TEXTOS | Ride Or Die

por / terça-feira, 01 outubro 2013 / Publicado emColunas, Textos

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“As pessoas não tinham muita coisa interessante para contar. A vida delas era tão desinteressante quanto as palavras. Eu sempre procurei alguém diferente, mas tudo era igual, tudo era tão insípido. Por isso quando eu te encontrei, tudo mudou.

Todo mundo se importava tanto com moral, ética, em ser bom…E você simplesmente não estava nem aí, vivia para sentir as batidas do coração acelerando, as pupilas dilatando, a adrenalina aquecendo o corpo.

Eu não queria alguém bom, não queria ser bom; e te encontrei, ou você que me encontrou?

Era sempre você. Arranjando briga no bar, saindo sem pagar, entrando em confusão, com o dente quebrado, o olho roxo, algemas nos pulsos. E eu queria estar ao seu lado, mesmo tudo e todos estando contra nós (ou nós estamos contra tudo e todos?).

E mesmo dizendo que essa vida era perigosa pra mim, mesmo tentando me alertar, você sabia que eu nunca voltaria atrás. Essa vida de motéis baratos, bares duvidosos, pessoas sem rumo… Contanto que você estivesse comigo. Isso era viver.

E ficamos vagando pelas cidades sem rumo, todo mundo olhando torto, mas a gente não se importa, não é? Cerveja na mão, cigarro na outra, até anoitecer. E então procuramos confusão, em qualquer lugar. Bêbados, briguentos, cambaleando. No geral, encontramos.

A gente se metia com as pessoas erradas, batia nos carros, era jogado fora dos bares. Todos nos olhavam dos pés a cabeça e a gente ria da cara deles. Você sempre encanava que tinha alguém olhando para mim; era errado eu gostar de te ver brigando por minha causa?

E depois disso vamos para o carro e a gente sempre está bêbado e você sempre furioso e os gritos são tão altos que nem dá para ouvir o rádio. E no final é sempre você dando socos no volante, puxando meu cabelo, beijando o meu pescoço e falando que não consegue viver sem mim.

Sempre tem alguém para falar. Reclamar que eu não deveria viver uma vida assim, não deveria estar com alguém como você, que eu não deveria ser como eu sou. No entanto, o que poderiam falar? Quem eram eles com suas vidas mornas, suas almas vazias e bocas cheias?

Aparentemente você sabe quando o tédio toma conta de mim e sempre aparece nas horas certas, com suas meias palavras, seu cheiro de desodorante misturado com vodka, me colocando contra a parede.

Não somos nenhum exemplo, nenhum modelo a ser seguido, a sociedade nos rejeita. Somos bons em não ser bons.

Somos Bonnie e Clyde (você é obcecado por eles…). O cansaço da vida limitada que levam a tudo que fazemos. Toda a adrenalina. Toda a sensação louca e deliciosa de viver no perigo, no limite, quase acabando com tudo. E, apesar de tudo que a gente faz, o nosso amor é real, verdadeiro. Toda vez que você olha para mim com aquele sorriso sarcástico, é como se fosse a primeira vez. E sempre que saímos do carro, eu tenho medo de que seja a última vez que estaremos juntos. Tudo pode ter um fim a qualquer momento. É a dor e o prazer de viver essa vida.

Eu posso ser o que você quiser, quando você quiser. A qualquer momento, a qualquer hora. Podemos enfrentar tudo, eu sempre estarei com você.

É viver ou morrer, como se estivéssemos em Scarface. Tudo é nosso e de mais ninguém.”

Texto inspirado em Ride Or Die, por Yeda Salomão.

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
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