TEXTOS | Dangerous Girl

por / terça-feira, 15 outubro 2013 / Publicado emColunas, Textos

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“Eu era o que todo mundo queria e sabia disso, estava sentindo-se com sorte por eu estar aqui do seu lado, fumando meu
cigarro, e insistindo para você encher minha taça mais uma vez (“você já não bebeu demais?”).

Engraçado que você não escuta o que as pessoas que te querem bem dizem, elas te avisaram que é perigoso demais querer,
porém, já foi muito longe com isso e não quer parar (ninguém quer).

Você até que sabe jogar, mas eu só gosto dos jogos perigosos, você aceitou o desafio, está perdendo, sabe disso e continua
insistindo. Talvez seja esse seu jeito de quem nunca levou um não, de quem sempre conseguiu o que quis, só que você nunca
tinha lidado com alguém como eu. Apenas preciso aparecer na festa, fazer todos os pescoços virarem (isso é tão natural),
que você já se altera. Ou seja, era só eu chegar na festa e eu conseguia sentir do bar as batidas aceleradas do seu
coração.

Faço vários papéis, sou várias pessoas; personagem variável. O que eu mais gosto é do perigo, minha cena preferida. A história é bem divertida, não sei porque você não acha engraçado quando te quero, consigo, e depois largo no meio do caminho.

Quando estou dançando você chega, aperta com força minha cintura, eu gosto disso, só que isso não vai fazer com que eu
pertença à você. É justamente o contrário meu amor, você e todas as outras pessoas pertencem a mim.

E me leva para todos os lugares, me mostra para todos, segura forte na minha mão, morde minha boca, deixa um roxo no meu
pescoço, como se isso fosse me manter na linha (eu nem sei o que é uma linha!). Gosta de tudo em mim, desde a minha
cicatriz na perna, minha tatuagem que eu fiz sem ninguém saber, até minha cara de ressaca.

Sei que você me quer, que me ama, que não quer me dividir, no entanto, não pode me ter por completo; até apareço inocente
nos seus sonhos, te chamando de herói, sendo a vítima perfeita. Infelizmente, bom comportamento não faz o meu tipo.

E mesmo com as suas brigas, seus gritos de insegurança, seu medo de me perder, eu não escuto nada (sou melhor do que os
melhores), apenas os barulho das pedras de gelo se chocando enquanto você completa meu copo, com medo de que eu vá embora.

Para sua sorte (ou seria seu azar?), você gosta do perigo e eu sou o próprio. Fogo queimando a pele viva enquanto você
quer brincar. Não importa que você tenha um straight flush, ou que saiba contar cartas, todos nós sabemos que a vantagem é
sempre da casa.

Não guarde mágoa, nem ressentimento, você quis procurar alguém para brincar, te disseram que o jogo é errado e você mesmo assim quis tentar. Disse que eu trapaceio, só que as regras são minhas, então não seja um mau perdedor.” Não, não sinto culpa. Eu estou consciente do crime, não desvie o olhar, você está gostando de ser a vítima.”

No fim da festa, cheirando a álcool e nicotina, eu te levo para o carro, não fique com medo (vou cuidar muito bem de você). A gasolina quase acabando, não tem problema, para fazer o que tenho em mente, é preciso um carro parado. O seu perfume confunde-se com o cheiro de couro dos bancos do carro, você morde minha boca, aperto seus lábios, não precisa falar, assim você só estraga o que você acredita que temos. Não tente se enganar falando que precisa ir embora, ambos sabemos que você não vai. Se quiser ir, pode ir, duvido que você consiga parar o que está acontecendo agora.

Então eu aproveito, passo noites divertidas (e, pelo conteúdo delas, essencialmente proibidas), e depois pisco para você,
mas passei o número errado do celular.

Já disse que te amo?”

Texto inspirado em Dangerous Girl, por Yeda Salomão

Clique aqui e confira a letra e tradução da canção.

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
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