‘Nunca pensei que eu teria o luxo de amar alguém e ser amada, mas quando isso aconteceu, realmente foi como eles falam nos filmes’, confira a entrevista concedida ao site da BBC News

por / sexta-feira, 27 janeiro 2012 / Publicado emEntrevistas

El País

Amor, a lei e Lana Del Rey

Lana Del Rey tem sido elogiada, processada e zombada – tudo isso antes de seu álbum chegar às prateleiras. Mas a estrela norte-americana diz que ela está mais preocupada com a crise financeira global do que com suas críticas.

Ano passado, quase sem nenhum alvoroço, uma música chamada Video Games foi postada no YouTube. Uma dolorosamente linda balada ao som do piano, feita por uma cantora desconhecida, foi rejeitada por quase todas as gravadoras que a tinham ouvido. A música era muito longa, eles disseram, muito melancólica. E precisava de baterias se fosse pra tocar em alguma rádio.

Lana Del Rey não acreditou em nenhum deles. Ela persuadiu uma pequena gravadora independente a lançar a música, e criou um clipe promocional em casa usando seu MacBook. Dois milhões de visualizações depois, ela tem um contrato com uma gravadora maior, um contrato com a agência Next Model, e está prestes a lançar um dos álbuns mais esperados de 2012.

 

Então quem é Lana Del Rey?

Ela nasceu como Elizabeth Grant na cidade de Nova York há 25 anos. Crescida no local das Olimpíadas de Inverno, Lake Placid, ela foi rodeada por uma “grande família” e começou a estudar filosofia quando, aos 18 anos, seu tio a ensinou “seis acordes básicas” no violão.

A cantora só performou num punhado de shows até agora, mas planeja uma turnê completa no final deste ano.

“Foram G, C, A,” ela lembra, distraidamente esticando seus dedos nas formações de acordes. “Foram D menor, A maior e alguma corda reduzida também. Algum truque, algum atalho. Eu percebi que eu provavelmente poderia escrever um milhão de canções com esses seis acordes – então me mudei pra Nova York e levei um par de anos pra conseguir escrever o que eu quisesse.”

Ela levou uma apunhalada anterior ao gravar um álbum – Lizzy Grant aka Lana Del Ray de 2008 – que foi feito com $10 mil dólares pelo produtor David Kahne, que trabalhou com Paul McCartney e Regina Spektor. Mas ele nunca foi oficialmente lançado, ficando no iTunes por dois meses em 2010 antes de desaparecer silenciosamente.

“Eu assinei com uma gravadora independente, mas eles não conseguiram fundos pra lançá-lo,” diz Del Rey. “As pessoas agem como se isso estivesse envolto de mistério, o ‘terrível álbum esquecido’. Mas se você olhar no YouTube, todas as 13 faixas estão disponíveis com milhões de visualizações, então não é como se ninguém tivesse ouvido. Todos nós ficamos orgulhosos disso. Foi muito bom.”

A cantora recentemente comprou de volta os direitos autorais do álbum, e diz: “Eu estarei relançando ele, talvez no final do verão.”

 

Cinemática

Sua grande estreia, Born To Die, aperfeiçoa a fórmula estabelecida naquele material anterior. Uma varredura dos épicos casos de amor condenados e o glamour das feridas, isso poderia ser a trilha sonora perdida de um filme noir.

Os vocais de Del Rey têm uma qualidade cinemática também. Em um momento ela é uma sussurrante femme fatale; no momento seguinte, uma lânguida, sensual diva: Marilyn Monroe e Marlene Dietrich competindo pelo controle do microfone.

Pessoalmente, no entanto, a cantora é mais pé-no-chão.

De fala suave e olhos gentis, ela vem de uma família unida. Sua mão esquerda é tatuada com a letra maiúscula “M” em homenagem a sua avó, Madeleine. E enquanto suas composições revelam um romance decadente (“ele me ama com cada batida de seu coração de cocaína”), eles foram, em grande parte, inspirados por um único relacionamento feliz.

“Nunca pensei que eu teria o luxo de amar alguém e ser amada,” diz Del Rey. “Mas quando isso aconteceu, realmente foi como eles falam nos filmes.”

O vídeo game referenciado na canção de Del Rey é o RPG online ‘World Of Warcraft’.

O affair a consumiu tanto que Del Rey afirmou: “deixei de lado minhas ambições musicais” e “sosseguei” em uma vida doméstica.

Em Video Games, ela está completamente abatida: “Ele me rodeia em seus grandes braços. Bêbada e estou vendo estrelas. Isso é tudo o que eu penso.”

“As pessoas falam que eu sou antifeminista por causa dessa música,” a cantora diz. “Elas acham que isso tem origem submissa. Mas na realidade era mais sobre estar junto e fazer suas próprias coisas alegremente no mesmo espaço que a outra pessoa.”

O relacionamento eventualmente terminou, mas Del Rey não se importa em revisitar as memórias.

“Você deveria honrar o amor, mesmo quando ele está perdido,” ela diz. “Eu estive separada de várias coisas e das pessoas na minha vida, as quais eu queria estar perto. Mas ficando calma e sendo forte, eu estaria honrando a memória daquelas coisas e daquelas pessoas. Eu tenho orgulho disso e continuo fazendo isso.”

 

Problemas legais

Depois que Video Games se tornou um hit de sucesso outubro passado, Del Rey foi abocanhada com um contrato que ligaria o Reino Unido e os EUA através da Polydor Records e a Interscope – essa última sendo a gravadora também de Lady Gaga e Madonna.

O principal benefício foi a súbita disponibilidade de um advogado de direitos autorais.

Lana Del Rey escreveu a maior parte de seu novo álbum no Reino Unido

Lana Del Rey escreveu a maior parte de seu novo álbum no Reino Unido

“Eu fui processada pelo clipe de Video Games,” Del Rey explica. “Aquele foi um péssimo dia. Um milhão de visualizações e foi dizimado.”

O vídeo foi cortado por causa das sequências de cenas vintage que a cantora encontrou no YouTube. Ela os tinha pegado de graça. O que virou uma dor de cabeça legal.

“Então agora eu tenho um especialista que contata as pessoas pra pedir permissão quando eu faço um vídeo.”

Mas há desvantagens em trabalhar com duas das maiores companhias mundiais.

Algumas das pessoas que defenderam Del Rey anteriormente em sua carreira deram as costas à cantora, acusando-a de ser vendida. Para eles, a autenticidade e o pop estão em lados separados em uma inexplicável e invencível guerra fria musical. Eles têm a atacado profissionalmente, acusando-a de não compor as próprias músicas e, pessoalmente, alegando que ela fez cirurgias plásticas.

“Meus publicitários, em suas longas carreiras, dizem que nunca viram ninguém ser tão inventivo,” Del Rey suspira.

Mas a cantora insiste que as críticas não a perturbam.

“Eu sei o que as pessoas dizem sobre mim e eu não estou muito preocupada com isso, porque esse tipo de problema não me interessa realmente. Estou preocupada sobre o possível colapso do euro, o estado econômico global. Nós temos sérios problemas. É claro que eu espero que o álbum se saia bem, mas independentemente de como as coisas terminem, eu não estou preocupada com o meu futuro. Eu vou ficar bem.”

 

 

Por Mark Savage
Tradução por Raphaella Paiva

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
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  • Amanda Vasconcellos

    Posso sugerir uma correção na tradução? “Chords” pode ser traduzido como “cordas” ou “acordes”, e você traduziu como “cordas”, mas o certo seria “acordes”, pois ela citou vários acordes (A, G, C, Dm e um outro), e além disso ninguém ensina cordas no violão. Abraços, e não interprete isso como reclamação, mas simplesmente uma sugestão bem-intencionada 🙂

    • RaphaellaPaiva

      Ah, obrigada, gata. Eu traduzi como cordas porque realmente não entendo nada de música kkkkkk’

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