‘Algumas pessoas se aproximaram de mim para colaborações mas é algo que eu sinto que ainda não estou pronta ou interessada para fazer’, confira a entrevista para o site Pedestrian

por / sexta-feira, 23 dezembro 2011 / Publicado emEntrevistas

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Em entrevista ao site Peestrian.tv, Lana falou um pouco sobre sua vida em Londres, sua apresentação no programa de Jools Holland, seu novo álbum Born To Die e suas inspirações. Confira a tradução a seguir:

 

Lana Del Rey fala sobre autenticidade, mudanças e o novo álbum Born To Die

 

No início deste mês nós estivemos com a cantora-compositora que mais divide a internet para discutir mudanças, autenticidade e performances ao vivo. Lana Del Rey irá fazer tour na Australia em Fevereiro.  O seu novo álbum “Born To Die” está agendado para ser lançado em Janeiro.

 

Oi Lana, como você está?
Olá, estou bem e você?

Muito bem. O que você tem feito hoje?
Hoje estou em Londres, nós tivemos uma sessão fotográfico faz uma hora. A Alemanha está lançando a sua versão da ‘Interview Magazine’ então nós tivemos uma sessão de dez páginas para isso. Isso foi o que eu fiz hoje.

Você teve um ano bem louco – qual foi o momento mais surreal?
Eu tenho cantado há bastante tempo e trabalhado num disco que eu estou querendo lançar há um ano e meio mas eu nunca realmente fico ocupada com música. A minha vida tem sido sobre outras coisas que eu tenho feito durante os últimos seis anos fora da música. Então é surreal de uma certa forma ter algo a falar que envolva música. É meio diferente para mim.

Quais são essas outras coisas da vida?
Por exemplo, eu me mudei para Nova Iorque quando tinha 18 anos e estive envolvida na comunidade durante um longo tempo. Eu vivi nos Bronx, e em Brooklyn e Nova Jersey e eu apenas estive envolvida em muito trabalho desde que me mudei para cá.

Ah, então coisas reais da vida. OK. Então você tocou no Jools Holland este ano, esteve nervosa em ir para um music show tão icônico?
Bem, nesse período eu não estive no palco durante dois ou três anos e eu imagino que a televisão ao vivo não seja a minha especialidade, eu sou uma escritora natural, gosto bastante de escrever desde que era pequena e também gosto de cantar e de fazer álbuns no estúdio mas estar na TV é meio assustador para mim. É ótimo ser parte de algo tão icônico mas eu não posso dizer que estava na minha zona de conforto, eu não sou uma exibicionista por natureza.

Então como é que você se aproxima da plateia ao vivo se não é uma exibicionista por natureza?
Quer dizer, a minha audiência é fantástica. Eu subo no palco e antes de sequer chegar ao microfone as pessoas estão acenando e sorrindo para mim. É assim que o show fica mais confortável para mim. Eu tenho trabalhado com uma banda durante os últimos cinco meses e eles são quatro rapazes que realmente adoro, isso ajuda também. É um prazer, na verdade.

O que nos pode dizer sobre o novo álbum, que sensação está canalizando nele?
Eu tenho trabalhado nele por um tempo e será lançado no final de Janeiro. Tenho trabalhado com a Orquestra de Philadelphia e Larry Gold compôs algumas partes das melodias das músicas que eu escrevi, de maneira a adicionar uma exuberância cinemática a algumas músicas. Eu também tenho trabalhado com Emile Haynie (The Roots, Kanye West, Lil Wayne) durante o último ano e meio e ele adicionou batidas e samples nas músicas que eu já fiz com Justin Parker (co-escritor de Video Hames). Eu acho que Video Games e Blue Jeans com certeza definiram o tom para o álbum. Eu não sei se consigo definir a sensação mas é algo continuamente autobiográfico e eu acho que a maioria das músicas fica entre o obscuro e o belo. Quero dizer, quando eu faço um álbum eu não estou fazer dele um grande espetáculo sonoro. Eu cantei durante tanto tempo que agora acabo por escrever para mim e fazer disso o mais pessoal possível.

Qual é o ponto a partir de que você usualmente começa a escrever uma música?
Eu geralmente caminhava por Manhattan e apenas pensava sobre a maneira como as coisas costumavam ser e canto melodias diferentes para a minha música enquanto eu caminhava ao lado da água. Agora que eu tenho trabalhado com os produtores, depende. Às vezes Justin vem ao estúdio e me diz que existe uma progressão de acordes que o lembra de mim. E se eu gostar eu pego ela e a desenvolvo a partir daí e começo com estilo livre e apenas rimo as coisas. Mas algumas vezes refletindo minha vida. Realmente depende da situação.

Considerando o ano que você teve, muitas pessoas se aproximaram de você para colaborações?
Algumas pessoas se aproximaram de mim para colaborações mas é algo que eu sinto que ainda não estou pronta ou interessada para fazer. Eu trabalho com Emile pois eu o conheço e ele entende o que eu estou fazendo, ele já está familiarizado com o meu som há algum tempo e ele não quer mudá-lo. Acontece que ele trabalha no hip-hop mas foi mais porque ele me conhecia como pessoa e podia adicionar o necessário para melhorar o núcleo do que eu estava fazendo. Então não, sem colaborações, honestamente.

Qual foi o catalisador para o surgimento de “Lana Del Rey”?
As pessoas julgam que foi uma enorme transição pela qual eu passei mas eu comecei a cantar com esse nome quando eu tinha 19 anos, então, há muitos anos atrás. Eu não considero uma mudança de personalidade e eu acredito que você deve se tornar a pessoa que quer ser mas eu já era essa pessoa. Não é como se eu fosse uma pessoa e depois tivesse alterado para algo diferente. Eu apenas procurava um nome que personificasse o espírito da música que eu estava fazendo e soasse belo na língua.

Filmar parece ter uma grande influência pra você, que parte isso toma na sua vida diária?
Eu realmente amo edição de vídeos. Os meus sentimentos por edição agora são iguais aos meus sentimentos passados pela música, que é paixão.

Porque é que você já não se sente apaixonada pela música?
Eu sinto-me apaixonada por música, mas é que eu sou uma cantora há muito tempo. De uma maneira, música não tem sido minha prioridade desde que eu fiz 20 anos e eu tenho tido toda uma vida fora da música, fazendo outras coisas.

Qual foi a última coisa que você fez fora da música?
Uma coisa que eu fiz foi trabalhar com o meu diretor favorito Yoann Lemoine para o vídeo de “Born To Die”. Eu o fiz em Paris há três semanas atrás, escrevi como o queria e ele me ajudou com isso que é algo que eu sempre quis fazer, durante um longo tempo, que é trabalhar com alguém como ele. Essa foi realmente a última coisa que eu fiz e queria fazer pois eu já trabalho com as pessoas de quem eu gosto.

Algo que só acontece com você é ter que defender a sua autenticidade constantemente. Quero dizer, eu acho que se você fosse um homem isso nem faria parte desta conversa. O que você acha?
Sim, eu concordo. Tudo o que posso dizer é que eu escrevo as minhas próprias músicas, eu faço os meus vídeos e não é como se eu não tivesse feito algo e dissesse que fiz. Em termos da definição de “autêntica”, eu escrevo músico e é isso. Não é como se alguém estivesse escrevendo todas as minhas músicas ou fazendo todos os meus vídeos por trás das cenas. Se isso fosse verdade eu acho que essas pessoas já teriam me exposto. Quero dizer, eu sei qual a verdadeira natureza da minha jornada e eu escrevo o meu material então o que posso dizer?

Mas você, sobretudo, deve ter algum pensamento crítico sobre a necessidade de autenticidade para as pessoas…
Eu ainda não tenho bem a certeza. Ainda é novo e estou tentando entender.

É tão estranho ter que pensar na sua própria autenticidade. É como se estivesse de novo no colegial.
Quer dizer, é uma boa pergunta. Eu não sei se existe uma resposta para ela. É meio que A pergunta. Independentemente da resposta, a verdade é que eu já sou uma cantora há muito tempo e isto é, honestamente, onde o meu caminho me levou.

Obrigado pelo seu tempo Lana.
Obrigada a você.

Por Ash
Tradução por Bruno Rebelo

Redação LDRA
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