TEXTOS | Damn You

por / terça-feira, 20 agosto 2013 / Publicado emColunas, Textos

DAMN-YOU

“Acordei com o celular tocando desesperadamente ( às 3 da manhã, qualquer ligação parece desesperada), olhei e era seu número. Suspirei; obviamente eu ainda te amava, mas eu estava cansada. De todo seu jogo, de você não saber se me amava ou não. Por isso fui embora. Ou pensei que fui.

Sua voz estava lenta, enrolada e pastosa. Você provavelmente tinha bebido uma garrafa de Jack, que era sua bebida preferida. E parece que naquele momento eu senti você comigo de novo, seu hálito cheirando whiskey e nós dançando no bar até o segurança tirar a gente porque já estava claro lá fora.

E para nós, ou pelo menos para mim, não existia lá fora. Existia apenas nós dois. Eu e você. Fazíamos o que queríamos, era o tipo de amor que a gente vê nos filmes.

Bêbados, sem rumo, rodando pelas estradas por horas, indo em festas de desconhecidos, nos encontrando escondido. Ninguém realmente nos aceitava, mas para a gente estava tudo bem.

Eu escutei os rumores sobre você. O quanto você não valia nada. E resolvi ignorar tudo isso, foi meu erro, eu poderia ter pelo menos…”verificado”. Ao invés disso, simplesmente escolhi ficar entrelaçada em seus braços quentes e confortáveis. E olha no que deu.

Era uma loucura. Nossa vida, nosso amor (ou o que aquilo fosse), nossas noites e nossos dias. Nossas brigas e nossas declarações.

Trocávamos mensagens até o amanhecer, planejando fugir (eu realmente levei isso a sério, sabia?). Eu sonhava com você dia e noite.

Quando você falava todo o resto desaparecia, só havia o som melódico da sua voz, a sua língua se movendo com as palavras, os seus lábios levemente sorrindo ou se retorcendo, dependendo do que você falava. Seus olhos brilhavam com expectativas e vontades, e seu mundo era tão diferente do meu, sem graça e bobo. Eu queria ser parte da sua vida tão intensa, interessante e aventureira. Eu queria ser parte de você.

E, de repente (foi tudo tão rápido que não assimilei até agora). Você mudou. Quando ficávamos juntos seu olhar ficava vagando por aí (…)

Não tínhamos mais aventuras, apenas brigas, nem conseguíamos ter uma conversa normal. Você estava “arisco”. Sumia por dias, não atendia o celular. Eu me recusava a perceber que era o fim, achava que o que tínhamos era muito importante e não acabaria (pelo menos eu não via um fim tão próximo).

E tudo desapareceu. Minha alegria, minha risada, meus sonhos. Passava dias e dias chorando, não conseguia me concentrar em nada, nem me envolver com ninguém, nem fazer com que minha vida valesse a pena ou mesmo participar da minha própria vida. Eu estava morta por dentro.

Eu te vi com outras pessoas. Fazendo com elas provavelmente o mesmo que fazia comigo. Eu percebia o jeito que olhavam para você. Era o mesmo jeito que eu olhava.

Doeu tanto! Eu queria tanto te dizer o quanto doeu, o quanto você não deveria ter jogado comigo, queria ter perguntado se você, em algum momento, levou a sério o que tínhamos (ou o que eu achava que tínhamos).

Demorou tanto para passar, e nunca realmente passa, não é?

E minha alma foi se acalmando de tanta tristeza, ficando opaca e seca, tudo isso visando evitar todo o sofrimento. Eu poderia dizer que eu estava bem. Eu estava conseguindo levar a vida sem você, mesmo pensando às vezes em nossas idas escondidas à praia, vendo as ondas quebrarem de noite ou jogando bilhar em bares esquisitos.

Voltando à ligação, você estava dizendo que não existia ninguém como eu. O quanto você me queria de volta, o quanto você errou. Claro que eu queria dizer tudo o que eu tinha pra dizer, porém isso seria errado. Eu mostraria que eu me importei. A última coisa que eu queria era isso.

Perguntei quem era a azarada que estava dormindo ao seu lado neste exato momento. Você não respondeu. Sentia pena dela, até. Passando por tudo que eu passei. Provavelmente estava prestes à chorar tudo o que eu chorei. Eu não nego que meu coração quase saiu da boca ao ouvir suas declarações. Eu queria TANTO acreditar que tudo aquilo era verdade, queria tanto… Só que não era. Se eu voltasse, sei que aconteceria a mesma coisa. E se fosse diferente? Idiota. Eu sou mesmo idiota. Já passou tanto tempo e ainda estou caindo na dele. Infelizmente ele ligou bêbado, infelizmente ele não passava de um canalha, infelizmente não era para ser. Falei para ele cuidar bem dessa “pobre coitada” e desliguei. Isso arranhou o muro que eu construí em torno do meu coração, mas não abriu uma brecha.

Dessa vez eu não chorei. Quase chorei, quase. Preferi pensar que existe alguém aí fora para mim. E quer saber? Eu acho que existe…”

Texto inspirado em Damn You, por Yeda Salomão

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
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