Dark Paradise | Capítulo 1: Bel Air

por / terça-feira, 17 dezembro 2013 / Publicado emFanfics

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Se não leu o Prólogo: http://ldra.com.br/fanfics/dark-paradise/dark-paradise-prologo/

“Gárgulas paradas em frente ao seu portão

Tentando me dizer para esperar

Mas eu não posso esperar para ver você

Então eu corro como se estivesse louca

Até a porta do paraíso”

 

Socorro, socorro, socorro, socorro. Era apenas o que Scarlett conseguia pensar. Ela estava tão cansada, tão frustrada – tão calma e bela externamente, mas terrivelmente agitada e gritando por ajuda internamente.

A brisa suave movimentava as palmeiras do imenso jardim da mansão Hathaway, coberto pela mais fina e aparada grama ao longo de toda a planície rodeada de rosas e uma grande piscina. Era lindo, era tranquilo, era perfeito quando visto por alguém de fora.

Sabe aqueles quadros de Monet? Aquelas belíssimas pinturas impressionistas que retratam paisagens delicadas e suaves, jardins e as mais encantadoras flores? Obras tão gentilmente esculpidas por um dos mais talentosos pintores da história, obras que eram extremamente belas, embora suavemente melancólicas quando apreciadas de perto. Obras feitas por um pintor nos piores dias de sua vida, que havia perdido a visão e descarregava todos os seus sentimentos sufocantemente angustiantes em belas telas. Obras que escondiam toda a tristeza e angústia por trás dos mais lindos traços de pincéis.

Os quadros de Monet eram como a vida de Scarlett Hathaway. Sempre bela, sempre com um sorriso de deusa em sua mente de diamante, mas simplesmente uma bagunça por dentro e uma ânsia por liberdade tão grande quanto os céus e tão oscilante quanto o mais perigoso ponto do oceano Índico. Ela queria tudo. Ela queria o mundo. Ela queria o paraíso.

– Filha, vai sair com seu namorado esta noite? – A voz suave de sua mãe soou do outro lado da pequena mesa posta para o brunch no jardim.

– Não sei, ele ainda não voltou de Hong Kong – Scarlett respondeu ao olhar em seus grandes olhos azuis e delicados, sorvendo um gole do suco de laranja.

– Se ele não voltar hoje, poderíamos fazer compras, o que acha? – Sorriu de canto. – Ou então visitar os Bellamy, faz tempo que não vemos Courtney e Emma.

Ela apenas deu de ombros ao esconder um baixo suspiro, vendo seu pai se aproximar da mesa de madeira branca e sentar ao lado de Natalie.

– Bom dia, queridas – ele as cumprimentou com um sorriso em seu rosto galante e jovial, beijando a testa da filha antes de selar rapidamente os lábios contra os da esposa de cabelos ruivos e lisos.

– Bom dia, pai – Scarlett respondeu mecanicamente, muito mais atenta ao croissant em seu prato.

– Eu estava conversando com alguns acionistas esta manhã e vamos ganhar muito com o yuan nos próximos dias; estamos prevendo uma ótima cotação – Christian comentou ao tomar um gole de seu café, voltando-se para sua menina. – Você deveria ter entrado no curso de Economia ou Relações Internacionais, meu bem, a empresa estaria aos seus pés.

– Você sabe que eu não gosto de nada disso, pai – Ela revirou os olhos, tentando não soar ácida.

– E vai continuar mesmo fazendo Psicologia? – Sua mãe questionou com um leve traço superior. – Pelo menos conseguimos tirar Metafísica e Antropologia da sua cabeça!

– Vocês não tiraram nada da minha cabeça! – ela falou alguns oitavos mais alto, tentando controlar sua expressão irritada e cada vez mais magoada. – Desculpe se eu não sou a filhinha perfeita que faz exatamente o que vocês querem. Eu só estou me encontrando.

– E vai se encontrar até quantos anos? Quando completar 40 e ainda ser uma mulher solteira que nem quis herdar a empresa do pai?

– Argh, vocês são patéticos! – A morena saltou de sua cadeira ao empurrar seus talheres. – O mundo é muito mais do que essa vidinha fútil que vocês levam!

– Scarlett! – Natalie a repreendeu, perdendo sua pose prima-dona por dois segundos. – Aonde você vai?

– Pra qualquer lugar! – ela respondeu num átimo, tirando a chave do bolso traseiro do seu short jeans surrado enquanto se afastava dos pais.

E ainda ouvindo algum burburinho sobre ela continuar dirigindo aquela máquina de acidentes que chamava de carro e ignorar o motorista da família, Scarlett adentrou seu Jaguar vermelho parado na entrada principal da mansão e pisou no acelerador para fugir o mais rápido possível de Bel Air.

O vento cortou rápido seu rosto ao atravessar os vidros abertos do carro enquanto alguma música do Elvis Presley adentrava seus ouvidos e se afundava em cada um dos poros entreabertos de seu corpo. A única coisa que ela conseguia enxergar eram as palmeiras, as serras ao longe e a estrada de Los Angeles que ela amava tanto quanto se sentir livre.

A jovem Hathaway sentia-se sufocada, presa em uma gaiola dourada mantida por seus pais, apenas à espera do próximo comprador que a apresentaria uma falsa ideia de liberdade. Mas ela não queria um dono, ela não pertencia a ninguém. Ela queria se sentir em paz consigo mesma, em paz com o mundo ao seu redor.

Scarlett tinha desejos intensos e obscuros dentro de si. E ela queria a possibilidade de ser livre para experimentá-los quantas vezes pudesse e quisesse. Ela queria ser verdadeira consigo mesma e com as pessoas ao seu redor, sem precisar fingir interesse em assuntos que não lhe importavam nem um centésimo ou esboçar sorrisos falsos e ser questionada cinquenta vezes se ela estava bem e, em todas essas cinquenta perguntas, responder mentiras ao dizer que nunca esteve melhor.

Porque ela não estava melhor – aliás, ela não estava bem. Ela não passava de uma menina partida ao meio desde o dia em que nasceu. Talvez fosse um traço da sua personalidade, mas talvez fosse um pedaço quebrado de sua alma que apenas precisava ser remendado.

Ela riu irônica ao limpar uma lágrima quente que escorregou do canto de seu olho, deixando sua outra mão firmando contra o volante insurgente e desenfreado do carro. Ela era fodidamente como um quadro de Monet – um significado triste enterrado sob uma linda imagem.

O dia já se escondia aos poucos quando ela estacionou seu Jaguar em algum pub da Fairfax Avenue, os longos cabelos castanhos movimentando-se contra a brisa suave que cortava o pôr do sol. A jovem passara o final da manhã e a tarde presa em alguma biblioteca de Santa Monica depois de horas sentada na areia da praia, fazendo perguntas jamais respondidas ao Pacífico e desejando ali deitar e ser levada um dia, sem qualquer remorso ou medo de se quebrar ainda mais.

E caminhando sobre os velhos All Stars que davam pavor a sua mãe, Scarlett adentrou o ambiente e deixou-se embriagar daquele aroma de tabaco e cevada que lembrava algum beco de Londres, sem qualquer objetivo, apenas querendo adiar o inadiável talvez.

Andando nas ruas e escondendo as mãos no bolso para se proteger do friozinho noturno que invadia o inverno californiano, um homem encontrava-se perdido em sua própria mente insana e cheia de demônios que nunca o deixaram em paz.

Ele não era um homem que esperava demais do mundo, das pessoas ou de si mesmo. Ele não era um homem que tinha medo de ser apenas parte de um sistema sem saída e que o envolvia e o sufocava como uma cobra píton. Aquele era apenas um homem errado e quebrado que sofrera todas as decepções e naufragou tantas vezes naquela vida que ele nem ao menos se sentia merecedor de uma outra vida perdida em uma próxima reencarnação.

Mas ele não era um homem bom também. Ou honesto. Ah, não… Aquele era o tipo dos mais espertos homens que abrigavam a Terra – ele era quase um protótipo do cara que fazia as mulheres suspirarem e caírem aos gracejos, que tinha o destino em suas próprias mãos e licor de malte enterrado nas fibras de sua língua, dando-lhe o sabor mais perigoso e delicioso para qualquer pessoa provar.

Digamos que se James Dean tivesse uma outra vida após sua morte no trágico acidente de 1955, essa outra vida seria na pele deste homem perdido – ou não tão perdido assim – que caminhava pelas calçadas da Fairfax Avenue, em seu olhar claro semicerrado e as mãos displicentemente nos bolsos da calça jeans. E foi esse mesmo olhar claro que, ao passar pela fachada de um de seus pubs preferidos em LA, avistou algo que simplesmente o capturou.

Sentada próxima ao balcão amadeirado estava a garota num short jeans surrado, uma camisa branca de botões, e um cardigã lilás florido e alegre demais para um lugar onde as pessoas costumavam encher a cara para esquecer suas vidas miseráveis. Mas algo no rosto entristecido da jovem o fez entender que sua roupa não condizia com suas feições cabisbaixas e ingênuas que lembravam a doce Marilyn Monroe. As unhas longas e vermelhas e o cabelo escuro, repleto de pequenas ondas, cobriam-lhe a face, permitindo-o ter o vislumbre apenas dos lábios avermelhados em um beicinho. E aquele rosto escondido por entre as mãos da jovem, fez o homem aproximar-se perigosamente.

Passando pela enorme porta de madeira da entrada, ele logo foi invadido pelo aroma de suor e tabaco do lugar, quente até demais se comparando ao frio e a pequena garoa que começava a dominar as ruas de Los Angeles. E, ao som de alguma música antiga de Van Morrison, o britânico de descontrolados cabelos acobreados aproximou-se, sentindo pequenas ondas de calor conforme seus passos seguiam rumo à morena.

– Com licença? – Sua voz pronunciou em um tom baixo enquanto sua mão direita tocava com cuidado a pele do ombro da garota coberto pelo delicado casaco. E foi um trabalho árduo controlar a vontade de deslizar os dedos ao longo do pescoço tão alvo e tão macio. Seria como seda…

A resposta não veio. Ao invés de um convencional “sim?” ou então “pois não?”, o homem foi completamente dominado e sugado por orbes tão esverdeadas que o fizeram prender a respiração. Scarlett, no entanto, tentava memorizar cada traço daquele homem tão lindo e de ar tão perigoso a sua frente. Ele soava tão misterioso por trás daquela jaqueta de couro e calças jeans, o cabelo bagunçado e aquele olhar sedutor com um sorriso de lado. Faltava apenas um cigarro no canto dos lábios finos e rosados para parecer uma cópia perfeita de James Dean.

E foi como se seus problemas não estivessem mais ali. Na verdade, foi como se Scarlett não se importasse mais com eles, que esquecesse a recente briga que tivera com seus pais. Eles tentavam controlar cada pedaço de sua vida repleta de diamantes e vestidos caros, carros importados e inúmeros Louboutins – eles eram a reencarnação de uma família rica e perfeita dos anos 50, que não saíam de suas mansões se não fosse para ir a jantares com sócios e empresários bem sucedidos, salões de beleza, shoppings ou campos de golfe, que tinham pavor de dirigir à noite pela Sunset Boulevard e de conversar com pessoas que não possuíssem uma renda mensal menor que punhados de milhares de dólares.

– Importaria se eu me sentasse ao seu lado? – ele murmurou novamente; a voz embebida de simpatia e curiosidade, os olhos azuis ainda perdidos nos olhos verdes.

– Tudo bem – Scarlett respondeu delicadamente, mordendo o lábio inferior enquanto assistia o belo jovem se acomodar no banco de madeira a sua esquerda.

– Um Bourbon, por favor, Bill! – Ele gesticulou para o garçom do outro lado do longo balcão, olhando rapidamente para a mulher ao seu lado antes de prosseguir com um sorriso. – E uma dose de Bacardi Breezer pra senhorita aqui.

Scarlett olhou-o com surpresa, as sobrancelhas levantadas.

– Eu sinto muito, mas eu não bebo – murmurou apressadamente, mordendo o lábio inferior outra vez, que ganhou certa atenção em demasia do jovem.

– Se você vai me contar o que tanto lhe aflige, acredite, é preciso pelo menos uma dose de rum pra contar com sinceridade! – Exibiu um sorriso cafajeste, recebendo as bebidas do garçom e entregando o pequeno copo à garota.

– E quem disse que eu tenho algum problema? – questionou com ar de petulância, jogando o cabelo por trás dos ombros antes de afastar a dose de Bacardi. – E se eu, por acaso, tivesse algum problema, você seria a última pessoa no mundo a quem eu contaria.

A resposta ácida e afiada fez o sorriso do britânico se alargar, constatando que a garota tinha uma personalidade e tanto. Definitivamente uma Marilyn Monroe.

– Uma moça como você num lugar como esse, sozinha e com essa cara de poucos amigos… – Bebericou seu uísque, sentindo o líquido aquecer sua garganta ao procurar pelas palavras certas. – Não me leve a mal, mas você exala infelicidade. E algo me diz que isso tem nome e sobrenome. Quem é ele?

– Antes meu problema fosse um homem. – ela resmungou com ironia, roubando a dose de Bourbon do jovem e fazendo uma careta com o sabor terrível do álcool, deixando-o surpreso.

– E o que seria então? – ele perguntou; a curiosidade flamejando em seus olhos.

– Família, sonhos, frustrações… O de sempre. – desdenhou, fitando o oceano azul que banhava as íris do homem. – Qual o seu nome e seu maior problema, senhor do sotaque britânico?

– Nome: Andrew Barnes, problema: minha vida fodida. – respondeu perto demais, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha da morena. – E os seus, madame?

– Scarlett Hathaway, e minha habilidade de sonhar demais.

– Uma vida não é vida se não tiver sonhos, Scar. – ele murmurou delicadamente, mal percebendo o apelido que fez o estômago da garota se revirar de ansiedade. Ele a intoxicava.

            – Então quais são seus sonhos, Andrew?

– Me livrar dos demônios dentro de mim.

A honestidade pegou ambos desprevenidos. Scar não esperava uma resposta tão sombria, e Andrew não esperava responder com tamanha sinceridade. Era como se o abismo que existisse entre suas realidades criasse uma ponte que interligava seus mundos – era algo puramente natural e vibrava por dentro.

– E esses demônios já deixaram sua alma alguma vez? – ela inquiriu suavemente, incapaz de quebrar o olhar que os sustentava com tamanha precisão.

– Eu sinto como se eles estivessem me deixando pela primeira vez.

Scarlett se arrepiou ao ouvir as palavras do inglês. Ele demonstrava ser tão leve, desligado, quase feliz, exalando uma espécie de calma quase letárgica que funcionou como uma tragada de cannabis direto no pulmão. A garota tentou ler aquelas íris azuis que a fitavam tão profundamente e, embora a expressão no rosto de traços fortes fosse quase narcótica, os olhos transmitiam um pequeno rastro de medo, ira, cansaço…

Ela ficou absolutamente encantada e mortalmente curiosa, sentindo cada fibra energética do corpo tão elétrico daquele homem servindo como um feromônio e a atraindo como uma abelha enlouquecida atrás do grão de pólen. Ela quase podia sentir o gosto de perigo e liberdade que ele alastrava.

– E o que você faz pra viver, Andrew? – perguntou suavemente, afastando-se ligeiramente enquanto tentava se recompor.

– Você não vai querer saber… – Ele sorriu de lado, olhando-a vagamente divertido antes de entornar outra dose de uísque.

A morena salivou ao morder o lábio inferior e tentar decifrar aquele homem – seria um trabalho para no mínimo mil soldados.

– Conte-me sobre você, Scar – murmurou calmamente, encaixando seus olhos azuis em cada centímetro da linda dama. – Quantos anos você tem? Dezessete dezoito…?

– Vinte – respondeu seca ao revirar os olhos com breves memórias. – Uma bela festa no Soho House, devo ressaltar! – Ela soltou um risinho irônico, arqueando as sobrancelhas.

– Você não gosta mesmo da vida que leva, não é? – perguntou exalando curiosidade, tentando entender o que tanto a prendia e a fazia odiar aquilo.

– O que tem pra gostar? – Deu de ombros, olhando-o sincera. – Dinheiro não é tudo, Andrew.

– Isso me soa um típico discurso de quem sempre teve o dinheiro aos seus pés.

– Exatamente – Scarlett apontou para ele, sorrindo ao ter seu ponto. – O dinheiro é bom, mas não é o fim dos problemas de ninguém. Pra mim, ele é apenas o começo de todos eles.

– O dinheiro ou a consequência do dinheiro? – questionou intrigado, sorrindo novamente.

– Os dois. Quem tem dinheiro uma vez, sempre vai querer continuar fazendo dinheiro. – falou com suavidade, bebericando o Bourbon do homem. – É um mundo sem escapatória onde, se você for o vencedor, vai desperdiçar sua vida pra nunca perder seu posto; e se for perdedor, vai desperdiçar sua vida tentando provar o contrário.

– Um argumento muito bem elaborado pra uma garota que só tem vinte anos – Ele franziu o cenho intrigado, absorto e enrolado com aquelas palavras.

– Eu nunca me medi através da idade… – ela sussurrou, deixando seus olhos varrerem o local de tons marrons e dourados, com pessoas conversando alto e bebendo cervejas. – Eu acho que sou daquelas pessoas que pensam demais sobre tudo, que querem demais e acabam morrendo frustradas.

– E o que você tanto procura, Scar? – O britânico se aproximou perigosamente, lendo os olhos profundos e claros em íris tão misteriosas. Ela o fascinava.

– Liberdade – falou em um murmúrio que fez os pelos do homem se eriçarem. – Paixão, desejo, vida. Paraíso.

– E escuridão? – Ele levantou uma de suas sobrancelhas ao questionar, observando um pequeno sorriso brincar nos lábios da morena.

– Escuridão e paraíso sempre estiveram ligados pra mim, Andrew – sussurrou com o nariz a centímetros do seu.

– Como amantes? – perguntou com um sorrisinho de canto e os olhos azuis ardendo ao se aproximar ainda mais da jovem.

– Como Catherine e Heathcliff, ou Romeu e Julieta. – ela respondeu satisfeita, aproximando-se lentamente a ponto de sentir a respiração baixa de Andrew contra o seu rosto – o aroma suave de hortelã e algo que ela sabia muito bem se tratar de marijuana fez sua mente se anuviar.

E sem pensar em mais ou menos, ele simplesmente desfez o pequeno espaço que os separava, colando seus lábios finos e macios aos da morena que tanto o embriagou desde o momento em que pusera os olhos nos seus. E ela experimentou cada pelo de seu corpo se arrepiando ao sentir sua boca sendo pressionada tão perfeita e deliciosamente contra a dele.

Cedo demais, no entanto, os lábios descolaram dos seus.

Scarlett piscou repetidas vezes, confusa e totalmente perdida na intensidade tão rápida e fugaz; os olhos azuis do britânico queimando em chamas e um brilho que a intoxicou ao mesmo tempo em que a arrepiou dos pés à cabeça. Ele era quente. E a intrigava a ponto de colocar todos os seus pensamentos em um balão de ar.

– Então, Scar… – Ele moveu o rosto no sorriso cafajeste e esperto tipicamente James Dean. – Se você odeia tanto a sua vida, venha e conheça a minha por uma noite.

E ela mordeu os lábios com aquela pequena e atrevida tentação. Ela queria experimentar algo novo, ela precisava experimentar algo novo ou correria o risco de ficar louca. E aquele estranho que exalava sexo e perigo até poderia ser a letra escarlate que a levaria a um caminho sem volta – mas, com certeza, também seria sua tábua de salvação.

 

“Você tem o dom para o mais violento tipo de amor lá fora

Meu amor, minha doce criança, você é divino

Ninguém nunca lhe disse que está tudo bem em brilhar?”

 

Por Raphaella Paiva

Raphaella Paiva
Escorpiana, 20 anos. Estudante de Letras - Português pela Universidade Federal de Goiás, escritora em pré-contrato e uma beatnik nascida na época errada. Descobriu Lana Del Rey em 2011 quando Video Games roubou seu coração, tornando-se uma tradutora, redatora e colunista que adora um teste do sofá no Addiction. Cinéfila que também ama jazz e blues, Pink Floyd, Arctic Monkeys, Kristen Stewart, Marilyn Monroe e qualquer coisa escrita ou filmada por Woody Allen.
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