Lana Del Rey fala sobre o SNL, Mulberry, Born To Die e muito mais à rádio The Current

por / sexta-feira, 09 março 2012 / Publicado emEntrevistas

The Current

Lana Del Rey esteve em Minnesota e falou com Steve Seel, da rádio The Current, sobre fama, sua vida no parque de trailers em New Jersey, Video Games, Born To Die, Mulberry e muito mais, além de apresentar Video Games, Blue Jeans e Million Dollar Man ao vivo com sua banda. Confiram o áudio e a tradução dessa entrevista incrível a seguir.


Lana Del Rey, nome artístico de Lizzy Grant, pode ser nova no mundo dos famosos, mas já canta há anos e lançou um álbum antes do controverso “Born To Die”, que saiu em 2012. Com sua rápida ascensão à fama vieram críticas rigorosas, muitas publicações questionando sua originalidade e potência vocal.

Lana Del Rey teve de lidar com argumentos deste tipo sobre sua imagem e sua história, o que muitas vezes ameaçou ofuscar sua paixão pela composição. Para Grant, nada disso importa tanto – faça o que você ama, cometa erros e ignore aqueles que não têm um senso de encorajamento.

Sua mais nova gravação foi fundamentada em partes de músicas ouvidas antes de seu lançamento, no YouTube, e em shows ao vivo. Uma largada peculiar para um álbum que, agora, atingiu o topo dos charts em diversos países e o top 10 em dezenas mais. Para a artista que editou o famoso “Video Games” em um parque de trailers, em Jersey, durante seus 20 e poucos anos iniciais, o sentimento de impacto mundial será marcado para sempre.

Steve Seel: Temos aqui hoje uma convidada muito especial, e podem ter certeza de que existem poucos artistas mais falados no momento que Lana Del Rey, cujo álbum de estreia, “Born to Die”, vendeu cerca de 4 bilhões de cópias até agora.

Lana Del Rey: (Risadas)

Bom, pode não ser a completa verdade, mas ficou em primeiro lugar no verão entre 7 e 11 países. São 11? Eu vi 11, está certo? São mais agora?
São mais… (Risadas)

(Risadas) Estamos muito lisonjeados que tenha vindo só para falar com a gente esta manhã e apresentar algumas músicas aqui. Obrigado por vir, deem boas vindas a Lana Del Rey!
Obrigado por me receber!

Nós temos muito mais para conversar, mas antes gostaria que você apresentasse os músicos que estão aqui com você e depois tocasse a sua música!
Claro, eu tenho músicos maravilhosos aqui comigo. Blake toca a guitarra, Byron o piano e nós vamos tocar Video Games para vocês primeiro!

Fiquem com Lana Del Rey, em estúdio, para o The Current!

Lana e sua banda apresentam Video Games

Estamos com Lana Del Rey em estúdio esta manhã, no The Current. A música, claro, é “Video Games”, o álbum é o Born To Die, registrado pela Interscope, e foi lançado agora no dia 27 de janeiro (2012) e centenas de milhares de cópias foram vendidas desde então, muitos “números um” conquistados… Tirando isso, foi uma caminhada “nem um pouco controversa e bastante silenciosa” pra você nos últimos meses.
É, “foi muito fácil” (Risadas).

E tem sido uma caminhada estranha porque acho que por um lado, poucos artistas em anos apareceram como lampejos em tão pouco tempo, digo, foram chamados a responder pelas decisões da carreira deles, a mudança de nome,  as pessoas questionando a sua autenticidade e blá blá blá. E eu penso, Deus, isso deve dar vontade da pessoa pegar suas coisas e sair correndo e, por outro lado, gera um questionamento muito grande sobre o porquê você vendeu milhões de discos! Acho que no fim do dia é um baita de um conflito.
Na verdade não é um “baita de um conflito”. É ótimo vender discos. Digo, o que você disse está certo e bem colocado. Eu acho que quando você tem uma vida como a que eu tive, você fica satisfeito com uma fanbase menor e leal, ao invés de ter que viver esse tipo de caminhada cheia de questionamentos só porque você vivia uma vida quieta nos últimos dez anos, com uma mesma rotina, escrevendo um pouco, editando vídeos e fazendo outros trabalhos. Então é uma experiência interessante vender tantas cópias, mas não ao preço de ter pessoas questionando sua autenticidade quando algo assim significa tanto para você como uma escritora, que é o que eu só me considerava.

Para os que não estão situados, vou ser o mais breve que eu puder.
Ótimo…

Você tem escrito e cantado músicas há vários anos. Você nasceu Lizzy Grant e começou primeiramente se apresentando com o seu nome e, no processo de se reconhecer e refinar sua música, sua arte (coisa pela qual qualquer artista do mundo passa), você decidiu mudar algumas coisas e adotou um nome artístico. Por que você escolheu esse nome, primeiramente?
Eu achei que soaria bonito saindo da ponta da língua. E eu estava falando muito espanhol, em Miami tínhamos alguns amigos de Cuba com quem convivi (por isso o “Del”) e eu quis algo que parecesse um tanto quanto romântico e bonito. Eu também meio que sempre soube que iria mudar meu nome.

É chocante porque ninguém nunca fez isso antes. Nunca ficaremos acostumados com isso.
Eu sei, eu sei… (risadas)

Digo, você decidiu claramente que teria essa estética que investigaria artisticamente…
Não, tipo, eu escolhi o que fiz com pessoas ao meu redor, então nunca tive que mudar tanta coisa íntima. O que estou fazendo agora é o mesmo que eu fazia antes. Minhas inspirações, meus gostos estéticos e melódicos continuam os mesmos. Se você ouvir meu álbum anterior é a mesma veia, bastante autobiográfico, não tanto sobre pinturas, mas com imagens visuais através das palavras.

Por alguma razão, sua trajetória veio com mais polêmica que de outros artistas, por que acha que isso aconteceu?
Eu não sei…

Você fez algumas apresentações na TV, sendo a mais falada a do SNL. Imagino que tenha sido bastante chocante lidar com algo tão grande.
Eu já sabia quando aceitei me apresentar lá. Sabia que estava enfrentando uma armada de fogo. Porque, bem, eu tenho vivido uma vida online por anos, já sei o que pensam de mim. Então não me imagino fazendo algo sem que as pessoas digam coisas que não são necessariamente a verdade. Não importa se é SNL. Dizem que outras apresentações foram bem melhores, sendo que eu, particularmente, não vejo diferença. Parece que a realidade não tem significado real atualmente. Meu professor de história costumava dizer que os vencedores das guerras são os que vão escrever a história. Eu sei que quem controla a internet vai escrever a história, então realmente depende deles. Por isso treino muito fazer minha própria coisa, viver minha própria vida. Eu meio que vivi com meus próprios acordes por muito tempo, fiz coisas sozinha. Agora tenho a sorte de ter a ajuda da Interscope e da Polydor, que realmente acreditaram na minha música e deixaram-me fazer o que eu quis.

Estamos com Lana Del Rey no The Current, felizes por termos você aqui conversando. Quero falar sobre mais coisas, mas temos uma outra música, que também é do Born To Die, qual é a próxima?
Obrigada. Vou cantar Blue Jeans.

Lana e sua banda apresentam Blue Jeans

Lana Del Rey em estúdio, com Blue jeans, do CD Born To Die. No espaço artístico você vem explorando esse território obscuro que aparece nas suas músicas. Como começou? Você acha que foi com uma letra, por exemplo? Às vezes não tenho certeza, porque você também se interessa por imagens visuais, e nas concepções de vídeo-montagens, coisas do tipo. É sempre a letra, ou você também começa a partir de apenas imagens?
É uma boa pergunta. Sou mais inspirada por coisas que penso serem visualmente bonitas ou perturbantes primeiro. Mas aí a letra vem com a melodia, que aparecem de uma vez, ou em um verso inteiro, uma estrofe, etc. Quando me mudei para o Brooklyn, eu ia para “Coney Island” todo dia, e era algo que me intrigava, porque, no passado, era uma das atrações de férias mais populares do mundo e agora não tem mais ninguém ali. Então a transposição de humores e sentimentos assim me inspiram. Às vezes só sento em lugares que me fazem sentir um pouco diferente.

Essa melancolia da decadência e coisas assim…
É meio que a colisão de dois mundos. Lembro que estava trabalhando com um produtor bastante famoso na minha primeira gravação, mas, à noite, às 3 da manhã, tive que ir embora e voltar para meu estacionamento de trailers em New Jersey, então é meio que uma colisão de dois mundos. Isso me deu muita esperança, porque o futuro poderia aguentar tudo, eu poderia ir em qualquer direção, poderia ser quem eu quisesse.

Por quanto tempo você viveu nesse estacionamento?
Um ano e meio!

Mesmo?
Uhum!

E como foi?
Sabe, foi bom… Eu ganhei 10 mil dólares em meu primeiro avanço, com uma indicação. Eu poderia ter vivido daquele jeito para sempre. Era minha primeira casa, eu a decorei, era financeiramente responsável por mantê-la, por manter minha carreira. Não tinha ninguém mais envolvido, era só eu postando meus vídeos, tentando deixá-los bonitos, bem-sucedidos. Para mim era um ambiente bem rico.

Então, quando você fez o vídeo de Video Games era só um bando de gravações que você reuniu, coisas que achou online, foi isso?
Sim, eu geralmente só pegava os clipes de acordo com o que significavam para mim e decidia em qual ordem os colocaria. Às vezes os esquemas de cor já contavam a história por si só!

Muitas pessoas viram, falando só dessa música em particular, e imagino que depois de você ter montado esse projeto a Interscope teve que correr e obter os direitos de tudo.
Sim, eles me ajudaram a pagar por tudo, com um especialista em direitos autorais… Tivemos sim que contatar cada usuário, em particular. Contar sobre o projeto, como o vídeo seria, o quanto queriam por aquilo ou se só queriam ser creditados. Dependeu muito do usuário e quanto da obra dele eu usei.

Como foi trabalhar com este projeto, que seria totalmente diferente de como tudo começou? Digo, os vídeos de Born To Die, Blue Jeans, com catedrais, a capela no fundo, os recursos e coisas grandes. É inacreditável!
Épico, né? Para mim fez sentido, porque eu estava apaixonada por aquilo que já comentamos, por esses dois lados do espectro, visões de coisas grandes em contraste com ambientes mais simples. Eu escrevi o projeto do clipe de Born To Die, chamado “Rainha Solitária” (nota do redator: Lonesome Queen – referência à obra de Nina Simone) e dei para meu amigo e diretor favorito, que adaptou. Eu gosto tanto da música, por isso queria intitulá-la no álbum. Eu queria uma visão de uma garota meio que no céu, com tigres a protegendo. Queria flashbacks, visões de épocas mais felizes com o seu amante.

Tem muitas coisas sobre as quais eu adoraria conversar com você, mas tenho só mais algumas perguntas. O que diz sobre os boatos de que você não lançaria um novo disco?
Não me lembro de ter dito isso (Risos). Eu meio que falo qualquer coisa, em várias entrevistas na rádio e na TV. Talvez eu não tenha um outro disco, mas eu acho que me sinto meio, tipo, de um lado tenho minha paixão por editar e pela música, então eu me encontro tendo prazer em fazer vídeos. Eu gosto de fazer shows, foi de onde eu vim, mas também amo gravar em estúdio, tocar com a minha banda. Veremos…

Precisamos de mais surpresas.
Ah, Deus sabe como terão surpresas… (Risos)

Você tem uma linha de bolsas de mão a sair, é verdade?
Sim.

Como é isso? As bolsas são de, tipo, mil dólares. Quem fez isso?
Mulberry. Uma empresa que faz bolsas clássicas, muito bonitas e cheias de integridade, nada muito exótico. Emma, que desenhou a linha, ouviu o álbum antes do lançamento e sentiu que era um pedaço de arte que eles poderiam incorporar.

Isso não é tão ruim. É muito legal.
Não é algo que você sonha em ter, é algo diferente!

Minhas esperanças para você são que você tenha surpresas felizes e surpreendentes pela trajetória que se estende a sua frente.
Awn! Isso é fofo. É a minha esperança para você também!

Obrigado, Lana, eu agradeço! Lana Del Rey conosco, em estúdio, agradecemos também a Byron e Blake, adorável banda que temos aqui hoje, obrigado pela presença e terminaremos com mais uma música!
É uma das minhas favoritas do álbum, Million Dollar Man!

Lana e sua banda apresentam Million Dollar Man.

 

Por Steve Seel
Tradução por Marcelo Favaretto

Redação LDRA
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