TEXTOS | Queen Of Disaster

por / sexta-feira, 02 agosto 2013 / Publicado emColunas, Textos

QUEEN-OF-DISASTER

“Era mais uma festa cheia de almas vazias, e eu era uma delas preenchendo o vazio com shots de tequila. Quando caí no sofá vermelho, vendo tudo girar, vi você. Passei a mão no meu cabelo, mas acho que baguncei ainda mais. Sorri e fui retribuída.

Assim que nos conhecemos. Você disse que eu não era apenas um corpo vazio. Somos preenchidos um pelo outro.

Não estamos perdidos quando estamos juntos, não importa em que lugar estamos.

Tudo que fazemos é errado e todo mundo desaprova o nosso amor. Pra gente está tudo bem, tudo bem. Que importa o resto se eu tenho você e vice-versa?

Os olhares curiosos que antes me irritavam agora me divertem.

Somos mais quebrados do que cacos de vidro, porém, qual o problema disso?

Não tem problema, mesmo. Porque quando eu te olho, sei que a perfeição existe. Não ligo se dizem que ninguém é perfeito, nem se você é mais imperfeito que os outros. Eu também sou assim.

Somos um desastre em tudo. E daí?

Nada disso existe quando estamos no seu carro e a única coisa que eu sinto é o vento batendo gelado em meu rosto e sua mão em minha perna.

Somos eu e você, nas festas, bebendo, caindo, brigando, subindo nas mesas, nos bares, cantando no karaokê, bebendo um pouco mais.

Eu tentava tanto me aproximar da perfeição, até te conhecer. Era alguma coisa na sua jaqueta de couro velha, na sua tatuagem que era apenas contorno, na sua pele sempre quente. Algo nos seus olhos profundos, no seu osso do nariz torto, sua cicatriz. Agora, quem dá a mínima para a perfeição? É só mais um conceito idiota.

E quando passamos na sua moto e paramos no restaurante, consigo escutar os comentários. Cidade pequena é assim.

E nós rimos alto às 7 da manhã, enquanto todos os outros estão sonolentos seguindo com suas vidas babacas. E nós nos beijamos com força, onde quer que a gente esteja, de mãos, corpos e almas entrelaçados.

Eu acreditava que nada daria certo, meu destino é tão confuso, tão contrário, tão errado. E mesmo assim me levou até você.

Talvez as pessoas não nos aceitem, talvez elas não gostem de ver nossas demonstrações de amor públicas, talvez elas não gostem de ver sua boca na minha, talvez não gostem de ver a gente passando, de ver nossas mãos dadas… O que importa é que é a sua boca na minha, a sua mão na minha. Não somos parte da sociedade e nem aceitos por ela, mas quem é o louco que quer fazer parte de uma coisa dessa? Nós somos verdadeiros e fazemos o que temos vontade. Sociedade é apenas mais um conceito estúpido também.

E você me quis. Mesmo o meu jeito sendo torto, bagunçado e diferente. Você olhou dentro de mim.

Seu sorriso malvado, sua respiração no meu ouvido, suas mordidas, seu jeito de “nenhuma-mãe-me-quer-como-genro”, tudo isso me pegou de um jeito tão alucinante. Como se eu estivesse num sonho louco e maravilhoso.

Pisco os olhos com força, saindo de todos esse pensamentos. E você ainda está aqui, na minha frente. Olhando para mim. Com a boca levemente aberta. Sua boca rachada, sua cicatriz no queixo. Passo a mão pela sua camiseta, acho um furo, mas essa camiseta ainda realça sua beleza como nunca.

Somos errados, no entanto, somos exatamente certos quando estamos juntos.”

Texto inspirado em Queen Of Disaster, por Yeda Salomão

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
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