‘Eu não estou competindo com as outras cantoras’, confira a tradução da entrevista para a V Magazine

por / segunda-feira, 28 novembro 2011 / Publicado emEntrevistas

V Magazine

 

Leia a tradução da entrevista que Lana concedeu à V Magazine, para  edição dos meses de Novembro e Dezembro.

 

A balada de Lana Del Rey

O vídeo viral de “Video Games” deu início a uma série de debates enquanto fazia seu estrondoso sucesso. Agora ela está pronta para deixar as coisas claras com um álbum que nos lembra de que todos nós nascemos para morrer.

A primeira vez que me encontrei com Lana Del Rey foi no Reino Unido, durante o sombrio verão de 2011. Eu fiz companhia a ela num ponto de ônibus do lado de fora da matriz de Topshop, na Oxford Street em Londres. A chuva escorria, caindo do laquê em seu excepcional penteado até os ombros dos anos cinquenta. Seus enormes brincos de argola batiam contra seu rosto ao vento. Ela estava vestindo uma minissaia branca, saltos, e uma jaqueta de seda da Fórmula Um. Todos a notavam.

Fora as evidências físicas, ela disse várias coisas na última entrevista que me convenceram de sua excepcionalidade. Havia uma observação descartável no meio de suas reflexões sobre a fama, como Simon Cowell ser a “mistura do sonho americano e um psicopata americano” e então havia o fato de que ela usava um anel de casamento no transporte público para desviar a atenção dos homens. Ela parecia, sentia e soava como uma estrela

A última vez que falei com Lana Del Rey, nos bastidores em Cologne, na Alemanha, em sua estreia na tour europeia, ela era única. No início, a fama pode fazer com que percam suas cabeças. Estranhamente, ela parecia ter acalmado Lana.

Ó meu Deus” Ela disse em Cologne, “aconteceu tanta coisa nesse curto tempo. Eu ainda nem tinha um contrato de gravação. No espaço de quatro semanas tudo só… aconteceu”. Quando o motor do seu primeiro ônibus para a turnê no inicio do outono foi ligado, ela tinha se tornado uma estrela, um marketing viral, ganhadora de prêmios e a artista número um no iTunes da Holanda, França, Reino Unido e Alemanha – cortesia de sua requintada balada “ Video Games”. Era uma música que ela tinha trabalhado como parte da abertura de uma trilogia dedicada ao coração partido, um assunto que ela claramente vem aprendendo, e muito, nos seus vinte e cinco anos de juventude. A faixa a colocou na mesma linhagem de Nancy Sinatra e Marianne Faithfull e em um desacordo absoluto com as manchetes de tabloides estampando Rihanna e Katy Perry. Ela parecia entender a junção do glamour e do perigo do amor como se fosse por instinto. A trilogia se expandiu para incluir Blue Jeans e a faixa-título de seu álbum, Born to Die.

A faixa se relaciona ao Notorious B.I.G. “Acidentalmente, devo acrescentar” ela negou, quando eu perguntei

Uma bela jovem com um talento transcendente, um estilo distinto e um nome artístico – um que parecia ser ótimo para o cenário teatral do pop – Lana (nascida Lizzie Grant) inevitavelmente causou discórdia online. Ela estava sujeita aos xingamentos e “palavreados” da internet. Novamente, os rumores maldosos ao seu redor pareciam dar uma nova serenidade a cantora. Ei, todos nos temos um passado. Eu sugeri que a citação de Oscar Wilde “A única coisa melhor do que falarem sobre você é não falarem sobre você” poderia estar em seus pensamentos. “Oh não, querido” ela repreendeu suavemente, “tive uma vida inteira sem que falassem sobre mim. Tudo bem”. Ela parecia realmente colocar um significado naquilo.

Você fala sobre todas essas coisas que aconteceram comigo nesse pouco tempo, mas a única coisa que realmente mudou foi que agora eu tenho um público. Não importa se eu apareço em Glasgow, Machester ou Amsterdã, sempre haverá pessoas acenando pra mim do meio da multidão. Isso é incrível! Há pessoas lá fora que realmente querer conversar e tirar uma foto”, ela encontrou paz nessa resposta. “Alguém me mostrou o ingresso do show e me pediu pra autografa-lo. Você sabe quanto custa pra ir ver um show?” Ela fez uma pausa. “Essas pessoas realmente querem me ver”. Ela parecia não acreditar naquilo.

Eu não estou competindo com as outras cantoras” ela disse sobre quem está fazendo sucesso atualmente. “Eu não estou competindo com ninguém”.

Antes de conhecê-la, seu empresário me enviou um link com algumas canções que Lana havia gravado quando ela tinha vinte anos, em um arquivo bloqueado que só poderia ser acessado por quem tinha a senha. Desde então, ele já foi excluído. Eu gostei da maneira como ela soava em rimas de hip hop e colocava as mesmas em composições clássicas, como Carly Simon nos anos 80 no Bronx. Eu amei a leitura simultânea da “alta” e “baixa” cultura. Quando nos despedimos naquele ponto de ônibus em Londres, ela me disse que estava indo para Los Angeles em dois dias para encontrar um famoso produtor de hip-hop que gostaria de trabalhar com ela.

Eu decidi que não” ela disse em Cologne. “Eu mantive aquilo familiar. As batidas serão ouvidas depois pelo meu cara da bateria e os arranjos pelo meu cara das cordas”. Não terá uma indústria de aliciamento para a atual e futura estrela do pop Lana Del Rey. Principalmente, ela chegou a essa conclusão ouvindo seu álbum. Você realmente quer saber porque Lana Del Rey de repente encontrou sua calma?

Eu realmente fiz um ótimo álbum. Essa é a minha defesa” ela disse. E isso é tudo.

 

Por Paul Flynn
Traduzido por Hallem Anderson

 

Veja também as fotos tiradas por Karin Sadli para a revista na nossa galeria


Redação LDRA
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