‘Minha inspiração é muito instável. Só aparece para mim às vezes, o que é irritante’, leia a entrevista e a matéria sobre a Lana publicadas na NYLON Magazine deste mês

por / sexta-feira, 15 novembro 2013 / Publicado emEntrevistas

Nylon

 

Lana Del Rey é capa da NYLON Magazine e na edição de novembro da revista há uma matéria, uma entrevista e um ensaio fotográfico da cantora. Confira a tradução abaixo.

 

Carta do Redator: Deixe a Liberdade Cantar

Antes mesmo de conhecer Lana Del Rey, já amava sua música, mas não sabia muito a respeito de sua história pessoal. Após um dia a  fotografando em Los Angeles, onde agora ela vive, fiquei tocado com o quão animada e única ela é. Tudo sobre Lana é genuíno, e é interessante, pois há tanto mistério nela, mesmo ela sendo uma pessoa tão aberta. Sua música é inteiramente subjetiva e sua voz e sua sensibilidade visual tornaram-na um ícone para sua geração.

E como um sucesso, ela é essencialmente americana, o que a torna perfeita para a capa de nossa edição americana anual. Em seu DNA, NYLON é internacional, e nós tendemos a não ter nenhum limite geográfico quando se trata de algo que nos fascina. Agora que nós temos oito edições internacionais, cobrindo todos os lugares, do México à Tailândia, parece ainda mais importante focar o microscópio em nossa terra natal uma vez no ano, e explorar pessoas como a Lana, que fazem a cultura americana se tornar algo tão vibrante.

Marvin Scott Jarrett, redator-chefe.

 

Por trás das cenas: Em Grunge Nós Confiamos

A menos que você esteja vivendo em uma caverna desde o fim da banda Nirvana, você provavelmente deve ter percebido o retorno do estilo dos anos 90. Uma pessoa inteiramente consciente disso é Lana Del Rey, que tem arrasado em looks do cenário musical desta era. Coincidentemente, também nossa estilista Christine Baker, enquanto montava os looks para o ensaio fotográfico. “Lana e eu nos divertimos muito relembrando nossos looks favoritos dos anos 90”, diz Baker. “O suéter listrado em preto e branco era bem o estilo de Cobain, e as gargantilhas Pamela Love foram totalmente nostálgicas”. A hairstylist favorita de Del Rey, Anna Cofone e maquiadora, Pamela Cochrane, apostaram em um look que unia o amor  pela primeira metade da dita década com as cenas de rock do filme cult alemão, ‘Christiane F’. Para dar os toques finais, Cochrane utilizou um lápis de olho marrom escuro para realcar os fortes arcos de Del Rey. Uma mistura de sombras de olho marrom em suas pálpebras, e um tom ferrugem em seus lábios, e então adicionou um ar de roqueira com rímel em seus cílios inferiores e superiores. Cofone transformou as ondas normalmente polidas de Lana em uma cabeleira despenteada utilizando mousse em suas raízes e explodindo seus fios com shampoo seco e dando uma encorpada no penteado com um ferro de ondulação.

 

Entrevista: NATIONAL ANTHEM

“Em dois curtos anos, Lana Del Rey surgiu como um ícone americano de forma única. – Por Melissa Giannini” “O lugar em que estou eu estou agora… Pede por um cigarro” Lana Del Rey diz com um sorriso, tirando um Pall Mall de um pacote e acendendo-o. Casualmente vestida com um short jeans desbotado, uma camisa cambraia, sapatos marrons e cabelos presos com um grampo. A fama da intérprete soul sad-core de “Video Games” é como a daquela menina mais bonita da escola – que todos pensavam que nunca alcançaria a fama, talvez por sua timidez – que acabou no mundo dos tapetes vermelhos com seu par exuberante de cílios formando sombras em suas bochechas a cada piscada.

Geograficamente falando, ela está em uma casa da metade do século em Hollywood Hills que ela alugou ano passado, descansando em uma cadeira em um deck com uma vista para uma piscina turquesa, um desfiladeiro voltado para o pôr do sol, uma colina e, em dias menos nublados, o oceano pacífico. Seu aluguel acabará no final da semana e, seus pertences já estão quase todos embalados para a mudança que ela fará para uma casa histórica do outro lado da cidade que ela comprou recentemente.

Profissionalmente, Del Rey, 27 anos, está também em uma fase de mudança. Mais de 20 meses se passaram desde o lançamento de seu primeiro álbum, ‘Born to Die’ e quase 12 desde o EP ‘Paradise’ e, ainda, a quantidade de devotos à pop star barroca-pop continua a crescer. Ela serviu como musa para uma coleção da Mulberry e posou para a H&M. No dia da nossa entrevista, o remix de ‘Summertime Sadness’ feito por Cedric Cervais, que inicialmente não estava programada para se tornar um lançamento formal, chegou à 6ª posição no chart da Billboard. Ela tem viajado e ouviu a faixa pela primeira vez ontem, quando ia fazer compras. “É bem dançante” ela diz, incrédula. “Eu amo dançar, mas nunca imaginei que dançaria ouvindo uma música minha.

Seu segundo maior hit nos Estados Unidos, ‘Young and Beautiful’, tirado da trilha sonora de ‘O Grande Gatsby’ um filme que com estética vintage, mas , ironicamente, a faixa é mais adequada para se ouvir sem essas referências, no escuro, com lágrimas nos olhos, apenas pelo prazer da música. Em breve, a cantora protagoniza seu próprio filme, Tropico, um curta dirigido por Anthony Mandler . Enquanto isso, demos de suas músicas continuam a surgir on-line, incluindo pelo menos uma que tinha programado para seu próximo álbum, provisoriamente agendado para 2014. Não é a toa que ela decidiu relaxar por um tempo e recomeçar: “Neste momento, eu com minha família e pensando sobre o que eu quero fazer”, diz Lana . “Eu estou gostando de ficar relaxada, plantar algumas árvores, coisas assim”.

O olhar de Del Rey desloca-se para a janela do quarto que ela divide com Barrie-James O’Neill, vocalista da banda folk de Glasgow, Kassidy e seu namorado há pouco mais de dois anos. Os dois se conheceram depois que o empresário de Barrie o mostrou “Video Games” com a descrição: “sua futura ex-mulher.” Ele chamou ela para sair e eles estão juntos desde então. O Pall Mall (cigarro) é dele, “sou só uma imitona”, ela brinca. “Eu não gosto de comprar meu próprio cigarro porque não fumo sempre, sabe?” Ela sorri, cochichando que O’Neill e seu irmão mais novo Charlie estão dentro de casa, dormindo. “Então, se você ver dois caras enormes e semi nus, são eles.

É quase um mistério o fato de que Del Rey se manteve como um enigma. A peça chave da polícia teve que trabalhar em força máxima, pegando a digital de uma loira com um microfone de circuito aberto chamada Lizzy Grant e de uma pin-up da Interscope que chegou ao topo depois de uma performance muito discutida no Saturday Night Live. O Google a colocou na lista dos 5 artistas mais procurados com performances ao vivo de 2012, mas os comentários de Born to Die foram misturados, uma resposta que combinava com a dicotomia da personalidade de Lana Del Rey – uma mistura de Priscilla e Ann-Margret, Jackie e Marilyn, Valencia-filtrada para perfeição nebulosa. Se você fosse um crítico, um membro do público do recorde de compra, ou Brian Williams, que tinha uma opinião sobre sua música,  você também foi comprar: mais de 5 milhões de álbuns vendidos, mais de de 8,5 milhões de singles vendidos.

Quase dois anos depois, o discurso pareceu estar mudando muito em seu favor – até mesmo alguns de seus primeiros críticos passaram a reconhecer que Born to Die é sem dúvida interessante e, possivelmente, um clássico. Com a ansiedade por seu próximo álbum cada vez mais forte a cada minuto, pode ser a hora de perguntar: Será que Lana Del Rey está em transição com sucesso a partir da figura mais polarizadora na música popular para a coisa mais próxima da nossa cultura contemporânea que tem um ícone americano? “Vamos entrar”, diz ela.

Como o previsto, dois gigantes aparecem, mas vestidos. O’Neill usa uma blusa branca e uma calça de pijama preta com desenho de lua, seu irmão: shorts e uma camiseta. Del Rey, brinca com eles antes de dar um passeio pela casa, sob o olhar atento de uma grande apresentação pop-art de Jackie Kennedy (uma fotografia em preto-e-branco de Marilyn Monroe encravada no canto inferior direito do quadro). Ela aponta para as fotos de Kurt Cobain e da Virgem Maria com revestimento no rack. É claro que o Kurt é um ícone, mas ela diz que é uma coincidência que seus heróis ao longo da vida sejam uma das pessoas mais famosas do mundo. “Eu só acho que Elvis é a pessoa mais bonita que eu já vi”, ela diz. “Eu pensava que eu era a única que o conhecia.

Del Rey tira um lustre de uma caixa. “Eu escolhi este na Austrália – os cristais estão de volta, isso é ótimo”, diz ela. Seu plano de decoração para a casa nova: “Década de 70 no sul da França, os lotes de rattan, cortinas azuis e ouro, bambu e longas” Del Rey está ansiosa para a mudança, e não só para a originalidade da casa com detalhamento de madeira e luz natural. “A vizinhança é muito quieta”, ela diz. “O que é ruim aqui é que as pessoas podem te seguir; então é difícil”. A constante atenção afeta seu processo de composição também. “É complicado ser observadora enquanto as pessoas estão constantemente te observando”, ela diz. “Você tem que ficar dentro de casa porque o mundo vira um lugar mais difícil para extrair algo”. Ela também não ganha nenhum título de “melhor vizinho” em sua casa atual. “Nós deixamos o lixo de fora e não colocamos nenhuma caixa na rua”, ela admite. “Todos nos odeiam. Eles vão fazer uma festa – e nós também – quando nos mudarmos.

Seus pais se conheceram em NYC. Em 1986, eles tiveram uma filha, Elizabeth Woolridge Grant, e se mudaram para Lake Placid, quando seu pai começou a investir no estado e depois, em propriedades online. “Onde nós morávamos, em Adirondacks, era muito pequeno, tipo umas 1.100 pessoas”, ela diz. Del Rey relembra as viagens com a família para a Flórida, até a costa leste, “eu lembro de estar em cima das pontes e ver todas as luzes, muitas e muitas pessoas e tive medo de ter que passar por essas coisas quando eu crescesse”, ela diz. “Lake Placid é o local mais legal no país, além de Duluth”.

Ela estudou em uma escola católica chamada St. Anges e era a cantora da igreja que ficava no outro lado da rua. “Eu amava igreja”, diz Del Rey. “Eu amava o misticismo, a ideia de algo maior, a ideia de um plano divino. Para mim, a concepção de religião se transformou em uma ideia muito saudável sobre Deus – eu não tenho nenhuma tradição dos católicos conservadores, mas minha mente foi aberta com as grandes paredes de igrejas azuis e douradas. Eu gostava da ideia de ser cuidada”. Ela passou a maioria do seu tempo na escola olhando para a janela esperando estar em outro lugar até que uma aula de filosofia mudou a sua vida, “Foi lá que eu achei o meu povo. Eu queria estar ao redor das pessoas que questionavam, porque estamos aqui? Na mesma época, ela descobriu o álcool – sua bebida, escolha adolescente: “qualquer coisa rápida e escura.

Algumas vezes quando eu escrevo sobre meus sentimentos, quando parece ser para uma pessoa, na verdade eu estou escrevendo sobre como eu me sentia quando estava completamente embriagada, o que era muito bom – até isso não funcionar mais”, ela diz. Seus pais a mandaram para um internato rígido em Connecticut e quanto tinha 18 anos, estava limpa. “Pensar em não beber nunca mais era muito assustador, mas quando eu parei, não foi difícil mais porque eu tinha todos esses milagres acontecendo, que me deixaram saber que eu estava exatamente no caminho certo”, diz ela.

Ela entrou na Fordham University no Bronx para estudar filosofia e começou a ser voluntária em programas de pessoas sem abrigo e em reabilitações de álcool e drogas. Em certo momento, ela começou uma viagem através do país para pintar e reconstruir casas em uma reserva indígena. Nessa época, ela começou a cantar em Williamsburg e em locais menores Laila Lounge, Galapagos, The Living Room, e The Bitter End.

Durante a faculdade, ela mudou para apartamentos de amigos e namorados. “Minha mãe me chamava de rainha do sofá”, ela diz. Ela lembra de passar muitas noites em um lugar Chinês na 42nd street. “Eles me deixaram comprar banana e café, além de ficar lá até a meia noite”, ela diz.  “Eu tinha mais diferentes rimas em minha cabeça, como rimas ‘disco’ com ‘go-go’, escrevendo sobre as meninas com rímel azul e delineador preto, e sobre todos os homens que conheci, que eu adorei. Foi um muito libertador, sem dinheiro, divertido, divertimento, se divertir”.

Um dos apartamentos que ficou era do seu então namorado, Steven Mertens, um desafio em Nova Iorque de alt-rock e cenas Antifolk. Ele acabou produzindo seu primeiro álbum, Lana Del Ray aka Lizzy Grant, que acabou sendo regravado por David Kahne para a gravadora independente 5 Pontos Records. O “Ray” mudaria para “Rey” para seu segundo lançamento, é claro, mas o título de seu debut escrito em letras simples, era uma transformação já estava acontecendo. O registro também ajudou a garantir o primeiro endereço permanente de sua vida adulta jovem. Obviamente, quando você tem 20 anos, você não tem muito dinheiro, mas quando eu assinei meu primeiro contrato, peguei um cheque de $10,000, “ela diz. Ela usou o dinheiro para alugar um trailer na em Manhattan, em North Bergen, New Jersey e viajou na linha “Hudson – Bergen” para seu ano final na Fordham. “Tinham muitas famílias que estavam lá à 35 anos”, ela diz sobre a comunidade. “Eu gostei do tempo para mim mesma. Eu gostava de decorar com fitas – mas só a parte de dentro – aquários, pequenos alto-falantes rosa na tomada para o meu iPod touch. Eu não estava festejando, estava em uma época séria, eu gostei dos diversos ambientes – que vai do Bronx de Nova Jersey, e depois gravar com David no Gansevoort Street, no Meatpacking District. Eu adorava pegar o carro e ir um lugar para outro”.

Seu disco ficou arquivado por alguns anos antes de ser lançado no iTunes em 2010. Três meses depois, Del Rey conheceu um advogado chamado Ben Mawson, que, junto com Ed Millett, se tornaria seu gerente. Del Rey foi o sua primeira cliente. “Quando eu conheci Ben e Ed, eles me ajudaram a facilitar, mas as músicas eram uma progressão natural de onde começou”, explica Del Rey. “Até mesmo os novos vídeos, conceitualmente, são uma extensão do que eu estava explorando há um tempo atrás”. Mawson e Millett também a ajudaram a sair de seu contrato com 5 points, onde, diz ela, “nada estava acontecendo”. Não muito tempo depois, ela se mudou para Londres, onde ela trabalhou com Mawson por alguns anos.

Eu amava o clima que estava criando para mim mesma e por eu mesma”. Em quinto na fila estava uma montagem para “video games”, uma música que ela tinha escrito junto com Justin Parker sobre o simples prazer de assistir um velho namorado jogando vídeo games. O instrumental era mínimo e melancólico- uma linha de piano exigente, cordas suaves, trinados harpa ocasionais. Para o video, ela intercalou cenas de paisagens da California e o Chateau Marmont com indistintas imagens dela cantando. Naquela época, ela tinha trocado o corte bob loiro da Lizzy Grant pelas longas e suaves madeixas de Lana Del Rey. Francesinha, suéter caído no ombro e atraentes lábios cor-de-boca.

A irmã mais nova de Del Rey, Caroline “Chuck” Grant, tirou várias das antigas fotos promocionais, e continua a ajuda-la a definir a estética visual. Grant diz que crescer em uma “cidade resort” inspirou a apreciação por representações visuais do Sonho Americano da irmã. Enquanto os campos decadentes de Lake Placid não pertenciam a elas, as mesmas encontravam conforto em sua grandeza cinematográfica. “(Durante as fotos), nós conversávamos sobre criar realidades através de intenções criativas e espirituais” ela diz. “Eu penso nas fotografias como uma série de postcards que representam mundos diferentes que nós criamos ou estivemos, mundos que nós passamos muito tempo dentro”.

Com o vídeo para “Video Games”, Del Rey encapsulou um semelhante devaneio indistinto- uma coisa que a geração da Internet conseguiu bem no fim da primeira década do novo milênio. Também, uma misteriosa e estilosa “gangster Nancy Sinatra” murmurando para a câmera, era, para dizer o mínimo, constrangedor. “De repente, pessoas conhecidas estavam postando o vídeo, e eu pensei, ‘Como eles encontraram meu vídeo?’ ” ela diz. No meio dessas pessoas tinha a atriz Jamie King, que se tornou uma das amigas mais próximas de Del Rey. “Vendo todas aquelas imagens colocadas juntas, continuando com as letras da música, a melodia, e o seu rosto, era alguma coisa que me prendeu onde eu mal conseguia respirar”, diz King. Quando ela ficou sabendo que a cantora estava fazendo um pequeno show no Chateau Marmont ela correu até lá depois de filmar um episódio para “Hart of Dixie” porém, chegou muito tarde lá. “Ela estava saindo e eu estava entrando, e foi assim que nos conhecemos”, diz. As duas acabaram se encontrando mais alguma vezes em L.A nos meses que passaram. “Era como se o Universo tivesse nos aproximado, e faz sentido porque ela é como uma irmã para mim”, diz King. “Eu estou grávida agora, e ter ela ao meu lado durante esse processo tem sido muito importante para mim. Tem algo de muito calmante em sua presença.”

Del Rey não tem certeza do porquê “Video Games”, uma música longa sem bateria, foi a que a lançou. “Eu sei que quando a escrevi eu estava apaixonada por ela – Mandei-a para todos, dizendo ‘Olhe, essa sou eu em forma de música’ ”, ela conta. “Ninguém do meu círculo teve uma grande reação, mas aí Feane Cotton on Radio 1 começou a tocá-la todos os dias, e aí foi quando as coisas realmente começaram a mudar”. King não estava surpresa por isso ter acontecido. “ O que é realmente chocante para mim sobre a Lana, é que tudo que ela cria é vem das profundidades de seu coração e sua alma”, ela diz. “A maior parte dos artista hoje em dia, especialmente as cantoras pop, infelizmente, tem uma grande máquina atrás delas. Elas escolhem do mesmo núcleo de canções as que estão sendo escritas pelas mesmas pessoas, e elas têm de ter Hits que são Nº1’, mas não é nada que elas conceituaram, nem sentaram com um papel e uma caneta. O que é incrível nela, é que ela é como um Jim Morrison. Não tem nada que não seja autêntico no que ela faz. Toda música, toda a aparência, todo vídeo, tudo aquilo que ela coloca no mundo vem dela, e isso é muito raro. A única pessoa que criou Lana Del Rey foi ela.”

E a evolução é contínua. Depois de tudo, como muitas mulheres em seus vinte anos, ela tem sido seduzida pelas constantes possibilidades de reinvenção dos meios de comunicação sociais da geração persona. Sua família ainda a chama de Lizzy, apesar de que às vezes trocam por Lana. “É substituível para eles, como um apelido ou coisa assim”, ela explica. Esses dias, uma típica tarde envolve acordar tarde, tomar café, fumar um cigarro em sua varanda dos fundos junto com O’Neil, e aí dirigir, geralmente para Malibu e sempre com Del Rey ao volante. Ele vai cantarolar uma música no gravador de seu Iphone, e ela vai colocar sua parte. Em algumas vezes, eles vão parar no Neptune’s Net, um bar de motoqueiros no final da praia. Del Rey se sente conectada com a cultura das motocicletas, a liberdade da estrada, o estilo nômade de vida. “É sobre viver o dia, que foi a minha obsessão por muito tempo”, ela diz.

Em outros dias, eles apenas vão dirigir até o oceano, parar do outro lado da estrada, e assistir as ondas. “Nós falamos sobre o futuro, sobre o que queremos fazer, e como vamos conseguir ajeitar as coisas, já que tenho muitos shows pela frente”. “Dirigir é nosso momento de reflexão. E então nós voltamos e escrevemos”. Os dois criaram um laço inicialmente por causa do amor por Kurt Cobain. “Ele é uma grande parte das nossas conversas do dia-a-dia. Jeff Buckley é outra inspiração. E Jim Morrison- quer dizer, nós conversamos sobre essas pessoas como se as conhecêssemos. Sempre dizemos ‘Todos nossos amigos estão mortos, e eles nunca nos conheceram.’ Eu sou sortuda por ter conhecido alguém que se sente assim também”.

O casal tem gravado algumas coisas do rock estilo anos 70 com o produtor Jonathan Wilson em Silver Lake por diversão, porém, Del Rey chama seu próximo lançamento como um trabalho em progresso, feito em seus próprios termos e calendário. “Quando as pessoas me perguntam sobre isso, eu tenho que ser honesta – eu realmente não sei”, ela admite. “Eu não quero dizer ‘é, definitivamente – o próximo é melhor do que esse’, porque eu realmente não prevejo o próximo. Minha inspiração é muito instável. Só aparece para mim às vezes, o que é irritante”. Outra coisa irritante: ter seu e-mail hackeado. “Quando Black Beauty vazou, eu fiquei um pouco desencorajada, porque eu geralmente foco todo o disco em uma música, uma frase, ou um título, como… ‘Black Beauty’ ”, ela diz. Em uma época de vídeos artificais virais e twerks coreografados, o incidente é legitimamente não planejado e infeliz. O vazamento não acabou com a sua criatividade “mas não ajudou”, ela fala.

Anteriormente, ela trabalhou com Mandler em vídeos como “National Anthem”, o qual ela é Jackie e Marilyn para A$AP Rocky, que é John F. “Eu tinha imaginado algo com essa ideia de uma história moderna dos Kennedy”, ela diz. “Eu me senti inspirada pelas cenas que vi deles, mais do que sua história, apenas todas as cores do filme. E, sobre a música, eu tive alguns relacionamentos onde havia completa devoção para o cara. Eu amei a ideia de uma garota dizendo para seu namorado ‘Diga que sou seu hino nacional, sua bandeira decorada com estrelas, faça uma continência para mim e me ame’- você sabe, em um bom aspecto, um lindo aspecto. Eu queria mostrar que os romances modernos podem ter um clima clássico”. Ela entrou em pânico um dia antes da filmagem, preocupada que seus fãs poderiam pensar que era estranho ela ter decidido atuar como a esposa e a amante. “Mas eu não conseguia decidir entre as duas. Eu queria fazer ambas”, ela fala.

Lá fora, Del Rey joga um cigarro dentro de um copo com um pouco de água e forma um campanário com seus longos dedos com unhas acrílicas pintadas de vermelho, o que restou de suas fotos para NYLON de uma semana trás. Uma pequena cruz feita de pedras decoram sua unha de seu dedo direito da mão esquerda. No mesmo dedo, uma marca de um “anel misterioso” que os paparazzi tem visto desde Fevereiro. É claro que não importa o que Del Rey decida fazer depois, ela continuará a fascinar e inspirar os que fazem história. “É importante ter um bom relacionamento com você mesmo quando se torna conhecido”, ela diz. “Pessoas vão dizer muitas coisas e você vai começar a se perguntar se elas são verdade. Aí você tem que voltar a todas aquelas pequenas verdade que você encontrou ao longo do caminho que te lembram: você está aonde deveria estar”.

 

Veja também os bastidores do ensaio fotográfico feito pela Lana para a revista:

Por Melissa Giannini
Traduzido por Guilherme H. Lewer

Veja as fotos do shoot feito para a Nylon


Redação LDRA
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