‘Eu não fiz muitas coisas na vida que foram pra se orgulhar, mas o álbum é fantástico’, confira a entrevista concedida à rádio XFM

por / quarta-feira, 25 janeiro 2012 / Publicado emEntrevistas

XFM

Continuando com as entrevistas em Londres para a promoção do álbum Born To Die, Lana Del Rey conversou com Eoghan McDermott da XFM sobre seu novo álbum, como foi crescer em Nova York, rumores e planos para 2012 no programa Drivetime da estação de rádio. Ela deu uma zoada no Eoghan levando um DILDO para a entrevista e também disse no final que há uma boa chance de eles se apaixonarem. Confira o áudio e a tradução a seguir:


Eoghan McDermott: Agora, no Xfm, uma moça que em 2012 vai ser catapultada na estratosfera colorida de constelações musicais com o lançamento do incrível e esperado álbum ‘Born do Die’. Senhoras e senhores, Lana Del Rey!
Lana Del Rey: (Risos) Meu Deus!

Como vai?
Oi! Eu vou bem, obrigada

Tivemos aquele momento esquisito quando eu cheguei – porque eu sou irlandês e você é americana – e nós dois estávamos em Londres e nos beijamos em uma bochecha e, por costume, eu fui pra outra bochecha, porque é assim que se faz em Londres.
Mas eu também fui…

Mas você não foi na mesma hora, porque às vezes eu faço e às vezes não, então ficou aquele negócio constrangedor…
Alguma coisa me dizia que você não ia beijar a outra bochecha.

De qualquer forma, aconteceu.
Aconteceu.

E aqui estamos, tudo tranquilo.
(Lana ri)

Vou direto ao assunto: você já partiu meu coração.
Para com isso…

Não, você partiu! Ontem à noite, lá estava eu impaciente, esperando a Lana Del Rey…
Senhor!

Com meus cartazes de Lana Del Rey. “Ela vai autografar! Talvez até cuspa em mim se eu tiver sorte!”.
(Lana ri)

Daí você ficou doente e não foi lá e eu fiquei muito triste.
Desculpa!

Assim como muitos outros…
Pois é…

O que houve?
Eu sinto muitíssimo por aquilo e…

Todo mundo ficou muito abatido.
Sim! Eu queria muito ver o pessoal com quem ando conversando também. Eu estive conversando com amigos e fãs e estava esperando pra ver todo mundo. Mas eu tive a apresentação em Maida Vale antes nesse mesmo dia e, quando eu acabei, eu sabia que não ia conseguir ir ao Coco. Porque eu já estava meio mal desde o fim da viagem e isso meio que ia e vinha, eu andei no sereno durante a turnê, então sei lá… Mas me desculpe! Eu vou te dar um autógrafo!

Oh, não, não! Eu nem trouxe o pôster!
Tá bom!

Enfim, eu fiquei extremamente triste e o Orlando dos Maccabees, que também estava lá, falou que ficou muito triste.
Ah…

Mas de uma forma boa!
Que bom…

Já, já iremos falar do álbum, mas vamos voltar um pouquinho, porque eu quero que nos conheçamos.
Tá…

Eu li uma entrevista sua, você tinha 18 anos e estava em New York, e você estava fazendo todos aquelas pequenas apresentações livres. Quando foi que você falou “Eu sou melhor que isso, eu quero levar isso como profissão”, ou decidiu quando tinha uns 12…
Boa pergunta… Eu meio que precisei de bastante ajuda pra decidir isso. Eu senti que seria uma escolha egoísta e sem noção ser cantora profissional. E eu também não conhecia qualquer cantor de verdade. Então eu li alguns livros sobre pessoas que foram atrás do que elas queriam e como fizeram isso. Eu nunca, sabe, eu nunca fiz uma decisão definitiva e consciente de que levaria isso pra vida, porque eu tinha receio de me apegar muito àquela ideia porque eu pensava: “se não der certo no final, eu vou ficar acabada”, mas quando eu tinha entre 18 e 19, eu estava cantando em apresentações livres no Brooklyn, na zona baixa oeste (Lower East Side) e eu sabia que eu amava cantar. Eu ficava muito nervosa, mas muitos dos caras que também iam tocar me chamaram e falaram: “canta pra mim amanhã”, “faça a abertura do meu show”, então foi isso o que eu fiz, daí quando eu ia abrir pra alguém, outra pessoa vinha e me chamava. Eu fiquei nessa durante alguns anos, e eu não tinha nenhuma ideia maior até conseguir contrato com minha primeira gravadora independente. No outro dia eu comecei a trabalhar com David Kahne, que nos Estados Unidos é um superprodutor. Aqui também, na verdade. Então lá foi algumas das primeiras vezes em que eu pensei: “nossa, alguém do nível dele pensa que eu sou boa mesmo”, sabe, “nossa!”.

Uau, estou surpreso.
Sei lá… é.

Você é de Nova York ou se mudou pra lá?
Eu nasci em Manhattan, daí me mudei quando eu era nova e voltei aos 18.

E como foi voltar? Foi uma grande mudança ou tipo: “Oi, mãe e pai. Vou pra NYC ser cantora, até depois!”.
Foi espetacular, é… Todos os dias em que eu acordava em NYC eram dias bons, eu estava tão feliz por estar lá… Mas eu já tinha saído de casa há muito tempo, então não foi uma coisa tão grande assim, porque eu fui embora aos 14.

Tá bem…
Eu estava tão feliz por estar lá, é uma das melhores cidades do mundo!

XFM

Xfm no Divretime, estamos com a Lana Del Rey que estava aqui balançando um dildo enorme! Lana, por que você carrega isso? É nojento!
(Risos) Foi porque eu sabia que você estaria aqui!

(Eoghan ri)
Eu fodidamente comprei pra você! Para de se fazer de desentendido pra cima de mim, colega! (Risos) Meu Deus!

Você tem uma coisa que muitos querem, mas poucos têm: mistério! É uma aura… Tipo, muita gente pergunta por que existe essa aura ao seu redor. Eu li várias histórias loucas sobre você, e eu li uma que diz que você foi uma acrobata profissional!
Mentira…

No Alamaba!
Sinto muito!

Quais as histórias mais loucas que você já viu?
(Lana dá um gemido) Pra ser sincera, tudo o que eu li era mentira, eu não vi nenhuma verdade ainda…E eu sei o que você quer dizer com o “mistério” e eu sou assim e me interesso por pessoas misteriosas. Mas o engraçado é que eu, mais que muitos, vivi uma vida bem certinha e focada, sabe, não tem nada de mais em mim.

Não, mas isso é fantástico, é demais, porque as pessoas…
Eu sou muito simples!

Mas isso é ótimo, muita gente quer tanto e luta tanto pra ter [mistério], e você simplesmente tem isso naturalmente.
Que amor, obrigada! Até mesmo porque as coisas que inventam sobre mim, mesmo sendo falsas, são muito lisonjeiras.

Sim, com certeza são. Você tem todos esses acontecimentos ao seu redor, e Born To Die será lançado dia 31. Orgulhosa dele?
Nossa, eu o amo tanto! É que, sabe, eu não fiz muitas coisas na vida que foram pra se orgulhar, mas o álbum é fantástico, e não tem nenhuma música que eu tenha achado que ficou comprometida pela melodia ou composição. Principalmente porque eu não senti pressão alguma, eu senti que foi tudo bem pessoal e não tem nada que eu não tenha participado, nada realmente significativo que fosse importar mesmo, mas é a verdade.

Sim, eu só percebi esses dias que Born to Die, Video Games e Blue Jeans são uma espécie de trilogia sobre só um cara e o efeito dele em você, o relacionamento ou o que quer que você tenha pensado.
Sim…

É, sabe… Estilo Adele. Ele está sabendo disso? Você conversou com ele pra saber o que ele achou ou…
O que é estilo Adele? O que aconteceu?

Porque ela canta bastante sobre apenas uma pessoa.
É?

É sobre um cara, fixamente uma pessoa. Agora nós rimos disso, mas na época tinha muita emoção envolvida…
Entendi… Ele não sabe! A mãe dele, sim. Nós sempre conversamos. Mas não, não.

Tá bem…Tem como ele ligar os pontos e perceber que é pra ele?
Na verdade, não tem como!

Através dessa trilogia, então. Qual é a história por trás do resto do álbum?
Então, cada música vem de um acontecimento diferente. Mas sei lá, sabe, têm alguns conceitos por trás do tema geral do álbum, mas pra maioria, o tema veio de forma irônica, quando eu parei de ter algumas metas e ambições pessoais sobre ser uma boa cantora e compositora…

Por quê?
Ah, porque já fazia muito tempo desde que eu tinha começado, daí eu pensei: “De agora em diante, vai ser pra mim, só pela composição”, porque eu adoro compor. E desde que eu comecei a fazer daquele jeito – não que eu tivesse saído daquele caminho – mas quando eu comecei a me saciar e compor simplesmente porque eu gostava, eu comecei a me sentir melhor, pessoalmente. E muitas músicas não significam tanto assim, sabe? Algumas eu compus quando eu estava na Califórnia, e eu ia digirindo pela costa de Santa Mônica até Malibu, e era tão bom porque era um verão muito quente e onde eu morava era muito frio. Então eu estava curtindo estar em um clima mais tropical, então eu aproveitava aqueles momentos pra refletir sobre como as coisas eram e pra compor sobre momentos rápidos da minha vida, tentando imaginar as coisas na forma de palavras, somente pra olhar aquilo mais tarde. Era algo que eu fazia mais pra mim mesma.

Saquei…
É…

Video Games foi a primeira música que fez com que viesse essa onda enorme de reconhecimento e tal. E é tão melancólica…
Eu sei…

Os vocais e o som meio assombroso do piano.
Sim…

Você ficou surpresa ou você achou que não seria tão bom assim ou que teria o impacto que teve?
Claro, eu mostrei pras pessoas e elas não curtiram. Era mais uma música de amor de 5:35 sem nenhum instrumental.

(Eoghan ri)
Foi o que falaram pra mim…

Meio foda…
Então… Então, né? Enfim. Eu fiz em casa um vídeo em que eu colocava, sei lá, minhas coisas preferidas nele, o tempo passando, rosas cor-de-rosa e imagens em preto e branco de pessoas andando de skate. De novo, nada muito significativo, eram coisas que eu gostava e achava bonitas, então eu as colocava juntas, não fazia muito sentido na época…

Você teve que lutar pra poder publicar? Pra que eles deixassem você…
Não! Eu tinha um canal no YouTube só meu, então ninguém ligava para o que eu postava. Mas claro que as pessoas começaram a perceber com o passar dos dias, as visualizações começando a crescer. Então eu acho que ninguém esperava. Foi em junho ou maio…

Foi uma coisa muito louca, então. E, claro, pro clipe de Born to Die, tão brilhante, bombástico e produzido…
É, acho que sim

E tem toda aquela coisa…
(Risos) Sim!

E o Kanye adorou, obviamente. E você tem todas essas celebridades que te elogiam. Então são tantos acontecimentos, coisas acontecendo em tão pouco tempo. Você olha pra trás às vezes e pensa: “Que bizarro!”. Você tá curtindo isso ou agora é só trabalhar, trabalhar e trabalhar, daí mais tarde você talvez passe a curtir mais?
Olha, provavelmente a segunda opção.

Sei…
Sendo totalmente honesta. Porque quando eu termino de fazer uma coisa, já está na hora de começar algumas outras coisas. Mas faz uma grande diferença ter a música no centro da minha vida de novo, porque não era assim por algum tempo. Então… É definitivamente diferente.

Você tem alguns amigos de antes de tudo isso começar te mandando mensagens tipo: “Eu te vi hoje na televisão”, “Te vi em alguma premiação hoje”, e percebeu que eles estavam super surpresos com isso?
Com certeza. Eles acham tudo muito engraçado. E com razão, porque nós nunca conversávamos muito sobre música, até mesmo porque, pra quê, né? Não tinha nada de mais acontecendo… Então agora eles estão tipo: “Você não estava brincando sobre aquele negócio de ser cantora, né?” (Risos).

(Eoghan ri)
Então… na verdade, eu tenho alguns bons amigos que não estão no ramo musical, mas eles são incríveis.

Ainda é de boa pra você andar na rua?
Sim, sem maquiagem nem eu me reconheceria! (Risos) Então não tem problema!

(Risos) Você usa óculos escuros gigantes?
Não!

Porque hoje em dia ninguém precisa tanto usar…
O engraçado é que eu costumava usar bonés de beisebol todos os dias, mas meu empresário me disse que aqui ninguém usa nada na cabeça. Já faz um tempinho, mas…

Essa é uma boa dica!
Na verdade…

(Risos) Eu não tive tempo pra ouvir o álbum mais vezes e absorver mais dele, mas na primeira vez, de cara a minha preferida foi National Anthem.
Você gostou?

Adorei!
Mesmo?

Sim! Principalmente a abertura.
Você ouviu a versão original da música? Não sei se você ouviu a primeira, a com os fogos de artifício.

Sim, essa mesma.
Awnn!

É incrível.
Eu gosto.

Essa é uma pergunta bem clichê…
Tá bem…

Mas pela beleza do drama, vou perguntar mesmo assim. Se o mundo fosse acabar iminentemente amanhã e você falasse pra ouvirem uma última música do Born to Die, qual você chegaria e diria pra ouvir?
Acho que, com certeza Summertime Sadness.

É?
É a minha preferida, ela não fala sobre nada…

(Eoghan ri)
Mas eu gosto de a colocar no carro e dirigir pela costa, pra mim é o paraíso, eu adoro. E o Larry Gold é incrível, ele que esteve no estilo clássico durante 30 anos e conduziu a orquestra de Filadélfia durante todo o álbum. E eu falei e expliquei pra ele como eu queria ajuda pra trabalhar com os componentes da música, eu pedi pra ele misturar a trilha de Beleza Americana com tons veraneios do Bruce Springsteen, e ele conseguiu! Os acordes ficaram exatamente como eu imaginei, então…

Nossa!
É…

Lana Del Rey… quais os planos pra 2012?
Em 2012… Nenhum plano, não sei…

Só a turnê, aparições, sendo maravilhosa e seguindo o fluxo.
Vou pra Califórnia no começo de fevereiro pra algumas apresentações, mas depois disso, acho que não vou entrar em turnê…

Entendi…
(Risos) Vou pra casa!

Só relaxar e compor!
É…

A última pergunta… Quais as chances, de um a um milhão, de nós nos apaixonarmos, casarmos e vivermos felizes para sempre?
É pra valer?

Agora é!
(Risos) Quando você faz aniversário?

15 de abril.
Você é de…

Áries.
Então as chances são altas…

Estamos indo bem!
(Lana ri)

É por isso mesmo que agora vamos terminar e continuar conversando fora do ar. Lana Del Rey, Born to Die em 31 de janeiro, e foi uma prazer! Muito obrigado!
Obrigada!

 

Por Eoghan McDermott
Tradução por Breno Passos
Revisão por Raphaella Paiva

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
  • Oliver Devacelli

    A voz dessa mulher, esse jeitinho de falar, esse sotaque… gente, um orgasmo! <3

  • João Vianini

    Que entrevista fofa, socorro. Essa risada no final é de matar. <3

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