‘Pra mim é interessante estar onde ninguém está’, confira a matéria e a entrevista para a GQ britânica após Lana ser eleita a mulher do ano pela revista

por / segunda-feira, 01 outubro 2012 / Publicado emEntrevistas

GQ

 

Em uma cara e dourada suíte no famoso hotel de Paris, Monte-Carlo, Lana Del Rey, vestida com um simples moletom cinza, uma calça jeans skinny azul escura e uma camisa branca, senta-se no chão próxima a um sofá perfeitamente vazio, acende um cigarro tão fino quanto uma vareta e explica o quão bonita ela acha que essa parte do mundo é. “É o lugar mais bonito“, ela se entusiasma, sem fôlego, “eu sabia a partir do momento em que vi“. Engraçado, eu digo, como a reputação de Mônaco por ser um paraíso fiscal para os mais podres de ricos do mundo traz consigo uma certa, bem, contenção. “Sim”, Del Rey sorri, rispidamente, “mas algumas pessoas não ganham dinheiro algum”.

Eu não tenho certeza sobre o que fazer com esse comentário. Ela quis dizer que aqueles que não ganham dinheiro suficiente para se tornarem refugiados fiscais neste “exclusivo” estado ensolarado devem se impor, ou se calar – ou outra coisa? Por uma fração de segundo, fico confuso, cortando descaradamente para a rapidinha, falar o que ela pensa sem se importar com as consequências, não mordendo sua língua, colocando-a na linha. Alguns, como este escritor, acham isso revigorante, outros, um pouco confrontante. Esta não é sua intenção, ela é tão doce quanto um pêssego. Até mesmo reservada. Se não for um pouco estranha. Não quero dizer “maluca”. Maluca é uma palavra errada que a faz parecer com o tipo de garota que coleciona lancheiras da Hello Kitty, usam collants da American Apparel e desenham unicórnios o dia todo – ou alguém como Lena Dunhum de “Girls” da HBO. Não, Del Rey é estranha estranha. Ímpar. Excêntrica. Notável. Uma estrela do pop adequada.Não igual a você ou a mim.

Ela também é excepcionalmente bela: o cabelo ruivo em cascata, os lábios inchados, os cílios mergulhados em máscara da Kohl. Del Rey é sexy, mas com um distanciamento sonhador, como uma antiga estrela de cinema cujo nome você não consegue se lembrar de um filme cujo o título você não consegue localizar. Esqueça aquele erotismo desenhado de Nicki Minaj, da gueixa-cyber-punk de Lady Gaga e o estilo rude-girl de Rihanna. — Del Rey é um diferente tipo de pop star moderna. Seu sex appeal é mais refinado. Granulado. De aparência vintage. Envolta por um verniz luxuoso. Ela é a beleza, “instagramizada”. Parte do charme de Del Rey é tal como frascos de inocência projetados contra letras que gotejam o desejo de ser corrompida. “Eu ouvi dizer que você gosta de garotas más, querido, isso é verdade?” ela canta. Para um homem, esse tipo de provocação é magnética.

Enquanto Del Rey sopra baforadas com as pernas cruzadas naquele caro carpete do hotel, falando o que pensa, ela parece mais feliz do que vem sido há um tempo. É de admirar ver ela se sentir flutuante considerando as novidades: na ultima noite em Londres ela ganhou um Ivon Novello Award pelo seu single “Video Games” – uma honra que artistas desejam, como uma reivindicação de sua capacidade de composição, premiada por seus colegas – e agora ela foi coroada Mulher do ano pela GQ. Ela está realmente encantada: “Obrigada. Só de ter alguém reconhecendo o material que escrevo é extremamente comovente. É uma afirmação das sortes. Eu achei que isso não iria acontecer. Nada disso”.

Quinze meses atrás, o mundo se apaixonou por Lana Del Rey, ou mais especificamente, o mundo se apaixonou com “Video Games”; uma musica que é sobre as minúcias da vida cotidiana, ressonando para significar algo muito maior, muito mais escuro. Ao longo da música Del Rey canta com uma espécie de resignação, submissão melancólica – “Estou em seu vestido de verão favorito/Vendo-me tirar a roupa/Leve esse corpo para o centro da cidade” – Seu tédio lírico sofisticado flutuando num tom sombrio contra o som da perdição- encharcado com harpas e cordas crescentes. Embora Del Rey insista que é sobre estar apaixonada e ela está cantando sobre estar no meio de um relacionamento amoroso, não é bem assim. De modo nenhum. Toda a música soa elegíaca – uma espécie de canção de luto por um determinado sonho americano; um ajuste perfeito para a estética de Del Rey.

É uma música que escrevi com um garoto chamado Justin Parker, um produtor que conheci em Londres“, ela me conta. Del Rey postou a música, como é a maneira moderna, em 29 de junho de 2011. O vídeo em seu canal no YouTube foi visto mais de 40 milhões de vezes. A própria Del Rey o fez em seu MacBook; composto por clipes que ela encontrou na internet – filmagens com Super 8 de skatistas com aparência vintage, rosas cor de rosa se abrindo de forma proativa, desenhos da Betty Boop, a luz do sol manchada sobre um desfiladeiro em Los Angeles, o letreiro de Hollywood, o vídeo do TMZ de Paz de la Huerta tropeçando para longe do Chateau Marmont após os Golden Globes, visivelmente ofendida. Ocasionalmente Del Rey aparece, sem foco com cabelo de colmeia e lábios picados por abelhas, parecendo uma Jackie O. hipster ou uma modelo da Abercrombie & Fitch. Se você assistir o vídeo com o som desligado, como eu fiz, você pensaria que é uma música sobre as armadilhas e fragilidade da fama, um anseio pelos mais dourados e mais dignos anos das celebridades – conhecendo Del Rey (alguém mais consciente de sua imagem do que talvez  qualquer outra estrela pop hoje) tal tom certamente não foi por acidente.

Levei duas horas para escrever” ela explica sobre a faixa, que pode ser encontrada em seu álbum Born To Die, lançado em Janeiro desse ano. “Foi no meio de um longo processo onde tive que me mudar pra Londres. Eu estava na sala de composição da Sony” – um santuário criativo fornecido pela gravadora que atua como um campo de treinamento para aspirantes a hit-makers – “e Justin escreveria os acordes e eu escreveria a letra e a melodia. Nós tínhamos escrito cinco músicas e depois descansamos. Então, eu comecei a escrever coisas que eu amava, que foram perfeitamente adaptadas para mim – ‘Video Games’ foi uma delas. Ninguém acreditou muito nela naquele momento; era bem simples com uma linha de piano. Eu gostei imediatamente. Eu sabia. Tenho um instinto para essas coisas. Com músicas ou com pessoas…

Ao longo do último verão, enquanto a música se espalhava online no mundo inteiro, os críticos aclamaram a Nova Rainha do Sadcore. Mas, com o louvor da música veio uma contrarreação para a cantora – tudo antes de Del Rey sequer lançar oficialmente uma única nota musical. As pessoas estavam desconfiadas. Era como se a canção fosse muito perfeita. Del Rey muito bonita. Quem era esta artista enigmática, auto intitulada “Nancy Sinatra gangster”? Alguns diziam que Lana Del Rey, longe de ser um novo talento, era de fato a reencarnação de uma cantora popular (com um álbum sem sucesso lançado anteriormente) chamada Lizzy Grant – cosmeticamente avançada (aqueles lábios eram muito fofos de longe, aparentemente ), criada pela gravadora, ambiciosa e, ao invés de uma nova descoberta, ela era uma fraude, que cantou sobre a vida em um trailer quando na verdade seu pai era um desenvolvedor imobiliário milionário, que reforçou sua carreira. Os ataques online foram cruéis e implacáveis; os trolls da internet banqueteavam-se com todos os rumores digitais. Seu público americano foi particularmente selvagem. E doeu. “As pessoas eram muito más comigo“, ela admite.

A verdadeira história de Del Rey é essa: nascida Elizabeth Grant em Nova York 26 anos atrás, ela foi criada em Lake Placid. Com 14 anos, ela foi enviada por seus pais para Kent School, um rígido internato em Connecticut. Ela saiu, ou, como dizem os rumores, foi expulsa por mau comportamento, voltando para Nova York aos 18 anos. Ela se matriculou na universidade de Fordham para estudar metafísica, tocando durante todo o tempo em bares e clubes, apenas ela, seu violão e um microfone. Com 20 anos, dois anos depois, foi oferecido o primeiro contrato a Elizabeth Grant – por rumores, de 10,000$ – e se mudou para Nova Jersey para viver em um trailer.

Isso foi em 2006, e a gravadora era pequena e independente chamada 5 Points Records. Sob a orientação de um produtor chamado David Kahne – que aparentemente assinou com ela após ouvir apenas uma demo – dois anos depois, em outubro de 2008, Grant finalmente lançou seu primeiro EP de 3 faixas, intitulado “Kill Kill”. Um álbum completo sairia em Janeiro de 2010 intitulado “Lana Del Ray AKA Lizzy Grant”. Um pouco misteriosamente – e esta é a parte que os céticos realmente gostam de fincar seus dentes – este primeiro álbum só ficou disponível no iTunes por questão de meses, até que ele foi subitamente retirado, pois Grant comprou de volta os direitos da gravadora. A artista chamada Lizzy Grant, em seguida, desapareceu. Em junho de 2011, alguém chamado Lana Del Rey – desta vez com um “e” – lançou seu “debut” single “Video Games” e assinou com a Stranger Records. Poucos meses depois, ela assinou um contrato conjunto com gravadoras maiores, a lnterscope e a Polydor.

Você pode perceber porque todos esses guardiães picuinhas de “autenticidade” da cultura pop ficaram tão chateados – para alguns, parece um caso clássico de uma bonita, mas mal sucedida estrela pop (Lizzy Grant) que está sendo moldada e remodelada (fisicamente através da faca do cirurgião, e também sonoramente) em um pacote mais atraente, mais exótico (Lana Del Rey) por algum registro maquiavélico  e um grupo de advogados com cifrões no lugar dos olhos. O que aconteceu não poderia estar mais longe da verdade. Se alguém aqui é o Svengali por trás do fenômeno de Lana Del Rey, é Lana Del Rey. Ou melhor, Elizabeth Grant. “As pessoas agem como se eu estivesse tentando reescrever minha história“, ela explica quando a pergunto porque ela comprou de volta os direitos do seu primeiro álbum e o retirou do iTunes. “Eu fiz aquele primeiro álbum em 2008, juntamente com o EP, mas minha gravadora esperou três anos para lança-lo, Eles pensaram que alguém maior iria comprá-lo, mas não compraram, então no final eles mesmo lançaram. Naquele momento, três anos se passaram; eu segui em frente. Tudo o que eu queria era ter o controle, e a maneira mais fácil de fazer aquilo era comprar os direitos de volta. Aquele álbum ainda está online para todos ouvirem; não é um terrível álbum perdido que eu odeio e nunca mais quero reivindicar minha posse. Na verdade, tenho muito orgulho do material antigo“.

Então por que, e como, entre 2006 e 2011, Lizzy Grant se tornou Lana Del Rey? A rapper Princess Superstar, que se tornou amiga de Del Rey em Nova York enquanto ela enfrentava sua metamorfose, ajudando a jovem cantora encontrar uma nova visão e uma nova voz, tem isso a dizer: “Eu nunca entendi essa controvérsia se Del Rey é verdadeira ou falsa. Todos os artistas tem uma personalidade. Ela não foi montada por alguma empresa. Essas são suas músicas, suas melodias, ela cantando – ela sempre teve essa estética dos anos 60.” A mentora de Del Rey está correta. Desde quando é inautêntico se reinventar quando você é uma pop star? Não é isso que consiste ser uma pop star? Não é esse aspecto que nos deixa absorvidos? Quem quer David Robert Jones quando se pode ter Ziggy Stardust? Ou Stefani Joanne Germanotta ao invés de Lady Gaga? Ou Lizzy Grant.

Foi há nove anos atrás“. Algumas das respostas quanto ao acompanhamento do surgimento e da evolução da Lana Del Rey pode ser encontrada sabendo que quando ela era jovem, muito jovem, em algum lugar entre 13 e 18 anos, Del Rey começou a beber. Fortemente. Mesmo antes de ter sua personalidade atual, Lizzy Grant estava aparentemente tentando escapar de alguma coisa, ou mais precisamente de alguém – dela mesma. “Já faz nove anos desde a minha última bebida“, ela explica, um assunto que nunca desapareceu em suas músicas tão candidamente antes. “Essa foi a verdadeira razão pela qual fui para o internato aos 14 anos – para ficas sóbria” Funcionou? “Eu era uma grande beberrona naquele momento. Eu bebia todos os dias. Eu bebia sozinha. Eu pensei que todo o conceito era muito legal. Uma grande parte do que eu escrevi em Born To Die é sobre esses anos desertos. Muito do que escrevo sobre a pessoa que amo, sinto como se estivesse escrevendo sobre Nova York. E quando escrevo sobre o que perdi, eu sinto como se estivesse escrevendo sobre o álcool, porque foi o primeiro amor da minha vida. Claro, houve pessoas, mas é realmente o álcool“.

Eu pergunto a Del Rey como ela superou seu alcoolismo. “Meus pais estavam preocupados, eu estava preocupada. Eu percebi que era um problema quando eu gostava mais disso do que qualquer outra coisa. Eu pensava, estou fodida. Completamente fodida. Tipo, no primeiro momento você acha que tem um lado escuro – é emocionante – mas depois percebe que o lado escuro ganha todas as vezes se você decidir ceder a dele. É também uma maneira completamente diferente de viver quando você sabe disso, é como ser diferentes espécies de uma pessoa. Era assustador. Foi a pior coisa que aconteceu comigo“.  As drogas também se tornaram parte de sua vida: “Estava tudo no final“. Heroína? “Não. Mas outras coisas apenas para me sentir diferente“. No fim, Del Ray acabou deixando a escola e sendo enviada para a reabilitação. “Eu voltei para Nova York e trabalhei em um programa de apoio para viciados em drogas e álcool no Brooklyn“. Tal trabalho é algo que ela ainda faz hoje em dia: “É a única coisa que é realmente importante para mim. Minha música é uma luxuria. Assim como estar aqui em Mônaco é uma luxuria“.

Foi durante sua participação na reabilitação do Brooklyn, com 18 anos, que a jornada musical de Del Rey realmente começou. Apesar de ter sido seu tio quem lhe ensinou a tocar violão, ela procurou em outras pessoas, estranhos, outro tipo de inspiração. Ela começou a explorar a cidade. Sozinha. Sem medo. “Pra mim é interessante estar onde ninguém está“, ela explica. “Quando eu era jovem, me senti muito sobrecarregada e confusa com o desejo de não acabar em um escritório, fazendo algo que eu não acredito“. Então ela fez o que qualquer estudante curiosa de 18 anos de idade se recuperando do alcoolismo faria – ela começou a vagar por becos escuros à procura de problemas. “Eu era uma caçadora secreta de emoções. Eu estava colocando minhas antenas para fora por toda a cidade, em lugares diferentes com pessoas diferentes, tentando ver o que parecia certo“.

Del Rey chama “procurar estranhos” de seu hobby. Ela adiciona: “Ainda é minha paixão. Eu saia pela porta da frente no Brooklyn ou em Manhattan com a intenção de conhecer alguém que tem a mesma energia. Coloque aí. Eu sempre me aproximava de uma pessoa, a olhava e dizia ‘Com licença, seu dinheiro está caindo do seu bolso’ “. E aí? “Nós pilotávamos motocicletas e íamos em algum lugar. É incrível o que acontece quando você coloca seus interesses expostos para o universo e faz ele perceber o que você quer – você só tem que saber o que é. Eu não queria nada além de me sentir nova todos os dias. Eu queria experimentar coisas novas. Eu me sentia viva. Mas você tem que colocar limites. Você não pode ir muito longe com isso“.

Isso tudo soa um pouco perigoso, montar em bicicletas com completos estranhos. Escolher caras estranhos na rua só por diversão. Ela teve alguma experiência ruim? “Não. Nunca. Eu sou uma operadora independente. É diferente pra caralho. Eu nunca quis ter uma vida normal“. Ela ainda mantém contato com alguma das pessoas aleatórias que ela encontrou? “Algumas“.

Eu pergunto a Del Rey se ela acredita em almas gêmeas: “Eu acredito. Mas eu acho que existe mais de uma para todo mundo. Eu poderia conhecer uma pessoa, mas gostar de outras pessoas também. Eu já vi acontecer antes: pessoas que tem seu verdadeiro amor, com muitos grandes amores ao seu redor“. Ela para, de repente, corando. “A Mulher do Ano da GQ é uma caçadora de aventuras polígama!

Até recentemente, um verdadeiro amor de Del Rey, além do álcool, era a América, em particular sua cidade natal de Nova York. Parte das consequências a partir de todas as críticas que recebeu no início deste ano – o maior vitríolo reservado por sua atuação no Saturday Night Live na qual a afinação de Del Rey foi, reconhecidamente, um pouco monótona em alguns momentos – é o seu desânimo em como certas partes de seu país que a atacaram tão brutalmente. A brutalidade realmente cega um lado da cantora, as feridas ainda tem que se curar: “Não afetou minha composição, mas afetou minha felicidade. Eu entrei em depressão. Porque eu amo Nova York demais. Eu nasci lá; era minha cidade. Eu iria morrer lá“. Mesmo agora, quase um ano depois, se apresentar ao vivo é uma das coisas mais difíceis para Del Rey – difícil de evitar quando se é uma pop star. Quando ela viu o holograma de Tupac Shakur no Coachella esse ano, ela disse ao seu empresário: “Aquilo é o futuro das minhas performances em tours.” Ela estava parcialmente brincando.

Para combinar com suas inseguranças, não apenas os críticos estavam dizendo que ela não havia escrito suas próprias músicas, Del Rey foi processada pelos vídeos que ela juntou em “Video Games”, falhando em conseguir qualquer permissão de direitos autorais. Ela se sente traída pela América? “Não, é apenas como se o amor da minha vida não estivesse mais comigo. A comunidade de hollywood tem me feito muito bem e eles não deviam, mas não Nova York. Quando uma pessoa se torna muito apegada por lugares pela sua energia e sua beleza, pra mim, Nova York era uma combinação. Perder isso me fez sentir como se minha vida tivesse acabado. É uma experiência completamente diferente ter que aprender a amar coisas que não te amam de volta. É a última grande experiência de vida. Não que muita pessoas vivam assim – viver sem seus ícones ou os seus ídolos ou seu país. Eu sei que as pessoas não vão ouvir a minha música no próximo ano, mas eu ainda vou ter perdido esses lugares eu gostava tanto“.

Tal era a crítica e desgosto de Del Rey, que, a partir dos sons disso, seja este ano ou no ano passado, ela chegou perto de pressionar mais uma vez o botão de autodestruição: “Sim. Ele não é ativado há algum tempo. Nos últimos dois anos, eu me sinto mais triste, o que desencadeia esses sentimentos, fazendo-me sentir como se nem tudo estivesse sob meu controle. Quanto maiores as coisas ficam, maior será essa coisa toda fica, é fácil essas coisas começarem a acontecer de novo. Quando eu sinto que estou sobrecarregada, é difícil continuar a ser uma força orientadora. Essa é a razão pela qual eu mantenho as coisas pequenas, toco em lugares pequenos, esse tipo de coisa, que é o que eu sempre quis fazer“.

O problema é, Lizzy Grant talvez tenha tido a chance de manter as coisas pequenas, mas Lana Del Rey não tem esperança. Born To Die foi número 1 em 14 países esse ano. Manter isso pequeno, continuar desconhecida enquanto ronda as ruas, tentar não deixar as críticas chegarem a ela, aprender a viver com amores perdidos – nada disso vai ser fácil para Lana Del Rey. Para alguém que se esforça tanto para ser livre, contenção, mesmo em meio ao esplendor da endinheirada Mônaco, talvez seja mais difícil do que parece. A turbulência para esta estrela pop fantasticamente original – e o grande apelo de Del Rey para seu público – é que todo esse atrito borbulhe até a superfície, através de sua voz. De certa forma, a cantora não poderia ser mais parecida com esta bela e maldita cidade: um lugar com um coração dourado escuro; real mas ainda sim, falso; um paraíso do lado de fora, uma prisão do lado de dentro. É um verdadeiro espetáculo. Afinal, o que é mais sedutor do que uma menina muito má, tentando desesperadamente ser boa?

Por Jonathan Heaf
Traduzido por Kassia Lasarino

Confira em nossa galeria os scans das páginas da revista.


Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
TOPO