‘Encontrar o amor verdadeiro é algo que realmente me inspirou liricamente’, leia a entrevista concedida à MTV Hive

por / sexta-feira, 13 janeiro 2012 / Publicado emEntrevistas

MTV hive

 

Lana Del Rey Vai Se Matar Se Não For Bem No SNL e Ama Weed Rap

 

Lana Del Rey é uma cantora que abriu espaços para a era da internet, emendando filmes perdidos de sua geração anterior e acotovelando referências da cultura pop com suas melodias sensuais. Então não é surpresa que ela seja um hit esmagador e um brilho na web — esse primeiro por sua voz ondulante, e o segundo por sua aparência fora-do-tempo ao chegar ao estrelato (e os lábios supostamente com colágeno). Del Rey é o assunto de acidez de muitos blogs e sites, e raramente faz essa acidez não ter nada a ver com sua música de verdade.

Parte do que parece abrir uma ferida de seus caluniadores é que ela descasca o mistério do processo pop: ela é anti-Gaga, transparente a respeito de sua transformação desde o nome até apresentação. Seus costumeiros vídeos e photoshoots incluem coroas de flores elaboradas e vestidos de gaze, mas as fotos dos shows mostram uma linda — mas comum — mulher que parece muito confortável desmontada em jeans skinny e sapatilhas, quase como uma estudante de Fordham (como ela foi). Ela não está tentando ir ao supermercado em McQueen. O mais marcante a respeito da ascensão aparentemente segura ao estrelato de Del Rey é que sua narrativa é, em grande parte, não-espetacular: uma clássica garota da cidade pequena de Lake Placid, a qual expôs que as chaves e códigos da cultura pop que deixam as pessoas “descoladas” eram limitadas, mas a qual teve como força impulsora a inteligência e experiência — e sim, talvez calculada, mas e daí? — para a levarem a esse ponto. Então quando seu próximo álbum, Born to Die, for lançado em 31 de janeiro, com adocicados vocais e lancinantes narrativas, será fascinante ver se Del Rey ganha o passe Taylor Swift e é aceita como a versão sonhadora da América de uma garota comum.

Ao entrevistá-la nos estúdios da MTV essa semana, ela pareceu mais como uma parceira de estudos tranquila do que com uma mulher que terá sua estreia na TV americana no Saturday Night Live. Seu leve sotaque é naturalmente sussurrado — sem tentar, seu jeito de falar soa um pouco como uma prostituta de máfia ou, mais especificamente, uma desamparada Jackie Kennedy. Mas isso é o mais perto que ela chega dos mitos ao redor de seu falatório. Online, há muitos posts de blogs devotados à falta de fotografias em que ela esteja sorrindo, e as pessoas imaginam que ela seja desagradável e arrogante baseado em suas fotos na imprensa. Pessoalmente, no entanto, ela se sai muito meiga e educada, e não hesita em abrir um sorriso (ou, Deus do céu, rir). Há um aspecto sonhador em seu comportamento, mas é temperado pelo modo pensativo que ela aparenta ao escolher suas palavras. Conversei com ela sobre amor verdadeiro, música rap, metafísica (como se faz) e ativismo social.

Julianne Escobedo Shepherd: Como você começou a entrar no mundo da música?
Lana Del Rey:
 Quando eu era muito pequena, eu gostava de cantar, só com a minha mãe. Eu cantava na escola, cantei na igreja, porque foi só isso o que fizemos. Eu cantei no colegial, no coro, um pequeno grupo a cappella. Eu não achei que eu seria uma cantora de verdade, mas eu gostava disso. Mas então eu fui pra Nova York quando fiz 18 anos, e eu decidi que seria muito bom pra mim se eu pudesse ser uma cantora. Então eu me mudei pro Brooklyn com o meu namorado, e simplesmente comecei a cantar e tocar lá.

JES: Os seus pais são cercados pela música?
LDR: 
Eles não eram muito cercados pela música, mas eles dois tinham ótimas vozes. Meu pai escrevia canções country por diversão e minha mãe cantava por diversão. Meu pai gostava dos Beach Boys, minha mãe gostava de Carly Simon, mas eu não escutava isso realmente; nós só ligávamos o rádio — independente do que estivesse tocando. Quando cresci, eu não escutava tanto música, na verdade. Meus amigos e eu ouvíamos rap — tipo Eminem ou, Deus, o que estivesse na moda — música dance, eletrônica e tal. Além do mais, não éramos sabidos sobre as coisas “legais”, musicalmente. Nós chegamos lá com o tempo!

JES: Quando você começou a compor?
LDR: Eu não escrevia nada que eu amasse até os 18 anos, então eu comecei tarde. Quando eu era mais jovem, eu amava escrever — isso era uma das coisas que eu mais gostava de fazer.

Eu escreveria ficção na hora certa, e eu gostava de escrever na escola. Eu pensava que era um dos assuntos menos ofensivos na escola, então isso era divertido pra mim. Eu troquei isso por cantar quando eu peguei um violão. Eu nunca tinha sido boa no violão — sempre fui ruim — mas isso me ajudou a compor nos quatro primeiros anos.

JES: Eu me perguntei se você escrevia — suas letras são tão narrativas.
LDR: 
Elas realmente soam como histórias. Eu tenho estado em Nova York por sete anos agora, e tem sido uma longa estrada, então as partes da minha vida que eu projetei liricamente são talvez os segmentos mais dramáticos do tempo que estive aqui. Mas eles são todos verdadeiros.

JES: Você sente como se estivesse lutando quando se mudou pra Nova York?
LDR: 
Sim, isso foi difícil, como é pra todo mundo. Talvez comigo um pouco mais, mas isso foi minha própria culpa.

JES: Algumas de suas composições, particularmente em “Born to Die”, são incrivelmente tristes. Você é uma pessoa triste?
LDR: 
Eu não sou triste, eu sou feliz. Eu me sinto feliz porque estou em paz com as formas que as coisas são. Foi difícil pra mim quando eu era, eu não sei… Por um longo tempo eu estive presa em minha mente, me perguntando como as coisas ficariam, se as coisas seriam complicadas para sempre. A um nível filosófico, eu estava consumida pela ideia de… o que aconteceria? Por que estamos aqui, o que acontece conosco depois que morremos? Eu tinha pensamentos obscuros aparecendo às vezes, mas isso se esvaiu vagarosamente depois de eu ter feito um monte de coisas diferentes. E encontrar o amor verdadeiro é algo que realmente me inspirou, liricamente. Porque eu senti a mesma coisa na maioria da minha vida e então quando você encontra alguém empolgante, você não imagina que poderia se sentir de uma forma diferente do que sentia antes. Eu fui inspirada.

JES: Foi assim que você descobriu que havia encontrado o amor verdadeiro?
LDR: 
Bem, eu sei que é diferente pra todo mundo. Pra algumas pessoas, o amor verdadeiro é a completa serenidade e se sentir em paz e estar em casa e ter uma vida com outro alguém. Pra mim, era amor verdadeiro simplesmente porque minha própria versão de amor verdadeiro era me sentir elétrica e empolgada. Isso realmente depende do que você sente que precisa, mas pra mim, eu nunca tinha me sentido empolgada sobre as coisas antes.

JES: Você nunca tinha se sentido empolgada sobre as coisas antes?
LDR: 
Não que eu me lembre.

JES: Apenas com o amor, ou tudo?
LDR: 
Apenas com a vida. Quero dizer, você vai à escola todos os dias e é difícil… Eu morei em uma cidade pequena e eu simplesmente pensava que seria uma longa vida.

JES: Você achava que você ficaria lá a sua vida inteira?
LDR: 
Eu achei por um tempo, mas eu me mudei quando tinha 14 anos. Quero dizer, eu poderia ter voltado — bem, eu voltei. Eu fui garçonete porque eu não queria ir pra faculdade logo de cara, mas então eu decidi estudar no Bronx.

JES: Garçonete!
LDR: 
É! Eu amava! Todos sempre me diziam que eu era uma ótima garçonete.

JES: Você fica sabendo de várias histórias dessa forma, também. O que você gosta de fazer em seu tempo livre?
LDR: 
Eu gosto de ler, escrever, eu gosto de dançar. Eu estive bastante envolvida em minha comunidade pelos últimos sete anos em que estive aqui, de várias maneiras diferentes. Eu estive envolvida com sem-tetos deixados de lado. Conscientização sobre drogas e álcool — eu não bebo, eu não uso mais drogas. Quando as coisas não estão indo tão bem, musicalmente, você sabe… Eu parei de me focar na música por um longo tempo, então eu comecei a me focar em outras coisas que eu conhecia.

JES: Voluntariado?
LDR: 
Um pouco de voluntariado. Eu tenho um grupo de amigos que trabalham individualmente com diferentes afiliações, mas basicamente, sim. Tem sido bom. Eu considero um luxo ser capaz de ir atrás da música, mas não é a coisa mais importante na minha vida. É apenas algo que é muito bom e que acabou funcionando pra mim agora.

JES: Onde você se envolveu?
LDR: 
Apenas em Nova York, apenas nos últimos sete anos. Quando eu percebi que cantar talvez não seria fácil, eu voltei para o que eu sabia fazer, no que eu era realmente apaixonada. Não há muitas coisas, mas…

JES: E sobre os seus vídeos?
LDR: 
É, em “Video Games” e “Blue Jeans” [a primeira versão], eu editei. Eu só trabalhei no YouTube porque essa é a única mídia que eu conheço, mas eu sabia o que estava procurando — os clipes que eu queria juntar a eles. E pra “Born to Die”, eu escrevi um roteiro pra ele chamado “The Lonely Queen” [A Rainha Solitária], de modo que eu estaria em um cenário que representava o Paraíso, mais ou menos como os castelos abandonados da Romênia. [Risos] Caminhando pelas salas ladeadas de tigres. E então ela estaria pensando em épocas felizes nos braços de seu amor. E então Yoann Lemoine adaptou esse roteiro e o tornou mais realizável. Mas eu amo aquele vídeo. Eu realmente amo. Eu não consigo acreditar que ele ficou tão lindo. Eu passei um bom tempo pensando sobre onde eu queria chegar.

JES: Também o conceito amplo de uma rainha solitária. Essa é uma narrativa que…
LDR: 
Que às vezes eu me relaciono? Sim. Quero dizer, eu me sinto sozinha nas coisas que eu faço às vezes… Às vezes eu sinto que estou caminhando por conta própria. Eu não sou mais assim, mas eu acho que eu era. Quando você leva um estilo de vida diferente dos de outras pessoas — tipo, você não usa drogas, você não bebe, você tenta e controla o lado obscuro das coisas — é só que talvez  isso fosse uma situação em que eu estivesse tentando encarnar algo apenas pra me manter calma. Mas estou sempre pensando no jeito que as coisas eram, especialmente sobre um relacionamento em particular que era tumultuoso. E Brad, o cara no clipe, ele está no lá porque ele meio que me lembra esse cara. Então sim, era muito perfeito, porque tudo vem junto.

JES: O que você gosta de ler?
LDR: 
Eu realmente gosto de ler biografias, assim como gosto de assistir documentários; eu gosto de entender como as pessoas faziam o que elas faziam, por que elas acabaram da forma que estão. Principalmente eu gosto de biografias sobre cantoras. E dois anos atrás, minha biografia preferida era a de Elizabeth Taylor, a qual foi escrita por um grande fã que também escreveu um monte de livros sobre ela, como todos os seus romances. Também, o livro de Anthony Scaduto sobre Bob Dylan é muito bom. E você sabe, eu estudei metafísica na faculdade então eu sempre meio que vi a leitura como diversão.

JES: Qual é a herança da metafísica?
LDR: 
Não é tão complicada como soa. Existem diferentes ramos então isso depende de qual ramo você está estudando. Se você estudar algo como cosmogonia, você estuda sobre as origens do universo, e como a realidade se torna a realidade. Como esse espaço que nós estamos sentados agora — como nós chegamos a lugares inabitáveis? E por que essa realidade colide com a gente dessa forma. Eu estudei isso no Bronx.

JES: Você ainda mora lá?
LDR: 
Eu acabei de me mudar com meu amigo pro Brooklyn, na verdade, porque eu nunca estou aqui agora e eu queria estar com um amigo outra vez.

JES: Então você tem praticado a semana toda pro SNL?
LDR: 
Bem, não, eu não pratiquei porque eu estive trabalhando. Eu nem ao menos sei o que vou cantar! Eu sei que é “Video Games” e pensei em “Blue Jeans”, mas eu achei que deveria ser “Born to Die”, então eu tenho que decidir isso. É melhor eu decidir essa porra! [Risos] Tem muita coisa acontecendo, então tem muita coisa pra fazer.

JES: Você está animada?
LDR: 
Sim… Estou animada se isso acabar bem. Se não, eu vou me matar! Mas sim, que honra. E quem sabe por que, mas é muito bom pra mim.

JES: O que você espera pro seu álbum?
LDR: 
Você sabe, eu digo isso e eu realmente, realmente falo sério. Tudo pelo que eu esperava, já aconteceu. Isso é simplesmente lindo. Minhas esperanças principais foram apenas em termos de como ele soaria e com quem eu trabalharia. E agora eu tenho essa equipe com quem vou trabalhar pra sempre. É incrível. Esse cara Justin Parker, e meu produtor Emile Hayne, a orquestra da Philadelphia… Minhas esperanças principais foram que ele soaria lindo, e ele soa. E o resto? Você sabe, se for bem recebido ou não, eu fiz um bom trabalho. Então não estou muito preocupada com isso. Porque você não pode dizer que ele é ruim, porque ele é simplesmente lindo — são apenas cordas e batidas.

JES: Você espera fazer uma turnê pelo mundo?
LDR: 
Não, o que eu honestamente gosto de fazer é simplesmente ficar aqui em Nova York. Eu tenho estado aqui por sete anos e amo aqui. Eu fui a quase todo país e realmente, pra mim, nada se compara a Nova York. Eu sou simplesmente obcecada — eu estou apaixonada. Todo dia em Nova York é um bom dia. Quero dizer, aqui estão minhas ambições: meu grande plano é comprar uma residência no West Village. Quando tudo estiver dito e feito, eu farei minha turnê, eu farei minhas apresentações televisivas, mas o que eu gostaria é ter minha residência no West Village e fazer meu outro trabalho que é importante pra mim e está de lado. E essa seria uma vida melhor do que a da maioria porque eu estaria fazendo o que eu quis.

JES: Isso é uma coisa do Bob Dylan.
LDR: 
Bob queria fazer uma turnê pelo mundo! Ele era tipo… ele fodidamente queria isso. Ele começou no West Village, mas tinha visões de estrelato extremo. Ele reclama sobre isso agora, mas ele realmente queria! Você mora na cidade?

JES: Eu moro no Brooklyn, perto de você. Eu estava em Glasslands noite passada.
LDR: 
O que você viu?

JES: Alguns amigos que são rappers!
LDR: 
Oh, você conhece essa banda chamada Flatbush Zombies?

JES: OH MEU DEUS, SIM!
LDR: 
NÃO BRINCA! NÃO BRINCA! [Risos] Então eu e meu amigo tivemos essa maratona outra noite e ele me mostrou isso, e eu fiquei tipo… É muito esquisito — Flatbush Zombies, A$AP Rocky, Azealia Banks, é algo brilhante, algo sobre esse Weed Rap, mas todos os vídeos são faça-você-mesmo. É realmente ótimo! O tempo todo eu morei no Brooklyn, eu nunca senti como se houvesse um cenário emergente, mas agora há!

JES: O rap no Brooklyn e no Harlem agora é tão desfavorável! É o verdadeiro cenário de Nova York.
LDR: 
Quando eu estive lá, MGMT estava arrasando, mas depois estava tipo, nada. Mas isso é o que está acontecendo agora.

 

Por Julianne Escobedo Shepherd
Traduzido por Raphaella Paiva

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
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