Marina Diamandis cita Lana Del Rey em entrevista ao site brasileiro ‘G1.com’

por / quinta-feira, 25 outubro 2012 / Publicado emEntrevistas

Marina

‘Anti-Adele’, Marina & the Diamonds ensina mulheres a partir corações

Cantora galesa lança no Brasil disco que tem mesmo produtor de Britney. ‘Não quero posar de vítima’, diz ao G1; clipes já têm 70 milhões de cliques.

 

“Regra número um: Você tem que se divertir. Mas quando acabar, seja a primeira a fugir.” Parece livro de autoajuda feminina – não dos conservadores, que ensinam a agradar o marido, mas um ousado, que coloca a mulher em posição dominante. A regra, porém, não é escrita, e sim cantada por Marina Diamandis.

“Inverto a típica situação em que o cara é o controlador e a mulher é dominada”, a galesa de ascendência grega, com nome artístico Marina & The Diamonds, explica ao G1. A música tem uma série de regras para que garotas sejam “destruidoras de corações”

“How to be a heartbreaker” teve vídeo lançado há menos de um mês (assista), já com mais de um milhão de views no YouTube. Outras canções de Marina  exaltam o poder feminino. Em “Primadonna”, lançada em maio, ela encarna uma mulher cheia de vontades. “Tenho você enrolado no meu dedo, querido”. Esta já tem 16 milhões de um total de 70 milhões de cliques no canal da cantora.

As duas músicas fazem parte do disco “Electra heart”, recém-lançado no Brasil, segundo trabalho da artista apontada como promessa musical na Inglaterra pela BBC em 2010. O álbum tem produção de Dr. Luke, que já trabalhou com Britney Spears, Katy Perry, Rihanna e outras.

Segundo Marina, o disco surgiu de uma desilusão amorosa. Mas, em vez de “ficar de luto pela perda de um amor”, como outra artista que canta sobre o tema, Adele, ela coloca o ouvinte na posição de pessoa forte. “Quando me sinto ferida por alguém, não quero posar de vítima”.

G1 : Você já disse que fazer o novo disco foi uma maneira de lidar com uma desilusão amorosa que você teve. Outro álbum sobre isso é o sucesso ’21’, de Adele. Foi sua intenção não fazer um álbum triste, ao contrário do dela?
Marina Diamandis: Eu acho que tem a ver com a minha personalidade, sou muito orgulhosa. Quando me sinto ferida por alguém, eu não quero posar de vítima. E isso faz parte do personagem que criei para “Electra heart”. Adele fala de uma maneira diferente, ela fica em luto pela perda do seu amor. “Electra heart” te coloca na posição de uma pessoa forte que finge não precisar de mais ninguém.

G1:- Em sua música ‘How to be a heartbreker’ você parece passar uma mensagem de força para garotas. Acha que o feminismo ainda é necessário nos dias de hoje?
Marina Diamandis:
 Sim. Acho que em algumas partes do mundo isso pode não ser um problema, ou para algumas mulheres, depende da criação. Mas é o mesmo que dizer que legalizar o casamento gay vai acabar com a homofobia. Eu sinto o mesmo com o feminismo. Nós evoluímos bastante, mas continuamos não tendo igualdade. Em “How to be a heartbreaker” eu inverto aquela típica situação em que o cara é o controlador e a mulher é dominada.

G1: É a versão feminina do Womanizer [personagem de música de Britney Spears]?
Marina Diamandis: 
Exatamente! Nos meus sonhos [risos].

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Marina Diamandis dá sua primeira dica para destruir corações em clipe de ‘How to be a heartbreaker’

G1: Você apareceu em 2010 com a Ellie Goulding na lista de promessas da BBC. Ela já tem um grande hit nos EUA, “Lights”. O quão importante para você é estourar lá?
Marina Diamandis: Para este álbum é mais importante que nunca. Principalmente porque foi um disco feito lá e produzido por norte-americanos. Mas sucesso em qualquer lugar é bom. “Primadonna” foi disco de platina na Australia nesta semana e eu não acreditei. Se eu consegir algo no Brasil, será lindo também.

G1: Já teve contato com fãs brasileiros?
Marina Diamandis: 
O único contato é no Twitter, e os fãs brasileiros já são muitos lá. Tenho expectativa de tocar aí no ano que vem, mas nada marcado.

G1: Você já descreveu seu som como alternativa ao pop mainstream. Mas você já abriu shows para Katy Perry e disse admirar Britney Spears.
Marina Diamandis: 
É uma questão em que eu penso todos os dias. Me sinto dividida. Porque eu não acho que sou o tipo de artista como Joni Mitchell ou Fiona Apple. Eu sou uma pessoa de performance mais dinâmica, mas também não sou uma popstar de plástico. Vejo os dois lados, e curto os dois. Admiro artistas pop como Britney e Katy Perry, o jeito com que elas apresentam as coisas de maneira grandiosa. As músicas de Katy são brilhantes.

G1: Lana Del Rey disse que escuta suas músicas. Ela é criticada por ter “se inventado”, mudado visual, nome. Você também criou uma personagem em ‘Electra heart’. O que acha dessas críticas?
Marina Diamandis: 
É muito estranho, porque muitos artistas já mudaram seus nomes e têm algum tipo de passado. Acho que é porque ela é muito bonita. Se ela tivesse um visual comum, as pessoas não seriam tão maldosas. Mas ela já tem pessoas que a entendem.

G1: Um verso de ‘Primadonna’ é ‘preencha o vazio com celuloide’. O que quer dizer?
Marina Diamandis: 
Isso diz sobre performances. As pessoas precisam de atenção, como a “primadonna” [cantora principal] da ópera, elas precisam de amor. Preencher o vazio com celuloide é como encher sua vida com fotografias de você mesmo. Especialmente na nossa geração, que está sempre tirando fotos de si mesma. Essas pessoas anônimas na vida real e famosas Tumblr foram uma inspiração para o visual do disco.

 

Por Rodrigo Ortega

Redação LDRA
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