o mar estava tão próximo, assim como o cheiro salgado que exalava vida e harmonia vindo da água.

Sentado na areia em meio à penumbra da noite, Andrew vasculhou o bolso interior de sua jaqueta de couro, tirando o pacotinho restante de cannabis e mostrando à californiana, que sorriu ao olhar para ele.

– Mais um? – A voz rouca e suave soou em um tom baixo, o que fez a dama assentir enquanto pegava a erva e a tira de seda entre seus dedos, preparando calmamente um novo fumo.

Os olhos de águia do inglês acompanharam cada movimento da morena, semicerrando-se em desejo ao vê-la deslizar sua língua ao longo do papel enrolado em um pequeno cigarro antes de queimar sua ponta e dar a primeira tragada profunda e lentamente na maconha.

Aquilo era mais sensual do que a mais bela pose da Marilyn Monroe.

– Onde você aprendeu isso? – ele questionou suavemente ao aceitar o cigarro oferecido por ela, embriagando-se com a fumaça saindo de seus lábios. – Não era pra você ser, supostamente, uma garota inexperiente?

Ela riu baixinho com o tom irônico, embora deliciado, que ele murmurou.

– Os jovens da alta sociedade americana sabem muito mais do que mostram – Sorriu, arqueando uma sobrancelha ao descansar os braços sobre as pernas, brincando com alguns grãos de areia.

– E você aprendeu como? – perguntou, tragando novamente ao admirar o belo resto distorcido em feições confusas.

– Festinhas do pijama na época do colegial – Deu de ombros, sorrindo nostálgica. – Eu e minhas amigas alugávamos filmes, comprávamos licor de morango e Brigitte sempre tinha maconha escondida.

– Estou surpreso! – Ele riu, fazendo-a empurrá-lo suavemente antes de pegar de volta o fumo.

– Depois comecei a faculdade, Brigitte foi morar na França e algumas amigas decidiram mudar para “virarem exemplos” – A jovem revirou os olhos, encarando Andrew. – Eu fui uma delas, e acabei tendo que mentir até pra mim mesma.

– O que tem no seu mundo que o faz ser tão ruim, Scar? – O britânico perguntou em um quase sussurro, curioso, preocupado, sem saber o que conter em seu peito.

Os olhos verdes da garota apenas o encararam de volta, perdidos, como uma criança que esquece o caminho de volta para casa. Ela engoliu em seco enquanto as íris ficavam marejadas, respirando fundo ao dar de ombros outra vez.

– Eu não sei, Andrew – Seus lábios tremeram, a voz embargada. – Eu só me sinto presa.

– Presa a quê?

– A tudo – ela meneou a cabeça; os grandes olhos fazendo o homem prender a respiração com a dor que encontrou ali. – Eu me sinto presa a tudo, Andrew.

Ele não respondeu ou tentou confortar a jovem com alguma palavra estúpida de autoajuda. Ele somente se aproximou calmamente do corpo pequeno e tão delicado, deslizando seus dedos em um ritmo quase delirante pelo rosto da garota, seguindo por seus cabelos longos suavemente ondulados, acariciando sua nuca ao vê-la fechar os olhos em conforto.

– Tão quebrada… – ele sussurrou com a alma em destroços, notando, pela primeira vez em anos, que a dor atingia alguém além dele mesmo.

E, então, ele colou seus lábios quentes aos da morena, sem pressa, sem pedidos, sem questionamentos. Apenas sentindo a textura tão suave e pura dos lábios que carregavam uma vida de palato tão agridoce.

O que a doce Scarlett Hathaway havia feito com o forte Andrew Barnes?

 

“Você tem aquele remédio que eu preciso

Narcótico, atire-o direto no coração, por favor

Eu não quero realmente saber o que é bom pra mim”

Por Raphaella Paiva.

Raphaella Paiva
Escorpiana, 20 anos. Estudante de Letras - Português pela Universidade Federal de Goiás, escritora em pré-contrato e uma beatnik nascida na época errada. Descobriu Lana Del Rey em 2011 quando Video Games roubou seu coração, tornando-se uma tradutora, redatora e colunista que adora um teste do sofá no Addiction. Cinéfila que também ama jazz e blues, Pink Floyd, Arctic Monkeys, Kristen Stewart, Marilyn Monroe e qualquer coisa escrita ou filmada por Woody Allen.
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