‘Meu objetivo é ser uma pessoa boa que vive com dignidade e graça’, confira a entrevista concedida ao site Clash Music

por / terça-feira, 29 novembro 2011 / Publicado emEntrevistas

complex 2011

 

Entrevista com Lana Del Rey
“Meu objetivo é ser uma boa pessoa que vive com dignidade e graça.”

 

Sinto muito que você tenha que me ver desse jeito” diz Lana Del Rey, encostada na soleira da porta.

Porque alguém parecendo tão espetacular – ela está vestida com um macacão de couro com o cabelo ondulado tão grande quanto sua personalidade – deveria estar se desculpando, é incerto.

Eu pareço tão vulgar” ela diz, talvez percebendo o efeito que seu vestuário está tendo nesse pobre, oprimido jornalista.

Lana, verdadeiro nome Lizzie Grant, está muito consciente a respeito de como ela pode se deparar. Durante o photoshoot, deitada com as costas em uma motocicleta, ela faz poses sedutoras antes de sair fora delas, constantemente perguntando como ela está e como isso pode ser percebido.

Isso foi muito “revista masculina”, não foi?” ela pergunta, deslizando em volta timidamente. Mais tarde, ela confessa que até mudou o jeito de cantar para ser levada mais a sério. “Eu canto baixo agora, mas minha voz costumava ser bem mais alta. Por causa do jeito que eu pareço.” ela explica, fazendo ligeiras caretas sobre o tema da conversa, “eu precisava de algo para fundamentar todo o projeto. Por outro lado eu acho que as pessoas assumiriam que eu era uma cantora cabeça de vento. Bem, eu não acho… Eu sei. Já cantei de um jeito e de outro e eu vi o que atrai as pessoas.

Seria hipócrita e fútil ignorar a aparência de Lana, mas reduzir o surpreendente talento de vinte quatro anos a nada mais que um rosto bonito é pior. Mais de meio milhão de pessoas não assistiram “Video Games” no Youtube em apenas pouco mais de um mês porque ela é bonita. Lana tem as músicas – músicas David Lynch-encontra-Nancy-Sinatra-escas – não comete erros.

Se eu soubesse que meio milhão de pessoas iriam assistir ao meu vídeo eu teria feito meu cabelo e maquiagem propriamente” ela brinca. “Mais importantemente, eu não pareceria tão mau humorada, vendo como todos falavam da droga da minha cara o tempo todo e me mandavam mensagens terríveis. Apesar de as pessoas parecerem gostar, eu não estava preparada para os ataques pessoais aterrissando em meu inbox.

Vindos de Lake Placid, “uma pequena cidade turística que turista nenhum vai mais” no estado de Nova York, Lana começou cantando em corais de várias igrejas quando ela era criança. Ela continua dizendo que não é religiosa – “mais espiritual, eu sei que é clichê” – mas ela faz suas orações de tempo em tempo.

Eu preciso fazer isso por causa de todos os problemas nos quais eu já estive envolvida. Não vou dizer o que, porque você não acreditaria” ela diz, inexpressiva.

Lana é uma personagem intrigante, de um lado animada com tudo que está acontecendo com ela no momento, de outro, completamente confusa com toda a experiência. Isso é, em parte, por ela querer ser uma cantora há muito tempo; e agora que está virando realidade, o fogo em sua barriga foi extinto por anos de rejeição.

Quando você encontra tudo o que ama e o perde, e para mim era a música, suas ambições definitivamente começam a mudar”, ela explica. “Elas precisam. Meus objetivos mudaram de querer me tornar uma artista importante para me tornar um membro ativo da minha comunidade. É muito legal que minha música está sendo tocada e as pessoas estão notando, mas a música não é mais meu primeiro foco. Nem perto disso. Meu objetivo é ser uma pessoa boa que vive com dignidade e graça”.

Houve um disco anterior, produzido com David Kahne (Paul McCartney, The Strokes, Steve Nicks, Regina Spektor). Estava disponível na Amazon e no iTunes, mas foi retirado depois de três meses, apesar de que algumas faixas podem ser encontradas no Youtube se você procurá-las.

Eu vou escrever de novo porque eu preciso agora. É um luxo e vai me permitir me concentrar em outros interesses e procuras. Eu escrevi um álbum e ninguém o escutou. Eu estou bem com isso. Eu fiz uma gravação requintada três anos atrás que foi perfeita para mim”, ela afirma.

Eu aprendi a fazer as coisas apenas para mim mesma, e o fato de que as coisas estão funcionando agora está apenas colocando a cobertura no bolo.

 

Por Andy Welch
Tradução por Bruna Barcelos

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
Tagged under:
TOPO