Confira a entrevista que o produtor David Kahne, responsável pela produção do ‘Lana Del Ray a.k.a. Lizzy Grant’, concedeu ao site Lana Daily

por / quarta-feira, 11 janeiro 2012 / Publicado emEntrevistas

David Kahne

 

David Kahne fala sobre Lizzy Grant (vulgo Lana Del Rey)

Os fãs de longa data de Lana Del Rey irão se lembrar do álbum autointitulado que ela lançou sob a gravadora 5 Points em janeiro de 2010. Originalmente intitulado Nevada e gravado
 sob seu até então nome, Lizzy Grant, em 2008, Lana Del Rey ganhou muitos fãs com a contagiante “Kill Kill”, a adoravelmente linda “Yayo” e a surpreendentemente agitada “Brite Lites”. O álbum foi produzido e coescrito inteiramente com o lendário produtor David Kahne (que também trabalhou com Regina Spektor, Paul McCartney), o qual teve a chance de falar sobre a aventura musical anterior de Lana.

LanaDaily.com: Você poderia listar todas as músicas que você fez com Lizzy/Lana?
David Kahne: Yayo
Kill Kill
Gramma
Queen of the Gas Station
Oh Say Can You See
For K pt. 2
Jump
Mermaid Motel
Raise Me Up
Pawn Shop Blues
Brite Lites
Little Girls
Smarty
[Nós também] começamos uma canção chamada C-Note depois que o álbum ficou pronto.

LD: Como foi trabalhar com a Lizzy no estúdio? Descreva o processo criativo dela.
DK: Foi bom trabalhar com ela. Nós estávamos trabalhando sozinhos na maioria do tempo, já que era um álbum de baixo orçamento. Perto do fim nós estávamos nos mudando mais para a programação das batidas. Eu queria que ela tocasse violão, já ela tinha um jeito bem diferente de escolher as notas, e houve algumas sugestões de acordes muito interessantes quando ela tinha que acompanhar a si mesma. Eu descobria muitos acordes interessantes baseados nos palpites de harmonia que ela dava quando tocava suas partes no violão. Eu não acho que ela toca mais, de qualquer forma, pelo menos eu imagino.

LD: Você tem algumas recordações favoritas de quando trabalhava com a Lizzy?
DK: Quando começamos a trabalhar em “Gramma”, ela me mostrou uma foto dela de quando era muito jovem, com sua avó. Foi tão comovente ver a fotografia e sentir o amor que havia ali. Eu me senti como se estivesse vendo claramente, e isso fez a música ser especial e significativa pra mim.

LD: Há muita falação online em relação à autenticidade do estilo da Lizzy. As pessoas têm dito que ela é uma farsa etc., e têm criticado tudo, desde seus lábios até a aura em geral. Baseado nas suas experiências com ela, você acha que isso é certo?
DK: Minha experiência com ela é que ela realmente se esforça para entender qual o seu lugar no mundo. Artistas fazem isso. O que mostrar, o que esconder? Ela tem uma grande força de vontade e defende suas ideias de maneira muito tenaz (o que é o tipo de coisa que eu gosto em artistas com que trabalho). Foi com nossa experiência que ela quis o que queria e não mudou sua visão. Todos nós ganhamos e sofremos com as escolhas criativas que fizemos, então ela tem meio caminho andado pra melhor ou pior. E agora mais do que nunca há tanta crítica de tantos ângulos que é difícil dizer o que é real e o que não é, com tudo isso. É Rick Santorum, ou Kate Winslet, real ou farsa? Eu não sei… É uma escolha pra ser feita, imagino. Eu acho que você sente que ela é real, então isso é bom o bastante pra você. Eu a conheço mais como Lizzy, não Lana, então essa parte do nome soa um pouco confusa pra mim, mas é claro que teria compartilhado minha história com ela. Eu fiquei um pouco surpreso quando vi uma foto dela alguns meses atrás, mas eu me acostumei agora. E o som/vibe da voz dela é a mesma pra mim.

LD: Você trabalhou com muitas lendas ao longo da sua carreira (tornando-se uma lenda você mesmo!). Como você classificaria Lizzy entre tantos artistas incríveis com quem você trabalhou?
DK: Eu não sou bom em classificar as pessoas com quem trabalho uma contra a outra. Eu estive trabalhando com Tony Bennett e presidentes dos Estados Unidos da América ao mesmo tempo, ou Fishbone e os Bangles ao mesmo tempo, ou Regina Spektor e The Strokes ao mesmo tempo, então é impossível comparar, exceto por uma coisa, que é o quanto que os artistas trabalham pesado para dar suas próprias visões. Eu escolho trabalhar com artistas que realmente se esforçam, como os artistas acima, ou Ingrid Michaelson ou Sublime, e Lizzy/Lana se esforçou muito e ela tinha grandes ideias.

LD: Você ouviu o novo som da Lizzy? O que você achou?
DK: Sim, eu ouvi várias canções. Eu gosto do novo som dela, especialmente “Video Games”. Ela se distanciou das batidas, algo que começamos e desenvolvemos no álbum que fizemos. É a mesma personalidade no vocal aos meus ouvidos. Talvez ela ouça isso de forma diferente…

LD: Descreva seu próprio processo de produção/composição. Como surgem as melodias e as letras pra você? Como você determina se uma música é um hit ou não, ou isso não faz parte do processo?
DK: Não tenho muito a dizer sobre essas coisas misteriosas… Eu acho que os hits tendem a ser músicas/faixas/produções com o impacto mais emocional. Eu tenho notado que quanto mais eu me envolvo numa produção, melhor a música se sai.

Tradução por Raphaella Paiva

Redação LDRA
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