‘Eu queria ter uma banda, mas minha gravadora e minha equipe insistiram para que eu fosse uma artista solo’, leia a entrevista concedida ao site Repeat Fanzine

por / sexta-feira, 18 junho 2010 / Publicado emEntrevistas

Repeat Fanzine

Lana Del Rey

Sobre seu passado, presente e futuro…
Havaiano, glam e surf noir são apenas alguns dos rótulos que Lana Del Rey (nome verdadeiro Lizzy Grant) tem usado para explicar suas canções palatáveis, hipnóticas e nostálgicas, que são impecáveis tanto em composição como em performance! Chamada de “queridinha não-oficial do rock and roll” por um jornalista, no final de 2008 ela lançou seu EP de estreia, Kill Kill, seguido por um álbum autointitulado em Fevereiro de 2009 pela gravadora nova-iorquina 5 Points Records – ambos produzidos por David Kahne, que já trabalhou com Paul McCartney, The Strokes e Regina Spektor. Com melodias, vocais e letras que foram feitas no paraíso, o álbum soa como “preto e branco, famoso, como Coney Island e como uma festa triste”, foi como Lana o colocou poeticamente.

Com uma beleza estonteante, uma voz suntuosa e sonoridade que vai fincar em sua alma – algo que a veria logo catapultada ao estrelato – chegou a hora de você conhecer os prazeres de Lana Del Rey e conhecê-la um pouco melhor, pois ela é uma artista para se apaixonar que retoma à era de ouro da música…

 

Steve Bateman: Para os fãs de música que ainda não sabem muito sobre você, poderia nos contar um pouco sobre seu passado musical? Nos contar sobre quando sua paixão pela música realmente começou?
Lana Del Rey: 
Bom, eu era solista no coral da igreja quando era mais nova e eu participei de vários corais na escola. Não escutava muita música pop quando era pequena, mas assistia a muitos filmes, e eu estava sempre compondo. Quando entrei no colegial comecei a escutar muito rap e eventualmente encontrei diferentes tipos de música que eu adorava, como Elvis e Van Halen. Meu professor da escola, o Sr. Campbell, me ensinou quem eram os mais importantes de cada gênero e eu aprendi o que música boa era.

Foi uma decisão consciente se tornar uma artista solo, e de onde vem seu nome artístico, e por que motivo você escolheu este ao invés de seu nome de batismo?
Não. Eu queria ter uma banda, mas minha gravadora e minha equipe insistiram para que eu fosse uma artista solo. Lana Del Rey surgiu de uma série de empresários e advogados nos últimos cinco anos que queriam um nome que soasse melhor com o som de minha música, que sempre foram meio cinemáticas. Eles queriam algo que refletisse o glamour do som.

Voltando um pouco no tempo, se você compilasse uma mixtape, incluindo apenas uma de suas músicas, o que você colocaria nela? Como a mixtape se chamaria?
Se chamaria “Sex on Ice” e provavelmente colocaria Gangsters Paradise nela…
2.Flamingos ‘I Only Have Eyes For You’
3.Britney Spears ‘Hit Me Baby One More Time’
4.The Godfather Theme
5.Lee Hazlewood & Nancy Sinatra ‘Some Velvet Morning’
6.Lana Del Rey ‘Hey Lolita Hey’
7.Scarface Theme
8.Ennio Morricone ‘Once Upon A Time In The West’
9.Mickey Avalon ‘So Rich So Pretty’”

Por que você acha que é tão atraída pela América da década de 50 e 60?
Não sei se sou atraída por música da década de 50, mas gosto da qualidade sonora das gravações assim como gosto de como os filmes eram feitos naquela época. Há um sentimento de integridade segura e beleza na maioria das músicas antigas, mas acho que o que mais me atrai é o fato de ter boas cantoras. Hoje em dia qualquer um pode se tornar um cantor, mas antigamente você precisava ter algo de especial, uma personalidade estelar, fosse boa ou ruim.

No momento você está morando em Londres. Quando e por que você decidiu se mudar?
Me mudei para Londres pois aqui há muitos compositores e produtores que queriam trabalhar comigo. Já compus em Los Angeles e Nova York, mas o que estou buscando é um som mais obscuro e clássico do que o pop americano atual, Londres é o lugar certo para eu estar agora. Eles não esperam que eu simplifique as coisas aqui. Eles querem coisas inteligentes.

Quando você percebeu pela primeira vez que tinha uma voz especial? Como você se cuida vocalmente, e é importante para você não estabelecer limites vocais?
Vocalmente, nunca fiz nada para me cuidar. Estou sempre correndo, gritando e como muito chocolate e leite, então eu não deveria ter a voz que tenho. Obrigado por dizer que minha voz é especial.

Qual foi o seu primeiro instrumento? E há alguma música que sempre toca ao experimentar um novo instrumento, ou algum acorde que sempre te inspira?
Fora o kazoo, acho que meu primeiro instrumento foi um violão. Se estou procurando um novo violão, toco algumas canções que compus. Mas toco muito mal, então não acho muitas coisas que me inspiram musicalmente. Prefiro que Frank toque para mim e toco um riff do Van Halen ou algo assim.

Você tem alguma regra quando compõe e grava, em termos de como uma faixa vai soar musicalmente, melodicamente ou ritmicamente? E há alguém cuja opinião você valoriza muito?
Ah, depende. Às vezes sou Maria Callas e às vezes sou Bob Dylan. Dylan é um cara de três takes. Normalmente consigo fazer tudo o que quero em três takes. Mas às vezes gosto de passar muito tempo regravando e juntando pedaços de diferentes takes como Maria, especialmente se estou fazendo algum vocal mais difícil.

Se você pudesse perguntar a qualquer herói musical qualquer coisa, quem seria e o que você perguntaria?
Perguntaria a Elvis se ele me beijaria.

Compor surge naturalmente para você e ainda há muitas revisões envolvidas ou você confia em seu instinto inicial? E você pode nos contar um pouco sobre seus vídeos caseiros? Porque para mim, visualmente e tematicamente, eles parecem ter saído de suas letras.
Sim, componho naturalmente. Passo grande parte de meu tempo compondo e depois edito tudo, porque estou trabalhando com muitos compositores. Mas meu primeiro álbum, embora tenha demorado anos para ser composto, foi muito instintivo. Sobre meus vídeos: a composição surge primeiro, depois vêm os vídeos, mas as canções surgem de memórias que tenho. Depois eu vou à internet e procuro buscar equivalentes à minha experiência de vida. Normalmente são vídeos de Super 8 que você pode dizer que significam muito a quem gravou. Gosto de pegar isso e misturar com gravações de meu passado mesmo. Gosto de fazer filmes, é minha paixão. Gosto tanto quanto cantar. A edição é algo que faz o filme ser especial, o tempo de mudança de cena e o uso de algumas luzes ou cenário.

Como você gosta de metal e porque suas músicas são bem diferentes deste gênero, de todos os artistas e bandas que você admira, quais são suas faixas barulhentas e suaves favoritas?
Bom, o Nirvana foi meu primeiro amor. Me apaixonei por Kurt e pela banda assim que escutei. Já as músicas suaves que mais gosto são do The Flamingos, uma banda de doo wop que soa como o paraíso.

Você está atualmente em estúdio trabalhando em seu novo álbum, ele será uma continuação ou uma evolução de seu LP de estreia?
Bom, neste ponto, escrevi tantas músicas que não sei se estou regredindo ou evoluindo. Mas faço o que sempre fiz, escrevo sobre o que sei e tento encontrar as melodias mais bonitas que existem.

Li que você ‘vive em suas músicas’, então cantar ao vivo deve ser muito importante para você. Há algum show memorável até hoje?
Vivo mesmo em minhas músicas, e amo as cantar em casa ou nos shows. Os shows se misturam com meu cotidiano, porque estou sempre cantando. Todos são memoráveis já que tenho muitos fãs estranhos e sexy que se aproximam para dizer oi. Sempre é um show de horrores e eu amo cada um deles.

Se você tivesse que comprar algo para alguém e fosse comprar ou um álbum ou um livro ou um filme, qual deles seria e por quê?
Eu iria comprar a mesma coisa para todos. Acredito que todos devem ler o livro “Pense e Fique Rico” de Napoleon Hill. O filme “Não Olhe para Trás” de D.A. Pennebaker, e daria a música “Agnus Dei”, de Samuel Barbe.

Por último, batata chips ou cream buns [tipo de pão irlandês recheado com creme]?
Eu comeria os dois com muito prazer. Sou uma garota americana e sou a rainha do fast food. Como uma banana split quase toda manhã e como batata frita no jantar. Tenho o mesmo gosto de quando era pequena.

 

Por Steve Bateman
Traduzido por Lucas Almeida

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
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