‘Eu quero ter uma vida onde eu tenha só um homem e eu ainda não o encontrei’, confira a entrevista concedida à Index, a primeira de sua carreira como Lizzy Grant

por / domingo, 20 janeiro 2008 / Publicado emEntrevistas

Index

 

Estou esperando no Alice’s Tea Cup, um café em Upper East Side, quando Lizzy Grant aparece. Ela está vestindo calças pretas justas, uma blusa floral vintage e uma jaqueta de pele vermelha. O seu cabelo loiro brilhante está empilhado no topo da sua cabeça e os seus olhos estão delineados com um rímel cinza. Se nós estivéssemos num filme, a sua entrada seria sedutora, a música de base acelerando para anunciar a chegada uma encantadora jovem ingênua.

Mas como nós não estamos em num filme, ela marcou a sua própria entrada com seu CD “Kill Kill”. Produzido por David Kahne (Regina Spektor, Sublime, Paul McCartney), a música é exuberante e cinematográfica, com cordas, Wurlitzers (termo técnico musical) e guitarras elétricas, recordando a América dos anos 50 tanto sonoramente quanto tematicamente. O mix é ancorado pela voz de Lizzy, que alterna entre um tom grave esfumaçado e uma Marilyn ofegante enquanto ela geme sobre a dor eterna de amor em um mundo moderno.

Seu EP, também intitulado de “Kill Kill”, estreia 21 de Outubro e um cd completo em 9 de Fevereiro. Durante o café discutimos sobre a sua música, o seu “trailer-casa” e Tiger Beat (revista direcionada ao público teen).

 

Brea Trambley: Você descreve a sua música como “Hawaiian glam metal” e “surf noir”. Como você chegou a essas descrições?
Lizzy: No começo eu não sabia porque eu gostei da ideia de “hawaiian and glam”, mas ao ouvir mais os artistas que eu gosto, fazia sentido. Havia apenas algo sobre o visual do Havaí e então eu comecei a pensar mais sobre Elvis e eu não podia acreditar em quantas referências ao estilo “Hawaiian” havia em seu trabalho. E o “glam” veio de um antigo namorado, que era muito bonito. Ele disse que sua música era glam, então eu o copiei. Comecei a olhar para outros artistas de “glam-y” e filmes – você sabe, como “Velvet Goldmine”, e eu pensei, isso é o que eu sempre quis fazer. Me identifico com um mundo “drag queen”- tudo chamativo e dourado.

E acerca do metal?
O mesmo namorado me ensinou tudo sobre Van Halen e Poison, e ele os chamou de bandas de metal. Assim que eu os ouvi, pensei, “esse é o meu povo!” E desde então foi tudo o que eu ouvia, portanto… Quando me encontrei com todas as grandes gravadoras, eles não gostaram do termo “metal”, porque a música não soa como metal. Mas, de fato, é influenciada por homens que gostam de metal.

E “surf noir” é semelhante às referências de Elvis?
Surf noir é uma dessas frases de duas palavras que vivem unidas para mim. Eu estava ouvindo muito Beach Boys e assistindo um monte de filmes e eu apenas senti que o que eu queria era ser algo de “surf noir”. Mas então comecei a procurar pelas palavras juntas, e há um movimento chamado “surf noir” , mas é um estilo de cinema… Eu não podia comprar o site Surfnoir.com.

Então, o EP tem três músicas – há quaisquer planos de lançar um CD completo?
Sim, quando eu gravei com Davey [David Kahne], nós gravamos 13 músicas. Então, eu nunca estava esperando para lançar um EP, mas o iTunes veio até com bastante ânimo e nos disseram: “lancem qualquer coisa e nós vamos te colocar no Spotlight para artistas.” Decidimos, tudo bem, vamos apenas lançar um EP, que saiu em 21 de outubro.

A instrumentação é muito teatral e eu queria saber que tipo de processo que você usou para escrever essas partes. Foi colaborativo?
Antes de começarmos, passamos três semanas enviando e recebendo e-mails – Eu realmente gostei do som que eu tinha e eu queria ter a certeza de mantê-lo. Eu disse a Davey que eu queria soar como preto e branco, e eu queria que soasse como se a música fosse famosa, como Coney Island e como uma festa triste. E ele escreveu de volta: “Eu posso fazer isso! Eu entendo isso perfeitamente.”

Como você se sente sobre a forma que foi lançado?
Estou satisfeita. O engraçado é que, se era exatamente do jeito que eu queria, então eu gostaria de dizer que estou completamente satisfeita, mas como é diferente do que eu esperava, eu estarei contente se muitas outras pessoas gostarem dele também. Eu me sinto como uma idiota dizendo isso… Mas eu espero que ele receba algum tipo de reconhecimento apenas para que eu possa seguir em frente e fazer algumas coisas diferentes.

Que tipo de coisas você gostaria de fazer?
Eu sempre espero que uma vez que eu faça algo, eu seja capaz de fazer a transição para algo melhor, como, talvez, mudar de casa para outro lugar ou para conhecer mais pessoas. Idealmente, eu gostaria de voltar para uma pequena parte de New Jersey ou Coney Island e ter pessoas para trabalhar em pequenos projetos, como vídeos de música, porque eu faço muito melhor em espaços menores. Me apresentar é muito, muito difícil para mim, então eu apenas gostaria de ter mais gente e mais dinheiro para fazer projetos mais sexy.

Projetos sexy!
Sim, eu só quero ter algo para fazer todo o tempo – e é mais fácil de fazer quando as pessoas pensam que você é incrível.

Onde você vê um EP como esse tocando?
Essa é uma boa pergunta. Eu tinha certeza de que eu sabia, mas eu estava errada. Por exemplo, eu tenho cantado recentemente em festas privadas para jovens de Wall Street, e alguns não tão jovens assim, e eu fiquei surpresa de que eles gostam da música. Eu acho que isso não é realmente um grupo estatístico, não é mesmo?

Um grupo demográfico ainda não empregado, mas …
[Risos] E eu comecei a cantar em locais em minha cidade natal como a Legião Americana, e os amigos que eu tenho lá – caras motociclista de cidades pequenas. Então, talvez eles também?

Eu achei realmente interessante você usar um monte de significados culturais muito femininos com referências a figuras paternas (“daddy”) e estilos pinup. Ao mesmo tempo, parece moderno porque o narrador das canções está muito claramente no controle. Eu entendi isso corretamente?
Eu penso que sim. Eu acho que minhas canções começaram a ser músicas que eu gostava quando eu parei de estar nervosa sobre o conteúdo. Eu gosto de cantar sobre “Daddy” e “baby”- o “Daddy” sendo o homem e eu a “garota”. Eu não sabia que tinha sido um tema tão prevalente nos anos cinquenta, mas agora que eu tenho escutado mais música dessa era, eu vejo que é. E eu estou muito aliviada, porque eu não quero isso para parecer que eu tenho um complexo! Mas é algo que eu não consigo superar. Eu quero ter uma vida onde eu tenha só um homem e eu ainda não o encontrei.

Mas, então, na canção “Gramma Blue Ribbon Sparkler,” parece que sua avó está dizendo que haverá apenas um cara e que você responde que você quer ser a “menina do mundo inteiro”.
Isso é engraçado. Quer dizer, essa foi a última canção que gravamos e eu já tinha o refrão, e eu comecei a escrever os versos enquanto eu estava morando em um trailer, em Nova Jersey. A melhor parte de lá era um trem que ia do Parque até Hoboken. Eu escrevi os versos nele, na ida e volta, porque essa é a melhor vista da cidade.  Eu acho que foi uma das minhas fases mais felizes, e eu acho que isso me fez por a felicidade nos versos.  E eu me lembro de dizer a minha avó, “Eu gostaria de encontrar alguém.” E ela disse: “Quando eu era jovem, não tive a chance ou a opção de experimentar e conhecer um monte de pessoas – você tinha que conhecer um homem e era isso – mas não tenha medo de conhecer todo mundo”. E eu pensei, “você é a primeira pessoa na minha família que sempre me fez sentir como se não houvesse problema em querer experimentar e encontrar o caminho da coisa certa”.

Você estava vivendo em um trailer quando você estava fazendo o álbum?
Sim. E eu sei como isso soa. Mas o fato é que eu sempre pensei que era um sonho. Foi o primeiro lugar que era meu. E as pessoas – eram uma comunidade real. As pessoas decoram suas casas.

Falando de embelezamento, parece que o estilo é muito importante para você e você tem um conjunto muito coeso na música e na parte visual.
Bem, querer ter uma vida definida e um mundo definido para se viver tem sido uma ambição ao longo da vida e desejo para mim, mas muita coisa mudou. O que é bom.

O curioso é que agora é muito retro, mas moderno moderno ao mesmo tempo, bem semelhante à música.
Muitas das canções deste disco ficaram assim porque eu não tive contato com todas as coisas legais, mas agora que eu tenho, acabo de perceber que me encaixo perfeitamente. Apenas planejo incorporar tudo isso.

Soa muito orgânico.
Sim, mas agora que eu conheci muita coisa está ficando mais difícil. Eu não quero que pareca que estou copiando alguém.

Você já alguma vez leu a revista “Tiger Beat”?
“Tiger Beat”? A do Jonathan Taylor Thomas? (astro infantil dos anos 90)

Exatamente! Eles sempre fazem um quiz sobre coisas que as pessoas gostam, então eu pensei que seria divertido para dar a você um pouco de Tiger Beat teste estilo!
Legall! Isso é uma grande ideia.

Três coisas que você sempre tem com você.
Três coisas que eu sempre tenho comigo…… [Vasculha em sua bolsa e retira itens] Um caderninho com brilhantes. Delineador de lábios. Pimenta-caiena.

Pimenta caiena! Por quê?
Quando eu fico nervosa, eu coloco pimenta caiena em meus lábios. Isso me acalma.

Melhor cantada que já usaram com você?
Foi algo como: “Se eu disser que você tem um corpo bonito, você o apertaria contra mim?” (“If I said you had a beautiful body, would you hold it against me?”). Eu não entendi de primeira, e eu estava tipo, bem, não vai rolar, mas achei bem legal.

Música mais embaraçosa no seu iPod ou MP3.
Eu diria um audiobook de autoajuda.

Comida favorita.
Café. E torta.

Se você pudesse beijar qualquer celebridade, quem seria?
Oh isso é bom. Antony. De “Antony and the Johnsons”.

Descreva-se em três palavras.
Confusa. Floral. E ah, estranha?

Eu estava esperando “Hawaiian glam metal”.
Ah, isso também!

 

Por Brea Tremblay
Tradução por Rita Miranda

Redação LDRA
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