ANÁLISE | Covers: Goodbye Kiss, Summer Wine e Chelsea Hotel n 2

por / sexta-feira, 29 novembro 2013 / Publicado emAnálises, Colunas

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Sexta-feira, dia oficial das postagens contendo “I feel so alone on a Friday night”, no entanto, decidi dar uma escapada dessa vibe Born To Die, para conversar sobre outra: Covers.

Aproveitando esta temática, decidi fazer uma análise geral sobre os covers da nossa querida Lana Del Rey, com um enfoque em Goodbye Kiss, Summer Wine e Chelsea Hotel n 2.

Antes: O que é um cover?

Cover é uma reinterpretação de uma música anteriormente gravada. Uma espécie de releitura para homenagear o compositor (ou primeiro cantor) da música em questão.

Ao meu ver, a mágica do cover está em você saber dar um toque seu na música sem que ela perca sua essência, ou fique irreconhecível. Muita gente acha que fazer um cover se resume a cantar a canção do mesmo jeito do cantor – não é bem assim, meu povo! O cover é muito mais interessante quando tem um dedinho seu, seja um arranjo diferente, uma batida ligeiramente mais rápida ou o modo que você usa a sua voz, e, mesmo assim ele não destrói a música.

Regravar uma canção, quando bem feita, pode funcionar bem para os dois cantores: o compositor, que tem seu som divulgado (e muitas vezes volta às paradas quando se trata de uma música antiga), e o intérprete, que ganha o respeito daqueles que apreciam a música original e conquista novos ouvintes.

Goodbye Kiss

Começando a análise por Goodbye Kiss (para entender melhor, aconselho que procurem a versão original), logo de cara você percebe: A original é mais rápida. Certo? Errado! Lana praticamente mantém o mesmo andamento da música original, no entanto, o que dá o efeito da versão da moça ser mais lenta é o fato do arranjo ser composto apenas pelo piano e pela guitarra – bem simples e mais angelical, a música perde um pouco da marcação do tempo forte, e o efeito de mais lento vai se construindo naturalmente. Não só isso, ela potencializa esse efeito cantando um pouco mais “mole”, deixando que o peso das palavras se guiem sozinhas na marcação do tempo. Pra entender melhor o que falo, escute a original: Você vai perceber que o Tom Meighan, vocalista da banda Kasabian canta de acordo com o tempo forte da bateria, palavras bem marcadas bem no final de cada verso!

No mais, Lana dá uma roupagem mais triste a música. Enquanto que a original canta o fim de um relacionamento como algo que já certo, inevitável e até mesmo normal, Lana dá um ar de despedida, de dor. O “I’ve had no choice” dela é muito mais profundo e relutante do que o do Tom.

Summer Wine

Summer Wine é originalmente cantada por Nancy Sinatra e Lee Hazlewood, de novo, Lana usa o mesmo efeito que expliquei em Goodbye Kiss – arranjos mais simples para dar um falsa impressão de tempo mais lento. Enquanto que a original utiliza-se de muitos violinios e metais, em seu cover, Lana e Barrie optaram por um teclado e pulsação fácil. A música fala sobre a embriaguez e festividade do amor, e, Nancy e Lee dão à música uma conotação mais grandiosa e cheia – um sábado de sol com muitas flores, dança e algumas doses de vinho. Já o nosso casalzinho favorito opta por um domingo fim de tarde na praia, um dia de verão mais embriagado. A voz de Barrie é mágica, meio salgada e pesada, contrasta perfeitamente com o dulçor da voz da Lana (essa dicotomia também é notada na original, mas percebo que a voz de Nancy, nessa música, não é tão doce quanto a de nossa Lizzy). Aliás, isso prova ainda mais a versatilidade vocal de Lana. Ela pode ir de canções mais pesadas, exigindo mais voz de peito, como Burning Desire e Blue Velvet, até as mais doces e angelicais, como Summer Wine e Butterflies Pt. 2.

Chelsea Hotel N 2

Pra finalizar, a releitura do clássico Chelsea Hotel N 2 – A música que Leonard Cohen fez sobre a noite que teve com Janis Joplin. Dessa vez, com exceção de algumas pinceladas de baixo contínuo (acho que foi uma guitarra) na música original, Lana mantém o mesmo arranjo: única e exclusivamente o violão. Numa música que conta uma história ao mesmo tempo que o intérprete entra em conflito com os próprios desejos, Lana não escapa muito do que foi proposto originalmente, a não ser pelos “I need you / I don’t need you” quaaaase recitados, que dão uma sensação ainda mais conflitante enquanto canta. A moça usa, em alguns momentos, principalmente no início da música, mais a voz de peito, explorando sua voz grave e sua rouquidão – Como se estivesse bêbada, lembrando daquela noite no Hotel Chelsea.

Enfim, Lana não deixa nada a desejar no que se trata a covers. Respeita a essência ao mesmo tempo que deixa sua marca. Com cuidado e o dom que ela tem, ela recria e cativa a todos com seus covers tanto quanto suas canções originais.

Gostou? Tem algo a acrescentar, criticar ou perguntar? Comente! Ficou com vontade de gravar? Aproveite as dicas que deixei na coluna e divirta-se!

Por Júlia Félix

Redação LDRA
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