Leia a notícia sobre Lana postada no site da Marie Claire Espanha

por / domingo, 20 novembro 2011 / Publicado emNotícias

Marie Claire espanha

 

Misteriosa Lana Del Rey

Lana Del Rey reina na Internet com mais de 6 milhões de reproduções de seu single “Video Games” e milhares de seguidores nas redes sociais compartilhando sua música. Essa californiana de 24 anos é o último fenômeno musical surgido na rede, seu disco sairá à venda no próximo janeiro, mas bastou a Lana um par de singles, algumas fotografias caprichadas, poucos concertos e pouquíssimas revistas para chamar a atenção da mídia e que muita gente se pergunte quem é Lana Del Rey.

Lana Del Rey lembra muitas coisas, mas ao mesmo tempo é diferente de tudo o que veio antes, de todas as demais. É feita de contradições e as pessoas assim se tornam magnéticas. Desconcertam-nos, intrigam-nos.

Observo e escuto Lana pela primeira vez no último verão e o faço com a mesma curiosidade de quem cheira um perfume tentando descobrir a essência que o faz tão especial. Ainda que, mais que um perfume, Lana seria um coquetel. Servido em um copo de Martini de uma cor chamativa, talvez fúcsia, doce no primeiro gole, forte no último e com um gosto amargo ao deixar o copo. Lana canta com sensualidade delicada e também arrastando melancolicamente as letras que ela mesma escreve. Uma voz da penumbra de um quarto de um hotel de estrada. O frescor salpicado de whisky barato bebido na mesa de um bar da Costa Oeste. A vitalidade e a juventude frente à tristeza que tinha de decepções e solidão, que na verdade é bastante adolescente, devo dizer.

E continuo somando (maravilhosas) contradições.

Atrás desse nome pretensioso de protagonista de uma série, uma menina de aspecto inocente que, contudo, não nos custa imaginá-la arranhando com suas unhas postiças o assento traseiro de um Chevrolet qualquer.  Muito ouro, bling-bling* e lábios injetados, dando o toque L.A. A ingenuidade de Lana vai e vem com a mesma velocidade que ela pisca seus enormes cílios falsos.

*bling-bling é um estilo adotado por rappers, caracterizado pelo uso de joias e brincos.

Ela diz que é uma “Nancy Sinatra gangster” e que o “Hollywood pop/sadcore” é seu estilo. Aí é nada, Lana, Lana… Parte de sua inspiração vem da América nostálgica de Kennedy, Elvis Presley e o “Hollywood dourado”… Um todo (aparentemente) perfeito e puritano. Sua imagem de pin-up, a cabeleira de lado e as cenas que dão forma a seus “vídeos vintage” o confirmam.

Não me surpreende, já lhes dizia que há de se julgar Del Rey com os extremos.

Às vezes Lana me lembra uma menina que brinca de se maquiar com os produtos da mãe, tentando parecer com Rita, Katherine ou Veronika. Outras, só vejo uma Britney, porém com uma releitura e melhor gosto para escolher suas referências. O melhor de tudo é que ainda não há resposta para essa e outras muitas incógnitas que pairam sobre ela. Lana Del Rey continuam sendo um mistério e eu me alegro muito de que seja assim. Tomara que dure mais tempo, misteriosa Lana.

Que continue assim, sem se descobrir que, de certo, é só um produto mais idealizado ao detalhe por uma gravadora e estilistas com bom olho; que Lana, no fundo, é como o resto, como todas as demais ainda que sua música não seja; sem que se saiba que os videoclipes não foram feitos por ela e que, na verdade, nunca tenha visto um filme preto e branco e nem ao menos sabe quem é David Lynch.

Entretanto, vamos crer na magia do cinema trazida à tela do Facebook, vamos continuar desfrutando dessa nova diva do Youtube e pensemos que ainda há esperança para a música.

Pode ser que, igual ao que ocorre com o cinema que tanto eu quanto a Lana gostamos, quando se acendam as luzes a magia se perca por completo, nada seja real e só se trate de um filme, outro tranquilizante a mais.

 

Por Greta Borrás
Traduzido por Isabela Guiaro

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
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