‘Sou, acima de tudo, uma artista que ama a música. O resto não me interessa’, confira a entrevista concedida ao site espanhol La Vanguardia

por / sexta-feira, 15 junho 2012 / Publicado emEntrevistas

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Lana Del Rey: “Acima de tudo, eu sou um artista que ama a música”

“Com o meu novo disco mostro que sou diferente das cantoras de hoje”, diz Lana del Rey,  que hoje faz seu único show espanhol no Sónar.

 

Três meses atrás Lana Del Rey passou por Barcelona por razões de natureza promocional. Acabava de se tornar pública a notícia de que ele seria uma das headliners do Sónar e seu álbum Born To Die (Universal), deste ano, tinha despertado considerável burburinho desde que ela apareceu. Isso foi somado à fama que a acompanhou por mais de meio ano em redes sociais. Sua imagem retrô, suas declarações ambíguas sobre o papel das mulheres nos tempos modernos, ou a aparência de produto puro e comercial tinham-na convertido em uma verdadeira personagem de moda. Por trás desse aspecto de jovem estadunidense feito por ela mesma, há uma pessoa com ideias claras, amante dos aspectos misteriosos da existência, muito ingênua em alguns aspectos e muito consciente de seu papel no mundo da música. Dentre algumas datas da turnê europeia, a sua presença hoje à noite no festival de música avançada (SónarPub, 23.45 h) não será apenas a sua única apresentação na Espanha, mas uma excelente oportunidade de verificar se seus lives estão à altura de uma obra como Born To Die, que pode soar mais ou menos como o seu retropop hiperproduzido, mas que exala profissionalismo e detalhismo indiscutíveis.

Quando te disseram que você iria cantar no Sonar, você sabia do que estavam falando?
Eu era a que estava mais interessada em vir a este festival. A maioria dos meus amigos tinha falado muito bem do festival de vocês, e quando a organização me disse ok, me alegrei enormemente. Nossa intenção é fazer na Europa neste verão pouco menos de dez grandes shows, que possam ser com a minha banda completa e uma seção de cordas. E o Sónar é um deles. Além disso, o fato de que ele é feito na Espanha me fez sentir um prazer especial.

Por alguma razão em particular?
Sim, pelas ótimas memórias do verão que passei aqui em Santander, quando tinha 16 anos. Eu vim com alguns amigos para aprender castelhano e, em seguida, percorri o norte do país. Falo um pouco de castelhano, mas eu sou muito tímida.

O que tem previsto para oferecer nesses grandes shows em turnê pela Europa?
Em princípio, interpretaremos praticamente todo o disco Born to die, certamente alguns covers e cinco faixas inéditas, ou seja, músicas que não estão gravadas em nenhum dos meus registros. Uma das coisas que mais me interessava nos meus concertos era a hora de minha performance: necessitava que fosse no início da noite, com a atmosfera já cheia de sombras e meu espírito se sentindo em comunhão com essa atmosfera. E, além disso, ao ar livre e em pleno verão.

Não são manias?
Não, não. Olha, quando eu comecei a escrever o meu último álbum, estava na Flórida e aquilo não funcionou até que Emile Haynie sugeriu que fôssemos para a Califórnia para gravar algumas músicas. Após chegar ali, tudo mudou para mim: noites quentes, a forma como as pessoas se vestem, brisa do Pacífico, a eletricidade que havia quando o sol se punha… ugh!

Se algo chama a atenção no Born To Die, é a presença ou a colaboração de uma grande quantidade de produtores. Foi um processo difícil? Qual foi o seu nível de participação?
Sim, sim, pessoas magníficas, Justin Parker, Jeff Bhasker, Rick Nowels e alguns mais. Todas as letras das músicas e todas as suas melodias eu que escrevi, e, em seguida, eles vieram e foram adicionando sons diferentes de acordo com a intenção de cada canção. Emile foi neste aspecto muito importante para sair um álbum tão bom como este: foi ele quem decidiu que em uma música tínhamos de colocar um ambiente tipicamente californiano, por exemplo, com gritos de meninas rindo e gritando, ou sentimentos atmosféricos tensos, com sirenes e outras coisas.

É o objetivo foi alcançado?
Claro. É um álbum em que, acima de gostos pessoais, conseguimos refletir humores diferentes de acordo com a letra da música; são cartões postais de mim mesma e dos meus pensamentos, que me refletem muito bem. E também mostra a música que eu faço e gosto, e todo mundo vê que não tem nada a ver com a de outros artistas, muito famosos e provavelmente efêmeros, cuja música não contribui mais do que o habitual. Acho que não há dúvida de que eu sou, acima de tudo, uma artista que ama a música. O resto não me interessa.

 

Por Esteban Linés
Tradução por Mateus Santana

Redação LDRA
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