TEXTOS | Put The Radio On

por / terça-feira, 24 setembro 2013 / Publicado emColunas, Textos

Without-You

“Olhava o relógio impacientemente, nós não poderíamos nos ver por muito tempo, era tão injusto. Por que não poderíamos viver uma aventura juntos? Não que estar com você não fosse uma viagem alucinante, porém eu queria algo em que nós dois pudéssemos fazer parte, não apenas eu.

Eu tinha tanto medo de te perder, e ao mesmo tempo estava viciada em você. Como alguma droga da felicidade, ou coisa assim.

E eu estava sofrendo com a abstinência.

E aí eu vi, no começo da rua, aquele carro vermelho que sempre me deixava louca. Era finalmente você.

Saí correndo e entrei no carro tão voraz, que me dei conta que não sabia o que fazer. Eu não poderia demonstrar tanto.

Mas você colocou a mão nos meus cabelos e puxou meu rosto para perto do seu, me beijou ferozmente. Meu corpo parecia que estava sendo eletrocutado com a descarga dessa droga dentro de você. Seu hálito de puro whiskey me deixava tonta. Quem bebe às 11 horas da manhã num domingo? Era demais.

Para onde você me levaria dessa vez? Você nunca contava e eu também não perguntava, eu nem sei se queria saber.

Nada de regras, nada do amanhã. Apenas sentir o cheiro do banco de couro e escutar Elvis na estrada enquanto sua mão percorria meu corpo tímido e me chamava de anjo.

Acabamos parando em algum bar de estrada. Bêbados e suas jaquetas de couro colocando moedas na jukebox, mulheres com roupas mínimas e glitter espalhado pelo corpo. E isso era sua vida, ficar nesses lugares, não dar satisfação a ninguém.

Eu queria tanto fazer parte daquilo, queria sair da minha vida entediante e inútil. Eu queria viver. Queria adrenalina.

E você me dizia que eu era uma boa pessoa e que gostava disso. Eu odiava. Eu era entediante.

Resolvi tomar alguma bebida alcoólica pela primeira vez. Queria sentir alguma coisa . Olhei no relógio. Droga, daqui duas horas teria que estar em casa! Era tão pouco tempo e passava tão rápido…

Sentei em seu colo, as coisas giravam um pouco. Você me agarrava no meio daquele bar e ninguém ali se importava. Eram as pessoas esquecidas pelo mundo: as sem futuro, sem família, sem ninguém.

Olhei para seu rosto ainda com as pernas entrelaçadas em seu corpo. Eu olhava nos seus olhos e não conseguia ver nada. Eu queria ser o que você quisesse que eu fosse.

Você me disse para pegar leve e que eu havia bebido. Quem se importava?

Nem sei se era o efeito do álcool. Quando olhava para seu rosto tão suave com um semblante tão frio, eu tinha uma sensação parecida mas bem melhor.

Sua boca estava cortada e eu sabia que era de briga. Eu não perguntei. Eu raramente perguntava. Posso dizer, agora, que achava até legal. Eu me sentia tão viva por estar com ele. Não era aquela pessoa boa que eu fingia ser. Era delicioso. A tatuagem no seu peito tinha algum significado mais oculto. Eu queria saber tudo sobre você, assim como você sabia de cada detalhe meu. E eu não sabia nada.

Levantei para dançar ao som da jukebox. Eu estava me deixando levar pelo clima suave do lugar, pelas pessoas, pelo som.

Apenas eu dançava e ninguém se importava. Apenas você me olhava, me devorava com o olhar. Eu me senti feliz com isso.

Alguma coisa eu causava em você…”

Texto inspirado em Put The Radio On, por Yeda Salomão.

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
Tagged under: ,
TOPO