‘Eu realmente pretendo viver a minha vida com graça e dignidade’, confira a entrevista para o site Radio.com

por / sexta-feira, 16 agosto 2013 / Publicado emEntrevistas

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Após sua elogiada apresentação no Lollapalooza na semana passada (02/08) em Chicago, Lana Del Rey falou ao site Radio.com sobre Young and Beautiful, Summertime Sadness, seu desejo de colaborar com Lou Reed, vazamentos de novas músicas, pressão em ser uma referência para suas jovens fãs e muito mais. Confira a tradução completa a seguir:

 

Entrevista: Lana Del Rey sobre os vazamentos, os imitadores e os haters.

 

Enquanto o remix de “Summertime Sadness” a traz para o rádio de uma forma grandiosa, nós sentamos com a Lana Del Rey para conversar sobre o passado e o futuro.

 

Pelas 22:30, quase 100.000 pessoas encheram o Chicago’s Grant Park para o primeiro dia do Lollapalooza 2013, realizado há algumas semanas atrás. Enquanto a massa de gaorotos avança para a saída, Lana Del Rey se senta em uma mesa de piquenique nos bastidores, suficientemente longe do barulho. É tão escuro onde ela se senta que até chegar perto o suficiente para chamar sua atenção, a única coisa que você pode realmente ver é o brilho de seu cigarro. Essa cena pós-festival está em contraste gritante com a sua apresentação “muito louca” mais cedo naquela noite.

Eu tive que rodar o mundo por dois anos só para ter um público em Chicago,” ela contou para o Radio.com. “Quero dizer, eu poderia apenas ter sido impopular para sempre, o que provavelmente teria sido muito menos cansativo.

Um ano e meio depois, depois de todas as paródias de Born to Die que vieram e se foram, há um toque de fama, de transtorno, de estresse pós-traumático em como Lana Del Rey fala sobre si mesma. Ela se refere às suas “não muito acolhedoras boas vindas aos olhos do público americano“, mas a verdade que importa é que, nós estamos no meio da segunda vinda de Lana Del Rey. Quando criadores de tendência ficam cansados, artistas  de um temperamento muito pop podem tentar o mais mainstream, o veículo transmissor “do povo”: o rádio.

Aqueles que criticaram Lana Del Rey podem se surpreender ao saber que ela tem uma canção número 1 na Billboard (Dance/Mix Show Airplay) esta semana. E um top 5 (Hot Rock Músicas, onde tem várias músicas bombando). E um top 15 (Músicas digitais). E, o mais notável de todos, um Top 20 na Billboard Hot 100, onde o remix de “Summertime Sadness” do DJ/produtor francês Cedric Gervais se encontra no número 16. Originalmente lançado no Born to Die, “Summertime Sadness” ganhou vida nova através de seus remixes, com a versão de Gervais acumulando o topo de 40 estações em todo o país ao longo do último mês.

Enquanto isso, “Young and Beautiful“, a contribuição de Lana para a trilha sonora de O Grande Gatsby, está recebendo atenção nas estações alternativas. O rádio não sabe exatamente o que fazer com Lana Del Rey, mas as estações estão tocando-a. E não surpreendentemente, ela não poderia estar mais feliz. Ela discutiu isso tudo e muito mais em um bate-papo sinuoso, incluindo seus planos para um novo álbum, que ela diz ter sido jogado fora com a recente enxurrada de vazamento de suas canções.

Para ser sincera, o que realmente aconteceu foi, três anos atrás alguém acessou remotamente o meu computador, então até músicas que eu nunca me mandei por e-mail [foram acessadas],” ela explicou. “Existem centenas delas.

Radio.com: Vendo a sua apresentação esta noite, fica claro que sua performance no palco agora é mais elaborada do que era quando você começou a turnê com o Born to Die, particularmente por causa das vinhetas de vídeo. O que você estava tentando alcançar com essa encarnação de seu show ao vivo?
Lana Del Rey: Bem, eu sou meio influenciada a cada dia por qualquer coisa que eu encontre. Eu não escuto muita música nova, mas eu realmente amo o Father John Misty, que meio que me lembrou das minhas raízes. Eu voltei a ouvir Joan Baez e Bob Dylan, cujos percursos de vida realmente influenciaram o meu de 10 anos atrás, quando eu tinha 18. Para o visual, às vezes antes mesmo das músicas virem até mim, eu definitivamente tenho uma imagem de algo que eu quero pintar com palavras. Eu me lembro de quando eu tinha 16 anos e eu li Howl do Allen Ginsberg; essa foi a primeira vez que eu percebi que você podia pintar quadros com palavras e eu queria fazer isso.
Na verdade eu meio que conheci a minha alma gêmea na direção com Anthony Mandler. Eu sempre lhe dou uns quadros de “humor” e gráficos que ele analisa e traz vida para todas as visões. Ele nunca diz que não e me pergunta por que eu quero que seja sobre a bondade de estranhos, como no caso de “Ride” [o vídeo, curta-metragem] – por que estou com homens diferentes e coisas assim? Eu digo para ele que não se trata de ser submissa aos homens ou qualquer coisa assim. É sobre não saber se alguém próximo de você pode ajudá-lo, e ter sorte o suficiente para encontrar pessoas que você acabou de conhecer aleatoriamente, que podem cuidar de você até que você possa cuidar de si mesmo.
Isso quer dizer, os visuais meio que vêm de ideias que eu acho que são importantes. Mas quando se trata de um show ao vivo em si, é a única coisa que eu realmente não penso muito sobre. Eu sou meio tradicional nesse sentido, em que eu não tenho um show muito mágico. Eu estou apenas lá para cantar e não tenho muito o que dizer.

Algo que me impressionou essa noite foi que eu estava em pé entre todas essas garotas e eu ouvi pelo menos umas cinco vezes “Eu quero ser ela”. Esse festival é cheio de garotas com coroas de flores como essa que você está usando agora. Você está ciente dessas coisas?
Uau. Bem, a minha reação é que isso é muito surreal considerando que eu não tive uma recepção muito boa vinda do público americano. Eu meio que me sinto sortuda por ter escrito essas canções e por contar a minha história. Eu acho que é importante ser a testemunha da sua própria vida através da escrita. E para mim, eu achei que seria realmente aonde isso acabaria, porque eu não seria aceita – esse é o meu destino. Mas eu aprendi a ir junto com as coisas. Eu fiz turnê por toda a Europa, o que foi uma loucura total – um monte de gente, grandes multidões. Eu levava uma espécie de vida dupla, porque eu chegava em casa na América e as coisas eram muito calmas – eu tinha o meu dia e cuidava do meu irmão e irmã que moram comigo. Então, de certa forma, eu estou feliz que não esteja acontecendo nada de errado.

Considerando esse público feminino jovem que você tem, você sente alguma pressão para ser um exemplo?
Bem, eu acho que a coisa boa é que eu realmente pretendo viver a minha vida com graça e dignidade, se alguém quiser emular isso. Eu sei que eu pareço de uma certa forma às vezes, ou lanço uma certa vibe. Mas eu realmente não gosto de estar em apuros. Eu gosto de viver uma vida boa, é importante para mim.

Em um certo ponto, porém, o seu jeito de agir não se torna uma performance?
Bem, meio que se tornou isso. Quando o público aumenta, se torna menos sobre você e mais performático, apesar de eu não ser uma artista natural. Eu amo escrever, eu amo gravar no estúdio – é o que eu amo.

Falando nisso, você está trabalhando em músicas novas agora?
Eu estava até que o meu álbum vazou semana passada, porque a minha vida é completamente invadida. Mas sim, estou escrevendo canções que eu realmente gosto agora. Elas são muito discretas e despojadas, inspiradas na Costa Oeste. Por mais adiante que eu tenha chegado, eu continuo trabalhando com as mesmas quatro pessoas. Como Dan [Dan Heath, que co-escreveu “Blue Jeans”], que não é da música pop, mas sim um compositor que estudou com Hans Zimmer. Ele e o meu namorado Barrie [Barrie-James O’Neill, da banda folk-rock Kassidy de Glasgow]. Mas eu quero trabalhar com Lou Reed, e eu gostaria de manter as coisas discretas e frescas.

Eu acho que o pensamento foi de que algumas das demos vazadas eram canções que você escreveu bem antes na sua carreira.
Bem, algumas delas eram, mas outras como “Black Beauty”, não…

Você vai continuar a trabalhar nelas, ou se sente desanimada por causa dos vazamentos?
Eu me sinto desanimada sim. Eu não sei realmente o que por no álbum. Mas eu acho que poderia colocar elas lá e ver o que acontece. Toda vez que escrevo…Eu nunca vou escrever uma canção se não achar que ela é perfeita para o álbum.

É muita pressão para colocar sobre si mesma.
É o jeito que eu faço, o que significa que eu não escrevo o tempo todo. Minha inspiração é muito fugaz. Às vezes são seis meses. Eu não forço. Porque você precisa fazer coisas para escrever sobre. Você tem que se meter em encrenca para escrever sobre isso. (Risos)

Você sente como se onde a sua vida está agora é o momento propício para escrever música mais orgânica do que quando o Born to Die saiu e você estava tão envolta no hype?
Sim, eu não gostei disso. Eu não acho que foi propício para a escrita, estar na estrada e tudo isso. Eu realmente não me sinto inspirada para escrever, mas antes, quando eu fiquei no Brooklyn por nove anos…Eu era meio que uma coruja da noite e apenas caminhava e conhecia pessoas estranhas. Eu fui pegando experiências de vida e misturando com as minhas. Isso funcionou para mim. Na verdade, o Lollapalooza é o meu último compromisso ao vivo. É ruim porque faz tanto tempo desde o último álbum. Eu realmente sinto como se precisasse de seis meses para viver de novo, tempo para ser, tipo, normal ou anormal. Eu não tenho ninguém escrevendo para mim. É bem interno e se não está completo, não está completo.

Você poderia trabalhar com compositores externos. Você está aberta para esse tipo de coisa mais um pouco agora?
Sim, eu estou mais aberta para isso agora, porque pessoalmente eu não estou sentindo isso. (Risos). Tipo esse cara com quem eu trabalhei oito anos atrás, Steven Mertens, que fez o meu primeiro álbum [nota do editor: David Kahne é creditado como o produtor do seu álbum de estreia, Lana Del Ray a.k.a. Lizzy Grant; Mertens é membro da banda do Spacecamp do Brooklyn]. Ele me conhecia muito bem. Então eu meio que gostaria de voltar e ser relembrada do porque eu pensei que não poderia ser outra coisa a não ser uma escritora. Eu gostaria talvez só de voltar e ver o que acontece.

Vamos falar por um segundo sobre a música nova que você lançou recentemente. Você escreveu “Young and Beautiful” especificamente para a trilha sonora de O Grande Gatbsy, ou era uma música que você já tinha escrito, mas não lançado?
Eu escrevi uma música diferente, mas quando Baz Luhrmann ouviu, ele me perguntou se eu poderia escrever uma deixa para a Daisy. Então eu cantava-lhe um coro de “Young and Beautiful” que eu já tinha – apenas um coro – e ele pensou que seria bom para ela. Eu escrevi a coisa toda depois que eu assisti suas cenas no jardim.

Você ficou feliz com a forma que foi incorporada no filme?
Sim. Eu quero dizer, eu sou sempre cautelosa sobre grandes projetos que têm um monte de brilho. Mas algo estranho aconteceu, foi que “Young and Beautiful” pegou nas estações alternativas. Eu venho pra casa [voltando da turnê na Europa] depois de quatro meses e “Summertime Sadness” tá tocando na rádio, também. Então eu me sinto grata por isso, porque eu amo essa música.

Eu quero voltar para algo que você disse mais cedo. Você reconhece que você não teve um grande acolhimento do público americano, mas agora, um ano e meio depois que o Born to Die saiu, você está se conectando a um novo público pelo remix de “Summertime Sadness” no top 40 nas rádios.
Isso só reforça o fato de que… não que nada realmente importe, mas que as opiniões de outras pessoas não importam porque podem mudar num segundo. E se as pessoas estão tão dispostas a mudar, talvez elas não tenham o caráter mais forte. Eu não estou interessada em pessoas confusas. Eu meio que me sinto abençoada quanto mais eu companho isso. Eu tenho um irmão e uma irmã mais novos, o que se tornou básico para mim e tornou-se sobre a família. Como vamos todos viver juntos se eu estou na estrada? Eles virão comigo? Eu voltarei pra casa? Provavelmente não.
Meu novo empresário, que eu nunca tinha conhecido antes, me trouxe um SoundScan para me mostrar que “Summertime Sadness” estava sendo tocada muitas vezes em Los Angeles e em Nova York. Eu meio que não sinto como se fosse meu, porque por muito tempo eu não pude fazer nada a respeito.

 

Por Jillian Mapes
Tradução por Ana Luiza Guimarães

Redação LDRA
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