‘Eu sou tão grata simplesmente por estar viva e saudável todo santo dia’, confira a entrevista concedida à Absolute Radio

por / segunda-feira, 23 janeiro 2012 / Publicado emEntrevistas

Absolute Radio

Durante sua passagem por Londres, Lana Del Rey foi entrevistada por vários locutores de algumas rádios da cidade. Confira o áudio e a tradução da entrevista concedida a Geoff Lloyd da Absolute Radio nesta quinta (12).


Geoff Lloyd: Estamos na Absolut Radio, e na sessão desta noite estou deliciado em dar boas vindas a Lana Del Rey. Olá!
Lana Del Rey:  Oi!

Como vai você?
Estou bem, obrigada, e como você está?

Estou ótimo! E não sei como nunca notei antes nos seus clipes o dente de ouro (Risos). Foi uma mudança recente? Conte sobre isso.
Foi uma mudança recente, sim. Eu só estou, sabe, só estou brincando um pouquinho.

ldelrey_gl_24jan12_pa_bMas seus dentes são todos bons, não é? É um jeito americano.
Sim, todos bons, todos bons. Os britânicos usam também, eu não sei do que eles estão falando…

É um esteriótipo terrível.
Que bobeira!

Sim, apesar de…
Eu sei tudo sobre isso. (Risos)

Então… você capturou minha atenção no último verão quando eu vi os clipes online de duas músicas, e ao ver aqueles clipes, a imagem que eu tive de você na minha imaginação foi dessa garota meio boêmia – que teve um caminho cheio de decepções na vida, que mora num pequeno e bagunçado apartamento, cheio de móveis artesanais e coisas do tipo ‘faça você mesmo’, que passa seu tempo indo em vendas de garagem e assistindo a velhas filmagens da cidade e os colocando juntos pela noite e… O quanto isso está próximo da realidade?
Eu não sei… Eu sinto que essa visão é… Tipo, você está falando da mesma garota, exceto que eu não vou a vendas de garagem ou nada do tipo, e eu normalmente procuro filmagens no YouTube…

Certo.
Mas… (Risos) Eu não sei. É mais ou menos isso.

Tudo bem, então há um pouquinho de verdade aí. E já que você não vai a vendas de garagem, com o que você gasta seu dinheiro? Você é uma pessoa materialista?
Com o que eu gasto meu dinheiro? Eu não gasto meu dinheiro com nada, eu só…

Você é econômica.
Eu sou econômica, eu odeio gastar meu dinheiro…

Mas você não é do tipo de pessoa que coloca muito valor sentimental nas coisas?
Não realmente, tipo, se eu tiver muito dinheiro, eu compro algo muito lindo, como talvez pequenos diamantes, e eu comprei esse anel…

Coisinhas brilhantes (Risos).
Mas, além disso… Eu gasto dinheiro com, tipo, é muito caro fazer clipes, como para Video Games e coisas do tipo, então eu normalmente gosto de colocar meu dinheiro de volta na música.

E pode ser ouvido no som das filmagens coisas como músicas de fundo. Então você já estudou cinema? É algum interesse que lhe surgiu?
Sim… Eu não estudei isso, só acabou se tornando… Eu sou primeiro uma escritora e depois uma cantora, então as edições de filme acabaram aparecendo depois. É algo que eu acabei me apaixonando tanto quanto cantar.

Um casamento entre as imagens e os vocais.
Sim.

Então… Foi muito rápido em termos de se fazer um álbum – eu não sei a velocidade de se gravar nem o que está se passando na sua vida – mas numa velocidade repentina desde que lançou seu álbum, tem surgido esse sucesso enorme e massivo, e então tem surgido esse tipo de repercussão metralhadora e sem precedentes. Isso parece algo “infectado” pra você? Você que tem tudo o que quer, mas por outro lado sente que tem um lado ruim?
Eu não sei se tem sido ruim, mas definitivamente tem sido diferente do que eu já esperava, mas, sabe… Pelo fato de eu ter tido muito tempo pra pensar sobre o álbum e o que eu queria, porque eu vinha escrevendo desde o ano passado, então… Eu meio que terminei de compor o álbum antes de tudo estar realmente acontecendo, então, eu não sei… Quero dizer, eu não acho que seja realmente ruim, mas eu jamais poderia imaginar isso tudo.

a2dc328357_82948060_o2Eu vejo essa atmosfera de sucesso e as pessoas escutando sua música, e você está fazendo shows e as pessoas estão gostando… Eu não acredito que ser metralhada por um blogueiro hipster ou uma crítica maldosa faça parte disso, no entanto. Você é um tanto à prova de balas a esse criticismo, você não acha?
Eu não sei, sabe? Eu não penso demais sobre isso simplesmente porque… Você sabe, eu tenho vivido em Nova York por sete anos, e muitas pessoas com as quais eu comecei cantando, não cantam mais, não compõem mais… Então o fato de eu ainda conseguir fazer isso, como vir aqui e fazer shows, cantar e compor – isso é um tipo de dom, é nisso que eu me foquei. Eu continuo compondo quando volto pra Nova York ou pra Califórnia, tipo nas duas últimas semanas eu pude voltar ao estúdio e continuar trabalhando… Então eu descobri que quando estou trabalhando, é mais fácil não me afundar nisso.

Você não tem tempo livre então?
Não, na verdade eu gosto de ter tempo livre, mas não tenho tido muito ultimamente. (Risos)

Bem, vai ficar ainda mais selvagem com o tempo também (Risos). Então ‘Lana Del Rey’ é o nome da sua persona, ele é usado pra você pessoalmente ou faz parte da sua música?
Ele é definitivamente eu. Eu só queria um nome que fosse tão lindo quanto eu pensei que as músicas seriam.

De onde veio o nome?
Bem, eu estava indo muito a Miami com a minha irmã, nós estávamos passando um tempo com alguns amigos de Cuba, e eu queria algo que soasse como o glamour desvanecente do litoral…

Sim, sim.
Ele soou bonito, mas sonoramente eu simplesmente amei o jeito que ele envolveu a ponta da língua.

Você tinha uma longa lista de opções?
Eu tinha uma lista curta.

O que mais estava na lista?
(Risos) Eu não sei, eu não te diria!

Você sabe! Você sabe!
Eu com certeza não te diria. (Risos)

Falando de referências, tem um toque Nancy Sinatra, você se descreve como uma Nancy Sinatra gângster.
Isso foi algo que eu coloquei na minha conta do YouTube por brincadeira e, assim que a música ganhou mais atenção, as pessoas se apegaram a essa frase no meu YouTube e começaram a espalhar antes que eu pudesse controlar.

É assim que as coisas são, você pode usar frases como essa e bios e tuítes por anos e ninguém nota, mas no segundo em que você ganha um holofote tudo se torna altamente examinado.
Eu sei, essa foi uma decisão muito sofisticada, foi… ótima.

(Risos) Que música é a mais querida pra você? Na verdade, se você fosse sofrer eutanásia, o que estaria no mixtape de músicas que você morreria pra ouvir?
Bem, eu tinha outra resposta pra você, mas já que você colocou desse jeito, eu provavelmente morreria por Jeff Bukley, eu acho que não haveria outra forma.

(Risos) É uma boa forma de partir.
Boa música pela qual morrer, me enviando para o Paraíso, voz paradisíaca, tons paradisíacos… Há alguns álbuns que são muito queridos por mim, eu gosto muito de Nirvana, gosto muito de Bob Dylan e eu gosto da voz do Frank Sinatra.

Você tem medo da morte?
Bem, sim… Sim.

Você pensa sobre sua própria morte?
Eu costumava pensar nisso.

Você pensava se seria por causas naturais na velhice ou de um jeito trágico?
Não, eu não sei no que pensei, eu só sabia que isso me assustava… Deus, eu não sei.

bcaa1d105f_82948012_o2Porque eles dizem que há dois tipos de pessoas: pessoas que fantasiam sobre suas cerimônias de casamento e pessoas que fantasiam sobre funerais…
Isso é verdade? (Risos).

Sim, sim! Você sente que se apaixonou por essas duas coisas?
Sim, eu sou uma mulher moderna, acho que me apaixonei por ambas. (Risos) Eu fantasio sobre as duas coisas.

Você gostaria de um funeral feliz, pessoas rangendo os dentes, chorosas ou de luto?
Essa é uma boa questão.

O mesmo vale pro casamento.
Esperançosamente a família estaria lá? (Risos) Deus, eu não sei.

É… (Risos) Você pode apontar um momento da sua vida em que você sentiu que aquele era o momento — minuto, dez segundos, tanto faz – que você mais se sentiu contente e feliz?
Sim! Pra mim, bem… Pra mim é basicamente todos os dias, eu realmente não consigo explicar isso pra você. Eu sou tão grata simplesmente por estar viva e saudável todo santo dia.

Isso meio que soa estranho vindo de você, dadas as filmagens que você usa, com um sentimento tão forte de nostalgia. Eu esperaria que você seria nostálgica sobre um certo verão ou alguma jornada, sabe, algo que você romantiza…
Eu sou, mas eu acho que vejo tudo em imagens… Quando eu lembro de como as coisas eram, elas são muito vívidas pra mim, tipo, quando eu componho, eu componho pensando nessa imagem que eu consigo me lembrar, mas, quero dizer… A maioria das coisas que as pessoas dizem achar triste, eu na verdade achava feliz – e, sabe, quando eu compus Video Games, pra mim era uma verdadeira canção de amor, na verdade era sobre um tempo feliz; acho que é porque a melodia é meio melancólica.

Quando surgiu aquela melodia que ouvimos antes? Ela engrandece no refrão “você gosta de garotas más”… Você soube que tinha algo ali? Porque é quase como algo marcial, como uma banda marcial ou algo do tipo.
Pessoalmente eu achei que eu estava dentro de algo, não dentro de algo, mas em termos de compor uma melodia que eu achei que me descrevia perfeitamente, sabe? Eu achei que era linda e harmônica, eu definitvamente pensei que essa música tinha isso. Mas, sabe, eram 5 minutos e 30 segundos de uma balada de amor tranquila e sem instrumentos, então o sentimento não foi necessariamente, você sabe…

E você se sentiu como a garota na música ao invés disso?
Sim, é… Eu sempre me sinto a mesma pessoa onde quer que eu vá, meio que… Mas, sabe, ela não estava triste ou…

Não parece assim, parece algo que eu chamaria de amor afável, (Risos) quando você está feliz só de estar deitado ao lado dessa pessoa e…
Sim, eu quero dizer… Eu realmente gostei de… É bom estar apaixonado. Então…

E o que você quer?
Eu tenho tudo o que eu quero. (Risos)

O que você anseia, o que você tem como objetivo, qual a sua ambição?
Eu realmente não consigo pensar em nada…

Eu nunca sairia de casa se eu pensassem assim.
Eu não quero sair de casa! (Risadas) Estou feliz em casa. Eu realmente estou.

Lana, muito obrigado pela conversa. Toda a sorte do mundo com o álbum “Born to Die”…
Obrigada, de verdade. De verdade.

 

Por Geoff Lloyd
Tradução por Raphaella Paiva

 

Em nossa galeria você pode conferir algumas fotos tiradas durante a passagem de Lana Del Rey pela rádio:


Redação LDRA
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