‘A fama se tornou algo ruim, mas eu a acho divertida’, leia a tradução da entrevista para a i-D Magazine

por / sexta-feira, 16 dezembro 2011 / Publicado emEntrevistas

i-D

 

Lana Del Rey é uma criatura cativante. Com uma beleza de tirar o fôlego e delicadamente frágil, algo misterioso se esconde por trás de seus profundos olhos azuis.

Esbanjando o estilo de estrelas do passado, ela é a cantora que não gosta muito de se apresentar ao vivo nem de multidões. Crescida em Lake Placid, Lana se mudou para Nova Iorque quando ainda era adolescente, onde iniciou sua carreira como cantora com seu nome de nascença, Lizzie Grant. Apesar de seu álbum de estreia ter sido produzido por uma grande gravadora, o sonho de Lizzie não obteve muito sucesso, e acabou sendo engavetado.

Com o sucesso parecendo mais distante do que nunca, Lizzie tomou o controle e se reinventou, entrando novamente na indústria musical, dessa vez como Lana Del Rey. Um apelido criado em ode a todos os seus ícones Hollywoodianos favoritos.

Não demorou muito até Lana conquistar a atenção do mundo com Video Games: uma balada nostálgica e gentil para o rapaz pelo qual ela estava apaixonada. Com mais de três milhões e meio de acessos no YouTube, Video Games arremessou Lana Del Rey para o mainstream. Um sucesso com que ela ainda está se acostumando. Cautelosamente escondendo facetas íntimas de sua personagem, Lana é claramente intelectual, mas nunca sincera. Cantando calma e lentamente, com um tom tingido pelo tabaco, ela descreve sua sombria e cinematográfica música como “feliz”. Suspensa em movimento, Lana Del Rey poderia existir em qualquer época, isso se ela realmente existe. iD reuniu-se com a cantora ilusória para tentar descobrir mais…

iD: Video Games se tornou um viral bem antes de sua data de lançamento. Você pretendia antecipar seu sucesso?
Lana:
Eu tenho publicado músicas online por tanto tempo… Eu não esperava que Video Games fosse receber mais atenção que as outras músicas. É estranho que uma balada de cinco minutos tenha atraído tanta atenção. De qualquer forma, isso é ótimo.

iD: E a música fala sobre o quê?
Lana:
Eu falei com alguns jornalistas ontem e eles me disseram que pensavam que Video Games era uma música triste, mas para mim, ela soa feliz. As coisas não deram certo musicalmente para mim por um longo período. Eu escrevi Video Games após ter largado minha ambição de me tornar uma artista e estava apenas aproveitando o tempo com meu namorado, vivendo em um trailer, assistindo ele jogar video games. Minha vida era apenas isso, e eu estava em paz naquela situação. Então, para mim, é uma canção feliz.

iD: Como você acha que aquele namorado se sentiu quando ouviu a música?
Lana:
Eu acho que ele acharia a música impressionante. Ela capta as coisas simples de nosso relacionamento, como o ato de nos vestirmos para sair, ou sentar para assistir TV. A melodia é bonita, é uma combinação perfeita para o que eu estava sentindo… É como se você conseguisse várias coisas que você deseja e então as perdesse, você se torna uma pessoa mais simples. Você de repente se dá conta de que as coisas materiais se vão, e o que você realmente quer é encontrar alguém para se divertir e passar o tempo com você.

iD: Você se lembra da primeira vez que viu alguém performar e pensou “é isso o que eu quero!”?
Lana:
Quando eu vi Kurt Cobain tocar no MTV Unplugged eu pensei “Foda-se minha vida! Isso é tão sexy!”. Eu era jovem, mas você poderia dizer que havia algo acontecendo. Seu tom era obscuro, até as flores fúnebres e as velas espalhadas pelo set da MTV. Ele era mais épico que qualquer outra pessoa que eu já havia visto na televisão, até mesmo na vida real.

iD: Quem te inspira hoje em dia?
Lana:
Eminem. Ele é um grande contador de verdades. Ele é completamente autobiográfico, ele é engraçado e inteligente. Todos sabem disso.

iD: Você estava hesitante sobre como as pessoas a veriam como uma cantora?
Lana:
Se eu soubesse que tantas pessoas assistiriam ao vídeo de Video Games, eu teria feito meu cabelo e minhas unhas antes de gravá-lo (risadas). E talvez eu não teria gravado ele na webcam do meu laptop! A desvantagem de ter um vídeo online é que por mais que muitas pessoas gostem dele, há um número igual de pessoas que o odeiam. A quantidade de emails rudes que recebo é louca. Eles sempre falam sobre meu rosto e dizem coisas horríveis. É uma das piores coisas que já enfrentei em toda a minha vida. Parece um problema de luxo, mas não é. Eu sou uma pessoa bem simples. Eu não conheço muitas pessoas e eu me mantive no anonimato por muito tempo, logo, isso não é algo que eu planejava. Eu nem imaginava que alguém chegaria a realmente ouvir a música.

iD: Em Video Games, há cenas de Paz de la Huerta bêbada no Golden Globe Awards. Por quê?
Lana:
Ela é perfeita. Ela é perfeita pois ela é uma pessoa que durante toda a sua vida quis a fama e então a conseguiu, e ela a ama.

iD: Você se identifica com ela?
Lana:
Não, quer dizer, sim. Acho que é por isso que coloquei as cenas no vídeo. Eu não quero a mesma coisa, mas eu sei o que ela quis expressar. Ela ama cair, ela se diverte em seu próprio desastre. Ela sabe exatamente o que está acontecendo, e ela ama isso. Eu coloquei a cena porque pensei que ela seria certa para a música. Assim como as cenas das crianças se divertindo na piscina. Eu deixei minha intuição me guiar. Eu tenho uma narrativa forte em mente. Talvez você possa dizer que é a minha opinião sobre o lado negro do sonho americano. A fama se tornou algo ruim, mas eu a acho divertida.

iD: As letras das suas músicas fluem naturalmente enquanto você está escrevendo?
Lana:
Costumava ser assim. Francis Ford Coppola disse que se você se sentar no mesmo lugar, na mesma hora, todos os dias, sua inspiração saberá onde te encontrar. Eu estava inspirada pelas visões que eu estava tendo e o mundo sônico que eu estava criando. Mas agora, eu apenas sento para escrever quando a inspiração vem até mim.

iD: Você gosta de se apresentar?
Lana:
Umm… Eu gosto de escrever, eu gosto muito de cantar, tirar fotos é fácil, mas me apresentar é aterrorizante pra caralho. Pra caralho.

iD: Como você se prepara?
Lana:
Rezo a noite inteira. Fico louca. Eu espero que isso mude, eu não estive em um palco por 16 meses.

iD: E a capa do álbum?
Lana:
Eu quero usar essa imagem que eu amo. É meio Lauren Bacall. Nem muito macia, nem muito dura, na medida certa. É linda. Bem Vivienne Westwood. Branca… Cabelo de Veronica Lake contra um céu azul.

iD: Se você fosse a estrela de algum filme, quem interpretaria o papel da sua paixão?
Lana:
Elvis, provavelmente…

iD: O que a letra “M” tatuada em sua mão significa?
Lana:
Mágica. Pois eu preciso disso. (risos)

iD: Eu li que você estudou na faculdade meios de provar matematicamente a existência de Deus. Chegou a alguma conclusão?
Lana: (Risos) Não. Existem diferentes ramos da metafísica, cosmologia e cosmogonia e meu ramo estudava as origens do universo e como a realidade veio a se tornar real. Metafísica é ainda mais perguntas que respostas, mas, basicamente, há um conceito chamado de “Teoria de Tudo” que tenta descobrir como o universo se originou. Eles estão se aproximando cada vez mais da resposta.

iD: Quando você estava em seu ponto mais baixo, quem te inspirou a continuar?
Lana:
Foi apenas por sorte e destino que eu tive permissão para continuar. Não pelos meus próprios meios. Tem sido uma longa e difícil estrada… Amor perdido, não ter dinheiro e uma série de outras coisas.

iD: Os momentos difíceis te causaram danos ou te deixaram mais forte?
Lana:
Nenhum deles. Estou apenas feliz que eles tenham acabado. Eu ainda sou a mesma pessoa. Eu não sou melhor nem pior por isso. Eu provavelmente apenas sei um pouco mais.

 

Por Milly McMahon
Traduzido por Guilherme H. Lewer

 

Confira em nossa galeria as fotos que o fotógrafo Scott Trindle fez para a entrevista.


Redação LDRA
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