‘Eu sempre fiz a música que eu queria fazer’, confira a tradução da entrevista concedida à Tsugi Magazine.

por / domingo, 11 setembro 2011 / Publicado emEntrevistas

Tsugi

 

Lana concedeu uma entrevista à revista francesa Tsugi. Leia abaixo a tradução completa:


 

Entrevista – Lana Del Rey – “Primeiras Vezes”

Um vídeo surgiu em primeiro de julho na internet e inflamou o mundo da música em poucos dias. É “Video Games” de Lana Del Rey, nós já falamos dele para vocês um monte de vezes. Poucos meses depois, o fenômeno cresceu de uma maneira ruim, os haters têm pesquisado tudo o que podem para impedir sua ascensão, enquanto Lizzy (seu verdadeiro nome) trabalha em seu primeiro álbum (previsto para março de 2012).

Ela começa sua primeira turnê (ela vai subir ao palco do Nouveau Casino dia 7 de novembro) e se prepara para filmar um novo clipe sob a direção de Yoann Lemoine (conhecido com Woodkid), nos pudemos conversar com ela para abordar suas primeiras vezes.

François Blanc: Sua vida antes de ser Lana Del Rey?
Lana Del Rey:
Nasci em Manhattan mas cresci em Lake Placid, ao norte do estado de Nova York. Uma cidade muito calma no interior, algo como 2.000 habitantes. Eu fiquei lá até meus 14 anos, depois eu parti para mudar de escola.

Por que você estava entediada?
Não por eu estar entediada, mas sim porque eu estava me colocando em apuros! Eu saía todas as noites, meus pais acabaram por me mandar para um internato.

Primeiras memórias musicais?
Meu pai colocava para tocar muito frequentemente os Beach Boys em seu Ford Thunderbird. Eu também costumava cantar com minha mãe. Meus dois pais cantam.

Primeiro disco comprado?
Tem certeza de que quer saber? (risos) Era uma fita-cassete-single de “Gangsta’s Paradise” do Coolio! Era uma boa música!

Primeiro ingresso de show comprado?
Eu creio que jamais fui verdadeiramente a um show… Eu sei que pode parecer estranho… Eu vou ver meus amigos tocarem na cidade, mas eu nunca fui a um show de alguém famoso. Acho que é principalmente porque eu não tinha dinheiro. Agora eu devo poder ir a um sem pagar…

Primeiro emprego?
Eu fui uma garçonete em Lake Placid desde os meus 15 anos em um restaurante.  Eu fiz isso até os meus 20 anos mais ou menos. Era em uma churrascaria. Eu gostei bastante, creio que eu era uma garçonete muito boa! Se minha carreira acabar, eu poderia voltar a servir panquecas de manhã com um grande sorriso.

Primeiro porre?
Eu tinha quatorze anos, em um bosque de Lake Placid. Isso não terminou muito mal naquela noite. Tive a impressão de alcançar o paraíso. Mas isso se tronou um problema um pouco mais tarde (risos).

Primeiros passos na música?
Eu nunca soube o que eu queria além de cantar. Eu comecei a procurar por noites de “microfone aberto” (palcos em que qualquer um pode cantar) em New York nos quais você pode subir ao palco para cantar uma única música. Eu participei de um concurso de compositores, em seguida, no Brooklyn. E eu não ganhei, mas um dos juízes trabalhava para uma gravadora independente e eu acabei por assinar com eles, a 5 Points Records. Finalmente, eu era a única artista deles na época.

Primeira música lançada?
Foi um EP lançado em 2009 chamado Kill Kill e que incluía a canção de mesmo nome e ainda duas outras músicas, “Yayo” e “Gramma (Blue Ribbon Sparkler Trailer Heaven)”.

Foi uma boa experiência?
Foi muito estranho. Eu trabalhei  com algumas pessoas incríveis (incluindo o produtor David Kahne que trabalhou com Paul McCartney, The Strokes, The Bangle…) que achavam que eu era boa, e isso finalmente validou minha ideia sobe música. Então meu primeiro álbum foi esquecido nas prateleiras antes mesmo de ser lançado. Ele foi finalmente lançado, mas somente por três meses antes de ser removido. Foi muito difícil, eu estava orgulhosa deste disco, mas aparentemente isso não bastava. Então eu continuei a fazer música sozinha no meu canto e assinei com minha nova gravadora há quatro semanas (Stranger Records publicou seu primeiro single duplo, Polydor lançou seu álbum na França)! Foi uma jornada longa e difícil, mas parece que as coisas estão ficando um pouco mais fáceis para mim agora.

Primeiro show em que você tocou?
Eu devia ter 18 anos, um cara me propôs, em um dos palcos abertos, abrir seu show do dia seguinte.  Eu peguei meu violão e toquei por uns trinta minutos, no Layla Lounge em Williamsburg. Foi estranho, minha música era sombria, um pouco jazzy, isso não combinava com o que estavam tocando no resto da noite. No entanto, as pessoas me ouviram religiosamente e eu disse a mim mesma que eu tentaria ser relevante.

Você se lembra de sua primeira entrevista?
Sim, eu me lembro dela! Foi para a Index Magazine. O que é engraçado é que a segunda entrevista demorou cerca de três anos para acontecer.

Você se lembra da primeira vez em que você disse a si mesma que tinha a possibilidade de ter uma carreira de verdade?
Quando David Kahne quis trabalhar comigo. Nós enviamos através da minha gravadora minhas demos a cinco produtores diferentes e ele me deu um retorno. Nos Estados Unidos ele é um grande nome, ele fez discos incríveis com grupos incríveis. Então eu disse a mim mesma que eu podia ter minha pequena carreira, fazer a música que eu amo e uma turnê pela Europa.

E a primeira vez que o buzz em torno de você te assustou?
Há dois ou três meses eu fiquei muito nervosa em relação ao que estava acontecendo porque eu não compreendia bem. Como eu passei muito tempo fazendo essas novas músicas eu esperava que as pessoas gostassem delas. Mas eu não esperava reações tão fortes. Nem a quantidade de pessoas que violentamente odiaram minha música. Eu não assinei meu contrato pra isso. Eu teria preferido não ter uma carreira que enfrentar oposições tão duras. Construir sua carreira é muito difícil desse jeito.

Você entendeu a polêmica que inflou?
Para ser honesta, eu ainda estou confusa quanto a isso. As pessoas estão começando a dizer que eu mudei, que há uma grande máquina por trás de mim, por mais que eu repita que eu assinei meu contrato com uma gravadora há menos de quatro semanas e que eu ainda faço o mesmo gênero de música, tentando torná-la a mais bela possível. “Video Games” era a minha música preferida, mas ela é longa e muito pessoal, eu não sei porque as pessoas gostaram tanto dela. Sobretudo porque o meu primeiro álbum também é assim, então eu não sei o motivo de as pessoas começarem a gostar dela enquanto nem prestaram atenção no disco anterior.

Primeira pessoa a quem você pede um conselho sobre sua música?
Meu advogado! (risos) Ele também é um de meus agentes, por isso ele é muito experiente. E também meus agentes são, antes de tudo, meus amigos, eu os amo, parece lógico eu pedir conselhos a eles.

Primeiro grande erro de sua carreira?
É difícil dizer. Eu sei que cometi um erro mas não sei onde. Se tudo vai bem agora, tenho a impressão de que a jornada foi difícil. Eu sempre fiz a música que eu queria fazer. Mas eu sinto também que fiz a escolha erada em algum momento.

 

Entrevista por François Blanc
Tradução por Mateus Santana

 

Confira em nossa galeria as fotos feitas por Mattieu Zazzo para a revista:

 


Redação LDRA
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